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Primeira vaga de migrantes e refugiados reenviados hoje para a Turquia

A primeira vaga de migrantes e refugiados seguiu hoje viagem para a Turquia: saíram esta madrugada das ilhas gregas de Lesbos e Chios quatro barcos turcos com dezenas de migrantes a bordo. O número de migrantes que partiram de Chios, onde algumas dezenas de activistas organizaram uma manifestação, ainda não foi divulgado, mas sabe-se que embarcaram, em Lesbos, 131 pessoas, maioritariamente do Paquistão e do Bangladesh.

O reenvio de refugiados para a Turquia cumpre o acordo entre Ancara e a União Europeia, e prevê que por cada sírio repatriado – isto é, por cada pessoa que faça a viagem de forma irregular e seja mandada de volta para o seu país -, um outro que esteja em campos de refugiados na Turquia, devidamente registado, seja admitido na União Europeia – isto até um máximo de 72 mil lugares.

Críticas não têm faltado: a Amnistia Internacional acusou Ancara de obrigar diariamente centenas de sírios a voltar ao seu país – uma acusação que a Turquia rejeitou – e Peter Sutherland, conselheiro especial da ONU para as migrações, afirmou que estes reenvios são “expulsões colectivas sem levar em conta os direitos individuais daqueles que afirmam ser refugiados”.

De regresso de uma viagem de três dias à Grécia, também Ana Gomes se pronunciou sobre o assunto. A eurodeputada socialista apelidou o acordo de “ilegal, imoral e impraticável” e chegou até a dizer que se trata de “uma machadada brutal na credibilidade da União Europeia”, temendo uma violação da “carta europeia dos direitos fundamentais e outras leis fundamentais em matéria de direitos humanos, sobretudo se se concretizar o retorno forçado de algumas pessoas”.

O acordo assinado pelos Vinte e Oito com Ancara não abrange, no entanto, as mais de 40 mil pessoas que chegaram à Grécia antes da data em que este entrou em vigor, no dia 20 de Março. Desde esse dia, terão entrado ilegalmente na Grécia, segundo as contas da AFP, cerca de 6000 refugiados e migrantes.

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