Moda e Lifestyle

Para eles [?]

Historicamente, o homem e a mulher exerceram papéis diferentes na sociedade e esta associou alguns comportamentos e objetos como masculinos e femininos: profissões, brinquedos e, uma das mais marcantes, roupas. Na moda, essa divisão dizia que os  homens deviam usar calças e roupas funcionais para o dia a dia de trabalho e as mulheres deviam usar saias e roupas delicadas que realcem a sua beleza. Mas esta distinção deveria ainda existir?

A estilista Coco Chanel ganhou fama em Paris por transmitir à sociedade exatamente o contrário, procurando a sua inspiração em roupas masculinas. Fez com que a silhueta da mulher moderna se transformasse de delicada a mulher forte, independente e trabalhadora, incluindo um par de calças ao guarda-roupa das mulheres parisienses. Desde então, o movimento de igualdade entre mulheres e homens ganhou força e quebrou barreiras, transmitindo às mulheres que elas podem ser e vestir o que quiserem, mas não podemos dizer que o contrário também se verifica. A ideia de um homem de saia causa desconforto na sociedade até aos dias de hoje: pintar as unhas, usar vestidos e maquilhar-se são coisas que poucos homens têm a ousadia de fazer.

Felizmente, temos uma nova geração de homens seguros e bem resolvidos que decidiram que a distinção entre roupas e acessórios masculinos e femininos não iria impedi-los de se expressarem da maneira que quisessem. Para a sua edição do mês de Dezembro de 2020, a Vogue, considerada a bíblia da moda, apresenta o primeiro homem como capa na publicação americana em 128 anos de história: o cantor britânico Harry Styles aparece num vestido Gucci. Esta não é a primeira vez que o cantor veste roupas tidas como femininas – em diversas cerimónias de entrega de prémios, presenças e até em videoclipes é possível vê-lo a usar vestidos, unhas pintadas, brincos e colares de pérolas. Ele é tido como uma das personalidades mais bem vestidas dos últimos anos e diz que “as roupas existem para divertir, experimentar e brincar”.

Fonte: Vogue
Fonte: Pinterest

Como reflexo, grandes marcas têm apostado em produtos criados especialmente para o público masculino. A Chanel lançou a sua primeira linha de maquilhagem para homens, Boy de Chanel, com o slogan “So you can Be Only You” e refere que “a beleza relaciona-se com o estilo. Ela não diferencia os géneros”. Com base para a pele, corretor, lápis para sobrancelhas e protetor labial já disponíveis no mercado, a marca anunciou que, em breve, lançará mais 4 produtos da linha que também conta com duas cores de vernizes, a preta e a natural. Já a italiana Gucci lançou um vestido masculino para a coleção outono/inverno 2020 e, segundo a marca, o objetivo é “romper os estereótipos tóxicos que moldam a identidade de género masculina”.

Fonte: Nylon
Fonte: The sun

O norte-americano de 61 anos Mark Bryan ficou mundialmente famoso nas redes sociais ao publicar, quase que diariamente, looks no seu Instagram, que combinam fatos com saias e saltos altos. Ele vive atualmente na Alemanha e descreve-se como “apenas um homem hétero e casado que ama Porsches, mulheres bonitas e incorporar saltos altos e saias no meu guarda-roupa do dia a dia”. O seu objetivo é demonstrar, aos seus mais de 250 mil seguidores, que as roupas não tem género.

Fonte: NY post

As roupas são instrumentos para expressão e devem ser livres de qualquer rótulo ou censura. A construção social que foi imposta, hoje, já não faz sentido: todos somos livres para sermos quem quisermos, vestir o que bem entendermos, amar quem quer que seja. O importante é ser feliz. E então? O que vai vestir hoje?

Artigo revisto por Constança Lopes

Fonte da foto de capa: freak-vogue.tumblr.com

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