“Queria uma mudança. Sabia que queria mais”

Do Alentejo para a capital, aos 22 anos, Patrícia Lemos Vieira, estudante de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, encontrou a sua grande paixão: o mundo da televisão. Atualmente, depois de ter participado num casting, é apresentadora na MTV.

O que é que te motivou a participares no casting da MTV?

P.V: Queria uma mudança. Sabia que queria mais. Não estava assim tão confiante com o curso. Sabia que não era bem isto, se calhar, que eu queria fazer e precisava de uma cena diferente. Sempre soube que queria alguma coisa ligada ao entretenimento, e de preferência com o contacto com o público, seja em televisão seja em redes sociais. E vi que ia haver o casting. Descobri que ia haver o casting pela rádio e fiquei logo a pensar nisso. Na altura, era suposto fazer um vídeo por whatsapp, mas achava que não tinha tempo, nem skills. Falei com as minhas amigas porque achava que era irreal acontecer. Elas motivaram-me um bocadinho. Depois, também quis ir porque adoro a Filomena Cautela e ela começou na MTV. Como faço castings numa agência de modelos, estou mais à vontade. E pensei: tenho de ir, se me disserem não é um não. Tudo bem.

  1. Quando fizeste o casting esperavas ganhar?

P.V: Não. De todo. Era muita gente a fazer o casting e pensei mesmo que não iria conseguir. As fases foram acontecendo. O tempo foi passando. Havia pessoas muito boas lá, com experiência. Não tinha experiência nenhuma nisto e pensei sempre: bom, pelo menos vale pela experiência.

  1. Fala um pouco sobre toda a experiência até saberes que ganhaste.

P.V: Tivemos três fases de castings. Começou tudo em maio e acabou em junho. No início, eramos por volta de 700 concorrentes. Primeiro, foi o casting presencial, que fiz na faculdade e foi uma coisa normal. Nada de outro mundo. Tínhamos de simular a apresentação do programa “Amplifica”, que é um programa de 2 a 3 minutos e inventei que estava na Eurovisão e que ia aos bastidores e entrevistava o Salvador Sobral; depois, foi fazer uma pergunta criativa em inglês, em que fazia uma pergunta à Kim Kardashian e no fim era uma prova livre, que nem tive tempo de pensar, e acabei por contar uma história. Depois, passei e fui à segunda fase de casting, que foi no escritório da MTV. Aí já eramos só vinte e poucos. Apareci e estavam modelos, influencers, youtubers. Foi uma fase mais simples em que tínhamos de responder a um questionário de 60 perguntas. Aí foi mais para nos conhecerem e a nossa cultura pop também. Depois, foi fazer um live e histórias do pessoal que trabalhava no escritório. Entrevistámos quem estava lá e isso correu-me bem. Na terceira fase, foram três dias de seguida, em que fizémos vox pop. Aí éramos dez. Nessa altura achei que não ia ganhar porque as coisas não me correram assim tão bem quanto isso. O vox pop não me correu nada bem. E as pessoas que passaram comigo eram pessoas com alguma experiência.

Achas que a imagem é algo de relevante?

P.V: Para a MTV, a imagem de uma pessoa deve ser aquilo que a pessoa é. Tenho tatuagens e nunca foram um impedimento e elas são bem visíveis. Acho que tens de ter uma boa imagem, mas aquilo que eles querem é que sejas minimamente diferente, para te destacares mais e querem, sobretudo, que a tua imagem seja algo que transmita alguma coisa às pessoas e que crie empatia com as pessoas. Fui sempre eu própria e por isso mesmo pensei que nem passasse da primeira fase sequer.

Ficavas muito nervosa na fase de casting?

P.V: Um bocadinho. Nas noites antes nunca dormia. Ficava na cama a pensar: isto é estúpido. Vá, calma. Não é nada demais. E não dormia.

Como é que foi a fase inicial como apresentadora na MTV?

P.V: A minha fase inicial foi um bocadinho louca. O meu primeiro trabalho foi as summer sessions, que é um programa que gravamos por um mês e meio, no Algarve. São basicamente festas e atividades. Foi logo a seguir a ter descoberto que ia ganhar. Já estava no Algarve quando foi anunciado que ia ganhar. Caí de paraquedas na MTV e de repente mandam-me para lá, onde tenho de fazer cobertura de festas, atividades. Então, a minha primeira experiência foi um bocadinho louca. E gostei muito.

Como te sentes ao ser apresentadora de televisão?

 P.V: Sinto-me bem porque estou a fazer aquilo de que gosto, claro. Só que acho que o facto de ser apresentadora de televisão não quer dizer que sejas mais do que seres médica. O importante é fazeres aquilo que te deixa feliz. Neste momento, estou muito feliz neste canal, que é o que mais se identifica comigo na fase de vida em que estou, mas se calhar também poderia ser muito feliz noutro canal qualquer. O foco é estar a fazer entretenimento.

O mundo da televisão, para ti, sempre foi um sonho?

P.V: Não propriamente. Sabia que queria alguma coisa relacionada com o entretenimento. Não fazia ideia o quê. A apresentação só me passou mais pela cabeça o ano passado, na altura do casting. Na altura pensava: se calhar era isto e não fazia ideia. Fui descobrindo. Queria algo nesta área. Algo no entretenimento. Acho que temos um problema cá, que é o facto de não termos nenhum curso na área da apresentação. Não há nada ao nível do ensino superior. Acabei por fazer este curso, Relações Públicas e Comunicação Empresarial, que achava que era o que mais ia ao encontro comigo na altura. E, se houvesse um curso nessa área, as coisas tinham sido diferentes para mim.

Até agora sentes que tens vindo a aprender muita coisa?

P.V: Tenho vindo a aprender muita coisa, especialmente quando estou mesmo em ação. Ganha-se experiência. Mas óbvio que gostava de ter uma formação por trás. Sinto que me falta um bocadinho esse guia.

O que fazes atualmente na MTV?

P.V: Agora estou a fazer um diário para o Instagram tv e faço um programa passado diariamente na MTV: o “Breakfast Club”. Depois vou fazendo algumas coisas, como o programa “Amplifica”. A MTV é o que se identifica mais comigo e me deixa ser eu e ter a liberdade de fazer o que quero. Gosto muito da liberdade que a MTV me dá. O mais ideológico que as pessoas têm dos apresentadores de televisão é a fama e não sou famosa. E adoro o meu anonimato. A coisa mais chata desta profissão é o facto de poder vir a ser uma profissão mediática.

Estás no curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial, como é que é conciliar o mundo académico com o profissional?

P.V: Não sei. Tem sido muito difícil. O problema é que nunca fui muito organizada com o meu tempo, o que já era um problema para mim estando neste curso. Ia dando para fazer, mas estou ainda a aprender a gerir isso. Só comecei a trabalhar mais intensivamente no início deste ano letivo. Então, ainda está a ser muito difícil gerir tanta coisa. O que vai acontecer provavelmente é para o ano passar para pós-laboral para conciliar aulas e trabalho. O meu foco está a ser sobretudo a MTV e, por vezes, sobreponho a MTV à faculdade. É muito difícil, por exemplo, conciliar os horários das pessoas nos trabalhos de grupo.

Sentes que a licenciatura contribuiu para o teu desempenho enquanto apresentadora de televisão?

P.V: Ajudou-me sobretudo em termos de comunicação, óbvio. Deu-me estaleca para apresentações. Embora não tenha nada a ver com o curso, ficas à vontade a falar para uma audiência. E ajudou-me em termos de perceber a organização de uma empresa. E algumas coisas lá se calhar tenho uma maior noção, pois aprendi antes.

Pretendes continuar a investir no mundo da televisão?

P.V: Claro. O que eu gostava mesmo de continuar a fazer é televisão, sobretudo. Embora seja um meio que hoje em dia digam que está a morrer, gostava de continuar a fazer. Gostava de levar as pessoas de volta para a televisão.

Como te imaginas daqui a 5 anos?

P.V: Gosto de pensar que sobretudo quero estar feliz e com saúde. Claro que para ter essa felicidade algumas coisas vão ter de estar a correr bem. Mas não sei se vou querer e pensar da mesma forma em que penso agora, porque as pessoas estão sempre a crescer e querem coisas diferentes. Há cinco anos nunca pensava que queria ser aquilo que sou agora. Para aquilo que quero no futuro, daqui a cinco anos vou querer estar a trabalhar num canal, a fazer entretenimento ou aquilo que for. E isso é uma coisa que me ajudava a ser feliz, claro. Sou uma pessoa que gosta de sofrer por antecipação e pensar no futuro. Penso num futuro de um ano.  

Fonte da fotografia “thumbnail”:

Artigo revisto por Lurdes Pereira

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