Costa já não se demite

Primeiro Ministro arriscou com o ultimato aos deputados, mas saiu a vencer: Não só o seu governo sai reforçado, como a subida nas sondagens se vai notar. Geringonça sai fragilizada.  Direita “deu um tiro no pé” e o partido Aliança, de Pedro Santana Lopes, pode capitalizar parte do eleitorado do CDS e PSD.

O texto final que reconhecia a recuperação da contagem integral do tempo das carreiras congeladas dos professores foi chumbado por PS, PSD e CDS-PP. A favor votaram o PCP, BE e PEV. O PAN ficou-se pela abstenção. A votação surge após uma semana quente, politicamente falando, com o governo de António Costa a acenar com a demissão em caso de aprovação do documento sobre os professores. PSD e CDS, que inicialmente tinham votado a favor da medida na comissão especializada, voltaram atrás na sua decisão. Os partidos de direita acabaram por ver a imagem que passam para os contribuintes de “partidos responsáveis no âmbito financeiro” seriamente afetada nesta última semana.

Do lado do Governo, António Costa apressou-se a declarar a vitória. O primeiro-ministro indicou que em discussão estava a aprovação de um documento que colocaria em causa a “continuação da recuperação” de Portugal bem como a sua “imagem externa”. Costa indicou que “os portugueses ficaram perplexos com as votações do PSD e do CDS em comissão” e com “as explicações que foram dadas ao longo da semana”.

Fonte: DinheiroVivo, foto de Reinaldo Santos, Global Imagens

Com esta vitória na Assembleia, o governo sai reforçado e deixa imaculada a imagem que manteve nos últimos 4 anos de uma governação que deu sempre prioridade às contas públicas. A medida, impopular para a maioria dos portugueses – segundo a eurosondagem apenas 21% dos inquiridos, num universo de 1005 entrevistas válidas, apoiava a recuperação integral da carreira dos professores -, pode ajudar o executivo nas europeias, já que nas últimas semanas o PSD se tem aproximado do Partido Socialista nas intenções de voto.

Do lado da Geringonça, a votação mostra as dificuldades que se anteveem para uma coligação nas próximas legislativas, dado que as sondagens apontam para uma vitória do PS, mas longe da maioria absoluta.

À direita, CDS e PSD vão ter dificuldades em explicar os acontecimentos da última semana ao seu habitual eleitorado. O partido Aliança, na voz do seu líder, Pedro Santana Lopes, indicou antes da votação que a “direita tinha casado com a extrema esquerda” e que foi “irresponsável”.

Com a não aprovação do documento na Assembleia, os professores mantêm a progressão das suas carreiras em 2 anos, 4 meses e 18 dias, referente ao período entre 2011 e 2017. Garantida, para já, está a continuação da luta dos docentes, e, com o fim das aulas à vista, já foram anunciadas greves às avaliações finais.

Fonte fotografia “thumbnail”: Expresso, Foto de António Cotrim, LUSA


Revisto por Ana Roquete

Artigos recentes

Era uma vez

Versão em forma de tributo de uma Hollywood em transição da sua fase clássica para uma nova era mais escura. O “nono” de Tarantino não

Ler mais »

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *