7ª Arte

Rosemary’s Baby (A Semente do Diabo)

A gravidez é muitas vezes descrita como um momento de enorme alegria e expetativa só igualada com o momento do nascimento. Mas agora imagine que essa gravidez é assombrada por vizinhos cuscos, metediços e suspeitas de bruxaria? Será que a alegria continuava a ser a mesma? Provavelmente não, e é exatamente essa situação que o filme de que falo este mês nos apresenta.

Lançado em 1968, este filme de Roman Polanski é baseado no best-seller de 1967 do autor Ira Levin e relata-nos a história de um jovem casal que se muda para um apartamento com um histórico de proprietários bastante particular (vários dos anteriores donos da casa haviam morrido em circunstâncias estranhas ou eram associados a bruxaria).

Neste filme, Mia Farrow assume o papel de Rosemary Woodhouse, a jovem esposa de  um ator falhado que continua à procura da sua grande chance, Guy Woodhouse (interpretado por John Cassavetes). A partir do momento em que se muda, o jovem casal encontra-se rodeado não só por vizinhos peculiares como por estranhos acontecimentos.

Mas é quando Rosemary engravida que a trama assume outras proporções, desde controlarem a sua alimentação até decidirem a que médico a jovem vai, o estranho casal de idosos (protagonizado por Ruth Gordon no papel de Minnie Castevet e Sidney Blackmer na pele de Roman Castevet) que a início parecia ser apenas excêntrico, começa a assumir um papel controlador e a causar uma enorme paranoia na futura mãe, que começa a temer pelo bem-estar do seu filho.

A partir desse momento, Rosemary acredita estar não só a ser envenenada pelos vizinhos como desenvolve a ideia de que um culto satânico pretende ficar com o seu filho para o usar em rituais. Ao mesmo tempo, enquanto a jovem está em estado paranoico, o marido, Guy, continua a confraternizar com o casal de idosos, acabando por se tornar extremamente próximo deles, ao mesmo tempo que vê a sua carreira florir e vai tendo oportunidades e papéis destinados a outros atores que, de forma misteriosa e repentina, ficam indisponíveis.

Fortemente aclamado pelos críticos, Rosemary’s Baby foi nomeado para vários prémios, tendo até ganhado um Óscar na categoria de melhor atriz secundária (ganho por Ruth Gordon pelo papel de Minnie Castevet).

Já em 2014 esta obra de Roman Polanski foi selecionada para preservação no National Film Registry pela biblioteca do congresso dos Estados Unidos da América.

Este é, na minha opinião, um filme que merece ser visto, acima de tudo porque nos transporta até uma era em que era possível criar filmes que incutissem medo no espectador (e que o fizessem intrigar-se ao longo de um filme inteiro sobre o que se estará a passar) sem ter de se recorrer a inúmeros efeitos especiais ou àquilo a que designo por “terror banhada”, em que morre o elenco todo, mas o argumento é fraquíssimo.

Já neste filme assistimos exatamente ao contrário, o argumento sobrepõe-se aos efeitos, banda sonora ou até cenários, sendo as interpretações dos atores e a forma como se desenrola a história a melhor razão para nos agarrarmos ao ecrã.

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