The Newsroom: uma visão sobre o jornalismo

Aaron Sorkin descreve The Newsroom como uma carta de amor para os jornalistas. Para ele, é a história de fé de um jornalista que acredita que pode mudar o mundo, acabando com a necessidade de que os canais de televisão atualmente têm de criar conteúdos de entretenimento, sem perceberem que isso tem uma influência direta na qualidade da informação.

Fonte: HBO uk (https://hbo.co.uk/the-newsroom)

Esta é uma série de televisão norte-americana que foi exibida pela HBO. Teve um total de três temporadas e é protagonizada por Jeff Daniels, Emily Mortimer, John Gallagher Jr., Alison Pill, Thomas Sadoski, Dev Patel, Olivia Munn e Sam Waterston.

O que diferencia esta série de outras é a comparação estabelecida entre o jornalista idealista e o jornalista cínico. O primeiro fica a cabo da produtora executiva, Mackenzie McHale (Emily Mortimer) – uma personagem apaixonada pela ideia de jornalismo como uma missão, que vê no Dom Quixote a sua verdadeira essência enquanto pessoa, já que passa todo o tempo a citá-lo. A segunda figura recai sobre os ombros do veterano apresentador Will McAvoy (Jeff Daniels), que depois de anos acomodado graças à sua habilidade para evitar polémicas, acaba obrigado a tomar sérias decisões sob a influência de Mackenzie. Desta forma, os personagens acabam por agitar o clima vivido dentro da redação, criando momentos de animação.

Fonte. IMDB

A série mostra os bastidores do telejornal News Night, exibido diariamente pela emissora Atlantis Cable News (ACN). Ao longo dos episódios podemos perceber todas as complicações envoltas na criação de um telejornal, desde a escolha das notícias à criação das reportagens.

Cada episódio gira em torno de um evento real que tenha acontecido recentemente, como a explosão da plataforma Deepwater Horizon ou a morte de Osama Bin Laden. Os acontecimentos servem de pano de fundo para os dramas interpessoais, bem como para criar familiaridade, já que o público deve conhecer o contexto do que se passa, evitando assim explicações mais aprofundadas sobre os eventos em si.

Sorkin decidiu criar a série em volta de acontecimentos reais. Primeiro, porque assim o público saberia sempre mais do que os personagens, mas também porque os personagens poderiam ser mais “inteligentes” do que nós fomos à época. No entanto, ele também declarou que esta “é uma versão romântica e idealizada de uma redação – não é para ser um documentário”.

Fonte: IMDB

Na minha opinião o ponto central da história é o roteiro criado por Aaron Sorkin, que mistura fatos reais e ficção de uma maneira brilhante. O episódio sobre a morte de Osama Bin Laden é fantástico, assisti-lo é como voltar ao passado e reviver todos os momentos.

É ainda importante realçar o brilhante trabalho de Jeff Daniels com o temperamental e rabugento Will MacAvoy, merecendo todas as indicações que recebeu pelo seu trabalho.

Mas nem tudo pode ser um mar de rosas e The Newsroom também recebeu imensas críticas negativas. O apresentador da Fox News, Greg Gutfield, classificou a série como uma “fantasia liberal” pela sua visão sobre o movimento Ocupy Wall Street.

Outras acusações passam pelas opiniões políticas, que supostamente seriam as mesmas do autor, algo que aparece logo nos primeiros minutos da série. Nessa ocasião, o personagem Will McAvoy faz um discurso dizendo que os Estados Unidos “já não são o melhor país do mundo”.

Fonte: IMDB

Apesar das implicações envolvidas, o criador da série assegurou que não pretendeu refletir uma opinião sobre o ideal de jornalismo ou como é que as notícias devem ser feitas, nem dar lições em ninguém: “Pode ser que eu esteja louco, mas não tentaria mudar o mundo com uma série de televisão. Sou um profissional do entretenimento, um escritor de ficção, e o programa é para divertir. Não sou um ativista”.

Esta é uma série que deve estar no caminho de qualquer estudante de jornalismo. Não devido ao facto de se tratar de um telejornal, mas porque são abordados temas centrais na profissão, como a alteração de testemunhos de fontes ou a eterna questão sobre o que se deve ou não noticiar. Mas desengane-se quem pensa que esta série é restrita a um público específico. Toda a gente a deve ver, mais que não seja pela sua vertente cómica e romântica.

Fonte “thumbnail”

Revisto por Maria Constança Castanheira

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