Portugal cai aos pés do Chile

A seleção portuguesa de futebol foi eliminada perante o Chile, em jogo a contar para as meias-finais da Taça das Confederações, que decorreu na passada quarta-feira em Kazan, na Rússia. Depois do nulo registado aos 120 minutos, os chilenos levaram a melhor na marca das grandes penalidades, vencendo por um expressivo 3-0.

Eram grandes as expectativas em torno deste jogo. Campeões europeus e sul-americanos disputaram a partida para lá do tempo regulamentar, tal o equilíbrio demonstrado dentro de campo. No final, Ronaldo e companhia não foram suficientes para contrariar a experiência dos jogadores chilenos, sempre bastante confiantes.

Se os primeiros minutos faziam adivinhar um encontro aberto, com oportunidades para ambos os lados, à medida que o tempo foi passando as equipas procuraram não arriscar tanto, com receio do erro, o que acabou por se refletir num jogo fechado e onde o equilíbrio entre as duas seleções falou mais alto. André Silva desperdiçou a melhor ocasião para Portugal transpor a baliza de Claudio Bravo, após grande passe de CR7. A primeira parte fechou assim com um 0-0 e duas boas ocasiões de golo para cada lado.

A segunda parte prometia. Ambos os emblemas pareciam anular-se e os minutos arrastavam-se. Para mim o grande momento que condicionou o jogo da equipa portuguesa foi a primeira alteração de Fernando Santos: a troca de André Silva, o único ponta-de-lança da seleção nacional, por Nani, um extremo possante e desequilibrador. Apesar de ser uma forma nítida de preparar a próxima substituição e a transição para o 4-3-3, esta troca não só transmitiu à equipa uma ideia de recuo, como deixou Ronaldo sozinho na área adversária, sem grande capacidade para ganhar as bolas de cabeça face a três ou quatro elementos que os chilenos dispunham naquela zona do terreno. Fernando Santos, sempre fiel à sua lógica de jogo, continuou a não querer prescindir de um médio mais recuado, neste caso André Gomes, com receio de deixar a equipa descompensada. Uma decisão controversa, já que o jogador do Barcelona não mostrou rendimento em nenhum dos dois jogos anteriores que disputou na competição, como ao longo do período deste encontro demonstrou mais uma vez não estar à altura do desafio, acrescentando muito pouco à atuação da equipa.

À segunda alteração colocou finalmente Ricardo Quaresma em campo. O extremo agitador por quem muitos clamavam firmou em definitivo a tática da equipa num 4-3-3, assumindo com Nani e Ronaldo a ofensiva da seleção das quinas. Porém, os chilenos conseguiram sempre contrariar as movimentações dos jogadores portugueses, ganhando grande parte dos ressaltos e o controlo do meio-campo. Nem a entrada de Moutinho interferiu muito com o rumo dos acontecimentos – um jogo disputado, mas que parecia desde o inicio do segundo tempo rendido ao prolongamento. E assim foi. Sucederam-se mais 30 minutos com ocasiões repartidas e aspetos a assinalar. O primeiro prende-se com a utilização do vídeo-árbitro, que deixou passar uma grande penalidade clara cometida por José Fonte e favorável ao Chile. O segundo dá relevo a uma exibição monumental de Cédric Soares, impecável no aspeto defensivo e em grande forma pelas cores nacionais. Em terceiro lugar fica para a história Gélson Martins, a primeira quarta substituição autorizada em jogos oficiais.

O jogo caminhava para o desenlace na marca das grandes-penalidades. Ainda antes do final, o Chile dispôs de uma dupla oportunidade de golo, com Patrício a respirar de alívio depois de ver os ferros negarem a festa prematura aos chilenos. A estratégia dos sul-americanos de aproveitar o espaço entre linhas, embora não tendo sido frutífera, causou problemas à defensiva lusa. No entanto, nem desta nem doutra maneira houve maneira de desempatar o nulo, que teimou em permanecer. Seguiram-se os penalties.

O desempate pela marca das grandes penalidades mostrou que não há lotarias no futebol. Quaresma, Moutinho e Nani, previsíveis, coroaram Claudio Bravo, à altura das responsabilidades. Os chilenos marcaram sempre e não deram hipóteses a Patrício. Depois de vencerem duas vezes consecutivas a Copa América desta forma, frente à Argentina, os chilenos alcançam agora a final da Taça das Confederações, onde terão pela frente os alemães, que afastaram na quinta-feira os mexicanos. Portugal tem ainda hipótese de alcançar o terceiro lugar, na reedição do seu primeiro encontro nesta competição.

Na minha opinião foi um desfecho justo, que valida o mérito da seleção que mostrou mais vontade de vencer e que foi a mais segura ao longo dos largos minutos. Portugal pecou pelo receio de errar, que acabou por ter influência na capacidade da equipa em criar ocasiões de golo, especialmente a partir da primeira substituição. Já o Chile, depois de ter anulado Messi por duas vezes seguidas em jogos decisivos, anula agora CR7, através de uma exibição muito bem conseguida, com destaque para o aspeto defensivo. A experiência foi o fator oculto de desempate. Os jogadores chilenos sempre demonstraram confiança e assertividade na disputa dos lances e souberam conduzir os capítulos da história a um final favorável.

Quanto a Portugal, ficou em terceiro lugar, a meu ver, uma boa conquista para uma equipa estreante na Taça das Confederações.

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