Artes Visuais e Performativas

Será a Internet o futuro da Broadway?

Faz este mês de março um ano desde que as cortinas da majestosa Broadway fecharam por tempo indeterminado. Nem este epicentro da indústria do teatro, que permaneceu aberto durante guerras mundiais e recessões económicas, resistiu às restrições provocadas pela pandemia que vivemos nos dias de hoje. Onde outrora guiões ganhavam vida através de atores, músicos, cantores, técnicos, produtores que trabalhavam árduas horas para preparar um espetáculo que apresentavam quase todos os dias da semana, durante longos meses, residem as velhas luzes florescentes dos teatros agora apagadas em sinal de luto, mas também de esperança num futuro mais radioso. 

O confinamento das brilhantes e talentosas equipas cuja segunda casa era a Broadway não as impediu de continuar a explorar a sua criatividade e de fazer arte: fazem-no apenas de diferentes modos. E a rede social Tik Tok foi surpreendentemente um elemento essencial. Tornou-se bastante popular numa altura em que grande parte da população mundial estava confinada dentro das suas casas e as viagens estavam restringidas ao absolutamente necessário, pelo que a plataforma funcionou como uma forma de manter contacto com o resto do mundo e de partilhar e ver conteúdo. 

Uma coreografia com a duração de 15 segundos criada por alguém que quer apenas expor a sua arte pode tornar-se viral e ter milhares de pessoas a reproduzi-la, incluindo pessoas com mais influência, o que vai trazer visibilidade ao seu criador. O mesmo pode acontecer com uma obra de arte que é apreciada pelo público, um vídeo a cantar, um mini-tutorial de maquilhagem – as opções são infindáveis. Basta um vídeo viral para dar reconhecimento a uma pessoa. Há também uma grande diversidade nos conteúdos partilhados, o que a torna numa aplicação bastante apelativa para todos os grupos etários de diferentes nacionalidades.

Sendo uma plataforma internacional, permitiu juntar artistas de todas as áreas e de todo o mundo e isso deu origem à criação de um musical inspirado no filme Ratatouille. Este fenómeno que começou como mero entretenimento transformou-se num movimento cultural com milhares de utilizadores da aplicação a contribuírem. Assim, no início de 2021, Ratatouille: The TikTok Musical era uma realidade: um espetáculo totalmente online em que o valor dos bilhetes revertia para a organização The Actors Fund. Hoje já contam com mais de 2 milhões de dólares de donativos. 

Outro projeto musical que surgiu inteiramente a partir da aplicação Tik Tok foi Bridgerton: The Musical, inspirado na série com o mesmo nome, original da Netflix. As duas autoras, a cantora Abigal Barlow e a pianista-compositora Emily Bear, já eram figuras populares na rede social, devido a partilhas anteriores de canções originais, mas a criação do musical foi o que as trouxe aos olhos dos media e até da própria Netflix, que comentou a publicação original, revelando o seu interesse no musical. As publicações passam por pequenos excertos de músicas que deixaram o público cativado e poderão vir a integrar uma futura produção musical na Broadway.

Fonte: https://images.app.goo.gl/anWCEXfS1Tq7vgQY9

Escrito por Natacha Cantarinhas

Revisto por Lurdes Pereira

Natacha Cantarinhas

A Natacha está constantemente com a cabeça na lua; no entanto, nos raros momentos em que isso não acontece, estuda Jornalismo na ESCS e faz Teatro Musical. Ainda está a aprender a tomar boas decisões - tarefa que nem sempre é fácil. Contudo, sente que enveredar pelo caminho jornalístico terá sido das melhores decisões que já tomou. E é na conciliação destas duas grandes paixões que vê o segredo para a sua felicidade.

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