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Portugal está de luto: os grandes nomes de que nos despedimos em dois meses

Ainda agora o ano começou e Portugal já perdeu grandes nomes em diversas áreas. São personalidades que engrandeceram o seu nome por serem mestres nas suas artes. Depois de em 2020 desaparecerem personalidades tão queridas do público – como Pedro Lima e Sara Carreira –, 2021 não chega com as melhores notícias.

Carlos do Carmo (1939-2021)

Foi logo no primeiro dia do ano, um dia que costuma ser de esperança por causa da chegada de um novo ano, que Portugal acordou com a notícia da morte de uma das maiores figuras do fado: Carlos do Carmo. O fadista nasceu no dia 21 de dezembro de 1939, em Lisboa. Era filho do livreiro e proprietário da casa de fados “O Faia”, Alfredo de Almeida, e da fadista Cecília Carmo. Passou a sua infância no bairro da Bica, em Lisboa, e foi na casa de fados “O Faia” que começou a dar os primeiros passos no mundo da música até começar a sua carreira em 1964, quando gravou uma versão de “Loucura”, fado de Júlio de Sousa que foi também cantado por Amália Rodrigues.

Desde aí, Carlos do Carmo foi somando à sua carreira vários sucessos tendo na voz, por diversas vezes, o nome de Lisboa. “Lisboa menina e moça”, “Os Putos”,Canoas do Tejo” e “Um Homem na Cidade” foram alguns dos grandes sucessos que marcaram a vida e a carreira do fadista.

A sua carreira cresceu e, consequentemente, chegaram os prémios, as distinções e as homenagens. Entre condecorações da cidade de Lisboa e da Presidência da República Portuguesa, passando por distinções atribuídas pela Câmara de Paris, Carlos do Carmo ganhou ainda, em 2008, o prémio Goya, que recebeu em Espanha, e um Grammy,em 2014. A Rádio Comercial, em consequência do Grammy e da longa carreira do fadista, decidiu fazer uma homenagem a Carlos do Carmo, fazendo com que 35 artistas portugueses cantassem os 35 versos do fado “Lisboa menina e moça”.

O fadista anunciou no início de 2019 que se iria despedir dos palcos naquele mesmo ano, realizando três concertos: o primeiro a 12 de outubro, no Theatro Circo, em Braga; o segundo a 2 de novembro, no Coliseu do Porto; e o terceiro e último realizou-se na cidade que o viu nascer e que foi a protagonista de vários fados interpretados por Carlos do Carmo – Lisboa. Este último concerto realizou-se no dia 9 de novembro, no Coliseu dos Recreios.

No final de 2020, o fadista deu entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, por causa de um aneurisma. Foi operado, mas não resistiu, tendo vindo a falecer no dia 1 de janeiro de 2021. Postumamente, o fado “Lisboa, menina e moça” passou a ser a canção oficial da cidade de Lisboa.

Adelaide João (1921-2021)

Maria da Glória Pereira da Silva, mais conhecida pelo público como Adelaide João, nasceu a 27 de julho de 1921, em Lisboa. A atriz começou no mundo do espetáculo no grupo de teatro Philips, como atriz amadora. A sua profissionalização nesta arte chegou nos anos 50 ao fazer parte do elenco da peça “Fim de Semana em Madrid”, a convite do encenador Artur Ramos. Adelaide João ficou conhecida do grande público com a sua participação em várias séries e telenovelas – “Anjo Selvagem” (TVI), “Os Batanetes” (TVI) e “Conta-me como foi” (RTP), entre muitas outras – que consolidaram a sua carreira de mais de 60 anos. Em 2007, a atriz recebeu o prémio Sophia de Carreira. Adelaide João tinha 99 anos e residia na Casa do Artista, em Carnide, no concelho de Lisboa, onde veio a falecer, vítima da COVID-19, no dia 3 de fevereiro de 2021 – ano em que faria 100 anos.

Carmen Dolores (1926-2021)

Carmen Dolores engrandeceu o seu nome através da sua carreira na rádio, no teatro, no cinema e na televisão ao longo de mais de 60 anos. A atriz deu-se a conhecer ao público bem cedo. Com 12 anos, participava em peças de teatro radiofónico ao lado de nomes como Rogério Paulo, Laura Alves e António Silva. Carmen chegou ao cinema em 1943, com apenas 19 anos, ao protagonizar o filme “Amor de Perdição”, uma adaptação de António Lopes Ribeiro da famosa obra de Camilo Castelo Branco.

Em 1945, chegou àquele que foi, sem dúvida alguma, o seu grande espaço: o teatro. Estreou-se nesse ano no Teatro da Trindade com a peça “Electra, a Mensageira dos Deuses”, de Jean Giraudoux, encenada por Francisco Ribeiro, mais conhecido por Ribeirinho. Em 1951, subiu ao palco do Teatro Nacional D. Maria II sob a direção da grande atriz Amélia Rey Colaço. Carmen, neste teatro, esteve envolvida em vários sucessos, entre os quais a peça “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett.

Uma carreira cheia de conquistas e de sucessos que chegou ao fim em 2005, com a última peça que Carmen interpretou: “Copenhaga”, de Michael Frayn, encenada por João Lourenço e exibida no Teatro Aberto, em Lisboa. O seu talento valeu-lhe vários prémios e condecorações – tanto por parte dos Presidentes da República, como da Câmara Municipal de Lisboa e de outras entidades. Foi também uma das fundadoras da conhecida Casa do Artista, em Lisboa. Carmen Dolores morreu, em Lisboa, no dia 16 de fevereiro de 2021, aos 96 anos de idade.

Alfredo Quintana (1988-2021)

Alfredo Quintana nasceu no dia 20 de março de 1988, em Cuba. Começou a sua carreira desportiva ainda no país que o viu nascer. Tal como contou no ano passado ao Jornal de Notícias (JN), sentiu que deveria praticar algum desporto, caso contrário teria de passar as tardes a estudar – ideia que não lhe agradou muito. Então, decidiu enveredar pelo basquetebol, tal como o seu irmão gémeo. Mais tarde jogou basebol, mas foi no andebol que encontrou a sua paixão e no qual fez carreira. O início no andebol, tal como contou ao JN, deu-se da seguinte forma: “Jogava a lateral. Mas um dia tivemos de ir a uma competição e não tínhamos guarda-redes. Eu já era alto e disse ao treinador que podia ir para a baliza. Nunca mais saí. Tinha oito ou nove anos“. Nunca mais saiu e fez-se evidenciar nos jogos pan-americanos de 2010. Nesse mesmo ano chegou a Portugal pela mão do Futebol Clube do Porto (FCP), onde era guarda-redes da equipa de andebol. Em 2014, naturalizou-se português e foi escolhido para defender as redes da equipa da seleção nacional portuguesa de andebol. Nesse mesmo ano ganhou o prémio “Dragão de Ouro de Atleta de Alta Competição”. No dia 22 de fevereiro de 2021, Alfredo Quintana preparava-se para um treino quando sofreu uma paragem cardiorrespiratória. Foi ainda assistido no local por uma equipa do INEM e foi transportado para o Hospital de São João, no Porto, onde se manteve hospitalizado. Contudo, não resistiu e acabou por falecer quatro dias depois, no dia 26 de fevereiro, aos 32 anos de idade.

O mundo da representação ficou ainda mais pobre com a perda de três outros grandes nomes: António Cordeiro, Licínio França e Cecília Guimarães.

António Cordeiro (1959-2021)

António Cordeiro tinha 61 anos. O ator fez cinema, teatro e televisão. Foi em papéis que fez na televisão que ficou conhecido do público – através da sua participação em “Duarte e Companhia”, na RTP, no ano de 1987; “Laços de Sangue”, na SIC, em 2010; e ainda em “Espelho de Água”, também na SIC, sendo um dos últimos trabalhos do ator. Um dos papéis que fica na memória do público é o da série policial “Claxon”, da RTP, que foi exibida em 1991 e onde deu vida ao inspetor com o mesmo nome da série. António Cordeiro morreu no dia 30 de janeiro de 2021, vítima da doença degenerativa que tinha desde 2017.

Licínio França (1953-2021)

No mesmo dia chega a notícia da morte de Licínio França: tinha 67 anos. Foi cantor e ator. Iniciou a sua carreira em 1972 quando surge como autor, compositor e intérprete no concurso “A Oportunidade”. A partir daí, esteve sempre ligado ao mundo da música, participando em diversos concursos, como, por exemplo, o Festival da Canção – quer fosse como intérprete, quer fosse como compositor. Para além do mundo da música, a televisão está bem presente no seu curriculum. Chegou a participar em várias novelas e, em 1988, fez parte do elenco fixo de “Eu Show Nico”, emitido na RTP. Licínio foi casado durante 22 anos com a atriz Noémia Costa, com quem teve uma filha. Há dez anos, foi-lhe diagnosticada alzheimer

Cecília Guimarães (1927-2021)

Fonte: Facebook de Cecília Guimarães, retirada do site da SIC Notícias

Cecília Guimarães tinha 93 anos. Foi uma das atrizes pioneiras na televisão ao interpretar peças de teatro que eram emitidas na RTP. Fez o curso do Conservatório Nacional e estreou-se em 1951 com “A qualquer hora o diabo vem”, de Pedro Bom, no Grupo de Teatro Experimental – Teatro da Rua da Fé. A profissionalização chegou só dois anos mais tarde, na Companhia Alves da Cunha. No final dos anos 50, a convite de António Lopes Ribeiro, participou no filme “O primo Basílio”, que lhe valeu o prémio de melhor atriz, distinção do Secretariado Nacional de Informação. Em televisão, participou em vários projetos, sendo que um dos mais recentes foi o “Hotel Cinco Estrelas”, emitido pela RTP em 2013. Foi construindo o seu sucesso ao longo de uma carreira de 70 anos. Cecília Guimarães morreu no dia 2 de fevereiro de 2021, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, vítima de complicações da COVID-19.

Estes são alguns dos grandes nomes do teatro, da música, da televisão, do desporto e do cinema que Portugal viu desaparecer em apenas dois meses. Fizeram carreiras repletas de sucesso. Para trás deixam-nos o seu legado, as novelas que vemos, as músicas que ouvimos e os ensinamentos.

Artigo revisto por Andreia Custódio

Fonte da foto de capa: Montagem feita por Diogo Ferraz. Imagens retiradas de: SAPO MAG; Expresso; Nova Gente; site “A Bola”; NIT; Observador; site da SIC Notícias.

Diogo Ferraz

Diogo Ferraz tem 22 anos. Em pequeno sonhava ser motorista da Carris, mas decidiu mudar o trajeto quando descobriu a paixão pela comunicação, em especial pela televisão. É no pequeno ecrã que quer fazer carreira e tem a certeza que há de ter o seu lugar. Nasceu em Lisboa, mas ama o Alentejo, sente que aquela é a sua segunda terra, porque tem quatro elementos, que para ele são a base da sua felicidade: Praia, Calor, Campismo e Memórias de Infância.

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