Literatura

Rupi, Milk and Honey: Uma combinação sublime

Poderíamos estar a falar de uma qualquer cura para a constipação, mas Milk and Honey trata de muito mais que isso. Visto habitualmente como uma coletânea de poemas sobre sobreviver à violência, ao abuso sexual e experienciar o amor, a perda e a feminilidade, Milk and Honey é o exorcizar dos demónios, a transposição dos sonhos e um grito de revolta da autora Rupi Kaur.

Com versos crus que se entranham na nossa mente e ilustrações que os acompanham, criando uma harmonia quase inacreditável, este livro apresenta somente duas abelhas na capa. A simbologia subjacente a estes insetos aparentemente simples é tudo menos isso: imortalidade, ordem, diligência,  lealdade, cooperação, nobreza, alma, amor e dor são as palavras associadas a estes pequenos seres. Talvez a escolha gráfica não tenha sido inocente, na medida em que Rupi Kaur, poetisa, feminista, escritora e artista em variadas vertentes, desde a escrita até à pintura, acredita no poder e na beleza do género feminino.

Da associação das características das abelhas às das mulheres, Rupi conseguiu criar a sua primeira antologia, Milk and Honey, através de quatro capítulos, intitulados de “The hurting”, “The loving”, “The breaking” e “The healing”.

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A mãe de Rupi deu-lhe um pincel aos cinco anos e pediu-lhe: “draw your heart”. Curiosamente, a escritora associa as ideias de fertilidade e abundância do mel às da paz e prosperidade do leite. Rupi despiu a sua mente de pudor e a sua escrita de preconceitos, defendeu a luta pela igualdade de género e teve a coragem de descrever momentos muito íntimos da sua vida. A escritora é habitualmente acusada de ser demasiado simplista e de não se ter esforçado o suficiente para oferecer uma boa leitura a quem procurasse a sua poesia.

A explicação é fácil: não se pode ver através dos nossos olhos as situações que alguém viu com os seus, podemos somente experienciá-las através dos seus relatos. E, nisso, Rupi possui uma mestria inquestionável, dando-nos a conhecer as suas vivências e opiniões, até mesmo as mais tristes, com um sabor renovado e doce – tal como o proveniente da combinação do leite e do mel.

AUTORIA

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Se virem uma rapariga com o cabelo despenteado, fones nos ouvidos e um livro nas mãos, essa pessoa é a Maria. Normalmente, podem encontrá-la na redação, entusiasmada com as suas mais recentes descobertas “AVIDeanas”, a requisitar gravadores, tripés, câmaras, microfones e o diabo a sete no armazém ou a escrever um post para o seu blogue, o “Estranha Forma de Ser Jornalista”… Ah, e vai às aulas (tem de ser)! Descobriu que o jornalismo é sua minha paixão quando, aos quatro anos, acompanhou a transmissão do 11 de setembro e pensou: “Quero falar sobre as coisas que acontecem!”. A sua visão pueril transformou-se no desejo de se tornar jornalista de investigação. Outras coisas que devem saber sobre ela: fica stressada se se esquecer da agenda em casa, enlouquece quando vai a concertos e escreve sempre demasiado, excedendo o limite de caracteres ou páginas pedidos nos trabalhos das unidades curriculares. Na gala do 5º aniversário da ESCS MAGAZINE, revista que já considera ser a sua pequena bebé, ganhou o prémio “A Que Vai a Todas” e, se calhar, isso justifica-se, porque a noite nunca deixa de ser uma criança e há sempre tempo para fazer uma reportagem aqui e uma entrevista acolá…!