“Que mal fiz eu a Deus?” – A comédia francesa que vale a pena rever

Será que somos tão tolerantes como pensamos?

Fonte: Les Films du 24 / Union Générale Cinématographique

O filme “Que mal fiz eu a Deus?” é uma comédia francesa de 2014. França sempre foi significado de casa para muitos emigrantes, mas estes nem sempre foram bem aceites. Será que agora é diferente?

Claude e Marie Verneuil são os pais de quatro lindas mulheres. Habituados à calma da pequena zona rural de Chinon e à vida segundo os ensinamentos da igreja católica, Claude e Marie não estão preparados para a mudança que as filhas vão trazer para as suas vidas. Emile casou-se com um empresário chinês, Ódile escolheu como marido um judeu e Isabelle casou-se com um muçulmano árabe. A adaptação dos pais a esta nova realidade não foi fácil. Os mais variados preconceitos vieram à tona e tornou-se difícil respeitar as diferenças entre as culturas. Até a escolha do menu para um almoço em família se torna quase impossível, devido às limitações gastronómicas de cada um. Mas, com o passar do tempo, Claude e Marie colocam o amor que têm pelas filhas à frente dos preconceitos e começam a conseguir conviver com os genros. Ainda assim, mantêm a secreta esperança de que Laure, a filha mais nova, arranje um marido “francês” e católico… E conseguem transformar o desejo em realidade! Laure, efetivamente, vai casar com um francês católico, mas com uma pequena variante: Charles, o noivo de Laure, é negro, e originário da Costa de Marfim. Será que vão conseguir ultrapassar a má reação inicial?

Fonte: Les Films du 24 / Union Générale Cinématographique

“Que mal fiz eu a Deus?” propôs-se explorar a questão do racismo e do preconceito que existe em algumas partes de França. Apesar de não ser um tema leve, o realizador Philippe de Chauveron conseguiu colocar a questão em cima da mesa com um toque de humor sublime. As comédias francesas já nos habituaram a um tipo de humor que, por vezes, passa despercebido por ser tão subtil, mas que é capaz de levar qualquer um à gargalhada.

A longa metragem conseguiu, sem dúvida, estar à altura do desafio que se propôs a cumprir. Ao longo do filme, damos por nós próprios a perguntar: será que somos tão tolerantes como pensamos? E só por esta pequena reflexão já vale a pena perder duas horas a ver este filme.

O filme foi considerado racista e preconceituoso em alguns países. Mas, em Portugal, teve muito sucesso e conseguiu arrecadar o prémio de melhor argumento na 20ª edição do Prix Lumière.

Artigo revisto por Mariana Plácido

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