Stonehearst Asylum, onde nada é o que aparenta ser

Baseado na obra de Edgar Allan Poe, Stonehearst Asylum foi adaptado para filme, em 2013, por Joe Gangemi e sob a direção de Brad Anderson. O thriller conta-nos a história de Edward Newgate, interpretado por Jim Sturgess, um médico recém-formado que pretende fazer o estágio no hospício de Stonehearst.

A história remonta para o ano de 1899 e inicia-se com a chegada de Edward ao asilo.  Rapidamente este desenvolve um estranho interesse por uma das pacientes, Eliza Graves, interpretada por Kate Beckinsale, e descura o que parece acontecer à sua volta.

Kate Beckinsale and Jim Sturgess in Eliza Graves (2014)

Fonte: IMDB

A partir desse momento, Newgate começa a descobrir os segredos escondidos pelas paredes de Stonehearst – nada é o que parece e o asilo pode ser mais perigoso do que aquilo que aparenta ser no início.

O clima que se gera em toda a trama foi extremamente bem conseguido e o facto de Ben Kingsley fazer parte do elenco, ao interpretar o médico que lidera o hospício, faz-nos associar este filme ao Shutter Island. No entanto, o enredo de Stonehearst Asylum desilude um pouco e faz com que este filme mal chegue aos calcanhares do que tem Leonardo Dicaprio como protagonista.

Ben Kingsley and Jim Sturgess in Eliza Graves (2014)

Fonte: IMDB

David Thewlis é a quarta figura principal no filme e é, tal como os outros, a prova de que um bom elenco consegue salvar um fraco enredo. Todas as personagens conseguem ter, na perfeição, o equilíbrio necessário entre sanidade e loucura, o que não seria possível sem um elenco de luxo.

O enredo torna-se, por vezes, demasiado confuso e incoerente. E ainda que isto possa ter sido uma escolha de associar o enredo ao estado mental dos pacientes, a verdade é que existem diversas escolhas que não foram bem pensadas.

Tal como no filme Shutter Island, o público é presenteado com dois plot twists, mas o roteiro de Gangemi fica bastante aquém. O primeiro está até na sinopse: erro! Para além disto, não foi suficientemente bem construído e é quebrado demasiado cedo – ao ter sido lançada a ideia inicial de que haveria um plot twist, o mistério poderia ter sido mantido durante mais tempo. Isto seguramente iria criar na cabeça do espectador uma necessidade de ter especial atenção em relação a todos os pormenores. O filme falha redondamente nesta parte.

Michael Caine in Eliza Graves (2014)

Fonte: IMDB

O segundo surge no final e só serve para confundir a cabeça de quem vê o filme. No entanto, a ideia foi boa e inesperada, a desilusão é mesmo o facto de o filme nos apresentar um final apressado e pouco trabalhado.

A sensação final é mesmo a de que apostaram em cenas demasiado longas mas descuraram as partes mais importantes, como o final. Stonehearst Asylum é um filme bom. Não é brilhante, existem bastantes falhas visíveis que poderiam ter sido melhor trabalhadas, no entanto, é um filme fácil de ver e interessante – representa bem o que os hospícios eram naquela época e reflete os problemas pelos quais os pacientes e os médicos nestes locais passavam.

Fonte “thumbnail”: facebook.com/StonehearstAsylum/

Artigo revisto por Ana Rita Curtinha

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