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Portugal mantém o combate às chamas após “o pior dia de sempre” de incêndios

O combate às chamas e a contabilização do número de vítimas mortais e feridos continuam, após aquele que foi considerado “o pior dia do ano” relativamente a incêndios, com 524 ocorrências registadas no território nacional continental ao longo das 24 horas de domingo.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera anunciou esta sexta-feira que Setembro terá sido o mês mais seco da Europa em 87 anos. Este terá sido um dos fatores apontados como decisivos para o deflagrar descontrolado das chamas, juntamente com a temperatura anormal que se fez sentir (cerca de 10º C acima do habitual para esta época do ano), monoculturas eucaliptais, negligência, fogo-posto e desordenamento e abandono do território nacional.

Até ao fecho da edição, o mais recente balanço da Autoridade Nacional de Proteção Civil, feito pela adjunta de operações, Patrícia Gaspar, às 17h30 de segunda-feira, dava conta de 35 vítimas mortais e, pelo menos, 7 desaparecidos. Entre os 56 feridos contabilizados até ao momento, 16 encontram-se em estado grave. Crê-se que o número de mortos possa continuar a subir, tal como aconteceu ao longo de segunda-feira.

O distrito de Viseu terá sido o mais afetado, em área ardida e em número de vítimas mortais (17 às 17h00). Penacova e Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, terão sido das localidades mais afetadas, com dezenas de casas, fábricas e terrenos ardidos. Entre o eixo de Coimbra a Viseu, todos os concelhos foram afetados, contabilizando-se, pelo menos, 84 localidades portuguesas com danos materiais provocados pelos incêndios.

Através de um despacho assinado pelo primeiro-ministro e pela ministra da Administração Interna, foi oficialmente declarado o estado de calamidade pública desde as 00h00 de segunda-feira até às 00h00 de quarta-feira, o que se traduz na “adoção imediata de medidas que permitam disponibilizar recursos adicionais para ações da proteção civil” em 13 distritos do centro e norte do país: Aveiro, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.

Pelas 16h00 de segunda-feira, a Proteção Civil alertou para a ocorrência de 163 incêndios florestais desde a meia-noite, 50 dos quais ainda em curso no momento da declaração. Para o seu combate foram mobilizados 3762 operacionais, apoiados por 1148 meios terrestres e, devido às condições meteorológicas, apenas 2 meios aéreos. Encontravam-se ainda no terreno 14 pelotões militares e 6 máquinas de rasto militar.

Além das inúmeras estradas cortadas e da existência de aldeias incontactáveis desde domingo, devido a cortes nas redes móveis, rede fixa e eletricidade, destaca-se ainda o corte de linhas ferroviárias na região Centro. O transbordo de cerca de 760 passageiros de 4 comboios retidos na Linha da Beira Alta desde a tarde de domingo foi sendo feito ao longo da manhã e tarde de segunda-feira.

O Governo declarou entretanto, por via eletrónica, 3 dias de luto nacional, de terça até quinta-feira.

O Presidente da República e o primeiro-ministro cancelaram as respetivas agendas para esta semana para acompanhar de perto o combate aos incêndios e apoiar as populações afetadas. Marcelo Rebelo de Sousa prestou as suas condolências aos familiares das vítimas e prometeu visitar todos os concelhos afetados no próximo fim-de-semana.

Imagens de satélite da NASA mostram colunas de fumo criadas pelos incêndios em Portugal.

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