Rivertied – Ligados ao rio

Convido-te a ler esta entrevista para ficares a conhecer o Tomás Santos, aluno do segundo ano do curso de Audiovisual e Multimédia da ESCS. O que é que o Tomás tem de especial para ter sido entrevistado? Nada mais nada menos do que uma banda algo particular!

O Tomás ingressou em Audiovisual e Multimédia, na ESCS, devido ao desejo que sempre teve de seguir Comunicação Social. Começou por estar mais virado para o Jornalismo, talvez por influências da mãe, que foi chefe de redação do Diário de Notícias durante muitos anos. Quando me falou disto, o Tomás recordou as inúmeras pizzas que encomendou na (e para a) redação deste jornal. Acabou por optar por Audiovisual e Multimédia devido ao fascínio que tem por editar vídeos e ao facto de se tratar de um curso mais abrangente, que engloba bastantes aspetos. A paixão pelo cinema também foi um fator decisivo na sua escolha – vai duas ou três vezes por semana ao cinema e afirma que, no ano passado, deve ter ido umas 150 vezes.

Tinha os seus doze/treze anos quando descobriu a paixão por ouvir música, começando a fazê-lo diariamente. O Tomás contou-me que há várias bandas a fazer comebacks, uma vez que houve uma grande ressurreição do género pop-punk. Em Portugal, este não é tão recorrente, sendo destronado pelo indie. Contou-me também que há apenas três ou quatro bandas de underground, género que “ainda não teve o boom”. Hoje, opta por ouvir géneros mais alternativos e pesados, como o punk e o rock. A sua banda preferida desde esta altura é Silverstein, ativos desde o ano 2000. Se quiseres conhecer melhor o seu gosto musical, ouve o MP3 que o Tomás fez para a ESCSFM, com o título “Pobre Punk e Emozice Aguda”:  https://www.mixcloud.com/escsfm/mp3-pobre-punk-e-emozice-aguda-tom%C3%A1s-santos/

Quando era mais novo, ao ver vídeos de bandas, pensava “quem me dera fazer isto! É o sonho!”. Só não se juntou a uma banda mais cedo pois não surgiu nenhuma oportunidade. Claro que, à primeira que teve, agarrou-a com unhas e dentes. Esta oportunidade surgiu com Rivertied. Um dos seus grandes amigos, o Pedro Ferro (vocalista da banda e guitarra ritmo), que conhece desde os dez anos, tinha um projeto com o Vasco Sustelo, que faz as vozes secundárias e toca a guitarra lead. Este projeto, criado em finais do verão de 2016, era uma banda chamada Sleepless Nights, que tocava em bares e eventos, num estilo mais acústico. O Tomás começou a ajudá-los ao escrever letras e acabou por entrar na banda a convite do Pedro, para o lugar de baixista, já que tocava baixo há cerca de quatro anos. Os três arranjaram um baterista, o Pedro Cunha e Silva, e mudaram o nome da banda, por considerarem Sleepless Nights um nome muito comum. Rivertied foi o nome escolhido: algo mais próprio. Os quatro nasceram na Margem Sul, três deles em Setúbal, e têm uma grande conexão com a sua terra e com o rio. Por isso mesmo, Rivertied – ligados ao rio.

Quando questionado sobre a forma como define o estilo de música da banda, o Tomás disse que rotularem-se é difícil, mas talvez o género pop punk os defina melhor. Para ele, Rivertied não soa tão genérico. Adotaram um género que se pode tornar muito cansativo, sendo que “muitas bandas são a mesma coisa do início ao fim”. Rivertied prima pela variedade e pela singularidade. Todos os elementos escrevem as letras das músicas, apesar de existir o consenso de que o Tomás é o que tem mais jeito para as compor. Para ele, um dos melhores aspetos da banda é o facto de cada um dos elementos trazer influências pessoais e diferentes. O som de Rivertied nunca é idêntico: nenhuma das músicas soa igual. O Pedro traz influências do pop, o Tomás brinda a banda com sons mais alternativos e “emo”, o Vasco prefere mais técnicas e rock progressivo. “Se tirasses um membro da banda, não ia soar ao mesmo. Não é Rivertied.”, declara firmemente o Tomás.

Os Rivertied não só têm músicas próprias, como fazem covers de músicas de outros artistas. A título de exemplo, podes ficar a conhecer o cover que fizeram da música “Sex”, da banda The 1975, mas “à la Rivertied”. Há roupa interior e tronco nu. Confirma pelos teus próprios olhos (e ouvidos): https://www.youtube.com/watch?v=PNkILG8m2fc

Têm estado a lançar músicas aos poucos, na tentativa de estabelecer uma base. Têm dois videoclipes já gravados, que estão em fase de edição e serão lançados como singles antes do EP, um álbum mais pequeno, que terá seis músicas da sua autoria. Querem ver o que isso lhes poderá trazer em termos de concertos. Assim, neste momento, estão numa fase de lançamento de singles. Podes encontrar os singles deles nas plataformas habituais, como o Spotify, o iTunes ou o Google Play. “Estamos em todo o lado”, afirma o Tomás. Ainda não lançaram o primeiro EP, mas planeiam fazê-lo entre fevereiro e março de 2019. Fica atento/a!

No total, já deram doze concertos enquanto Rivertied (os outros três foram enquanto Sleepless Nights), tendo o primeiro sido no Auditório Charlot, em Setúbal, a 25 de novembro de 2017. Esta atuação foi fotografada pelo Número F, o núcleo de fotografia da ESCS. O mais recente concerto que deram foi no passado dia 14 de dezembro, no Bar do Desassossego (que referi anteriormente), também em Setúbal. Assim, podemos perceber que trabalham muito com a Câmara de Setúbal.

Segundo o Tomás, quase todos os seus trabalhos da faculdade são baseados na banda. Assim, junta duas coisas que adora: Rivertied e a ESCS. Para um dos trabalhos teve de fazer uma “curta” (entrevista/documentário). Escolheu gravar um ensaio da banda em Setúbal, em que esta teve de atuar de acordo com o âmbito do trabalho e até foi à ESCS para fazer as entrevistas. Deste modo, tal como o Tomás, também os Rivertied estão ligados à ESCS: já lá gravaram um videoclipe, o que foi complicado, pois a bateria fazia muito barulho, chegando a incomodar. Contudo, não veremos estas filmagens, devido ao facto de terem gravado durante pouco tempo e terem demorado muito a montá-las.  

Pelos vistos, o Tomás é muito mau com prazos e faz tudo à última hora, o que dificulta o processo de conciliar a banda com a faculdade. A falta de tempo é o que mais o afeta. Andar na ESCS e viver em Setúbal não ajuda devido às deslocações diárias que tem de fazer. A sua rotina chega a ser a de sair da ESCS às 20h, chegar a Setúbal às 21h, ir imediatamente para o ensaio e, depois, ir finalmente para casa fazer trabalhos da faculdade até às 5h da manhã. Até já faltou às aulas para ir a soundchecks, ou mesmo para ficar a dormir, visto que toda esta rotina faz com que fique extremamente cansado.

Quanto a ingressar nos núcleos da ESCS, o Tomás afirma que falta tempo e sobra preguiça. Tem notas razoáveis e prefere fazer os trabalhos enquanto está na faculdade, não só porque não tem um computador portátil, mas também por todas as distrações que tem no ambiente caseiro. Quanto ao ambiente da ESCS, não podia estar mais satisfeito: “as pessoas dizem-te olá mesmo sem te conhecerem de lado nenhum”. Anda na praxe ESCSiana e considera que os jantares de praxe são das melhores coisas que retira desta escola.  

Para o entrevistado, a parte mais chata de ter uma banda é a altura de carregar o material para os concertos. Nesta fase, não têm dinheiro para pagar a alguém para o fazer por eles. Assim, eles mesmos carregam os amplificadores, o que lhes dá “dor de costas durante dois dias”. Relembra a vez em que foram gravar o videoclipe da música “Young and Stupid” (https://www.youtube.com/watch?v=tMzdChT9Skk) , no telhado de um posto antigo do exército. O acesso ao mesmo era a partir de escadas estreitas, que os elementos da banda percorreram várias vezes para baixo e para cima com todo o material e, ainda por cima, à chuva.

O Tomás diz que o principal desafio que os Rivertied enfrentam é a falta de dinheiro. O público pode não ter uma noção (eu, pelo menos, não tinha), mas ter uma banda custa bastante dinheiro.

No caso dos Rivertied, só o Pedro (vocalista) é que tem um ordenado fixo, visto que só ele é que tem um emprego. O Tomás apenas faz algumas coisas para uma revista esporadicamente. Fabricar t-shirts, tal como o seu design, custa dinheiro; os ensaios custam dinheiro; a manutenção dos instrumentos custa dinheiro; os patrocínios no Facebook custam dinheiro. Tudo isto sai do bolso destes quatro rapazes, mas, como sabemos, o dinheiro não estica. E, pelo menos para já, não obtêm grande retorno.

O momento mais memorável que viveu com a banda foi, segundo ele, o concerto que deram em abril deste ano em Lisboa, ou o que deram no Bar do Desassossego (https://www.youtube.com/watch?v=4CkacLmyoi4), que, para os Rivertied, é como se fosse uma segunda casa. Neste concerto tocaram uma setlist mais energética, com covers mais pesados, ambicionando estar mais de acordo com a atmosfera do local. Neste seu cantinho, tinham mais público do que o habitual. Estes espetadores, quase em cima dos artistas devido à pequena dimensão do bar, mostraram gostar verdadeiramente do material da banda e estiveram bastante ativos. Uma das caraterísticas deste concerto foram os “mike stands a voar”. Disse-me que, às vezes, fica perplexo a apreciar o público, acabando por se enganar a tocar por estar distraído (Tomás, de certeza que o público não se importa).

Para promover os concertos e a banda em si, fazem “vídeos estúpidos” (foi o Tomás que o disse, não eu!). Eis um exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=Ydk6_7xtOpU. Têm merchandise à venda, neste caso t-shirts. Vendem-nas durante os concertos, sendo que ainda não estão disponíveis online. Estão a preparar o lançamento de t-shirts com um novo design.

Dão-se todos muito bem uns com os outros. Claro, existem aquelas discussões ocasionais que qualquer banda tem. Por aquilo que o Tomás me contou, devem-se, maioritariamente, a diferenças criativas ou a atrasos para os ensaios. Ele até me disse que, nos ensaios, se estiverem irritados e tiverem acabado de discutir, tocam melhor.

Esta banda, que uma vez mandou a luz abaixo num concerto, até na França tem fãs, sendo que a sua fã mais dedicada é de lá. Têm ainda pessoas a ir de Lisboa a Setúbal de propósito para ver os seus concertos, o que os deixa bastante satisfeitos.

As fãs de Rivertied inventaram um ship name para o Tomás e o Pedro (vocalista) – Tedro. Isto deve-se à proximidade que os dois amigos têm. Tedro surgiu após a publicação de uma fotografia do primeiro videoclipe, em que os dois estão abraçados. Desde então, Tedro became a thing.

Já foram entrevistados várias vezes, uma delas pelo Rui Unas, para o Maluco Beleza, enquanto tocavam no Festival da Liberdade. Como é lógico, também já foram alvo de críticas, mas isto não os atinge: focam-se apenas nas pessoas que lhes dizem que a sua música os ajudou a ultrapassar um mau bocado. “Se uma diz isso, vale por 300 mil palavras más.”

No que toca a perspetivas para o futuro, querem continuar com o projeto da melhor forma possível. Não se dedicam à banda para ficar famosos, mas porque gostam mesmo daquilo que fazem. Querem que as pessoas recorram às suas músicas quer quando estão tristes, quer quando estão felizes. Querem que a sua música ajude as pessoas. Querem passar a energia que outras bandas lhes passaram, seguindo o seu exemplo, mas de uma forma única e própria. Querem criar um espaço seguro de modo a que, quando as pessoas tiverem dias maus, possam ir aos seus concertos e esquecer tudo, melhorando o seu estado de espírito.

Na ocasião de poder escolher entre seguir uma carreira em Audiovisual e Multimédia e seguir o ramo da música, o Tomás escolhia a música. No entanto, reconhece que enveredar por este ramo em Portugal é difícil e custoso. Acha que o melhor que tem a fazer é conseguir um emprego (graças à licenciatura que obterá) que lhe permita sustentar a música. “Música em primeiro lugar”, diz ele. Quanto ao futuro dos Rivertied, o Tomás afirma que “2019 vai ser o começo”. Estamos ansiosos para saber o que o novo ano trará a esta banda setubalense!

Os Rivertied estão presentes em várias plataformas. Acompanha-os:

Facebook – https://www.facebook.com/RivertiedBand/

Instagram – https://www.instagram.com/rivertiedband

Youtube – https://www.youtube.com/channel/UCqWDzQ5fZcBu9ee9uWeUdpg


Artigo corrigido por Vera Santos.

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