Capital

Um dia no LX Factory

Em Alcântara, quase na beira do Rio, encontramos a LXFACTORY, um dos maiores pontos turísticos de Lisboa. Este espaço alternativo era, originalmente, uma área industrial. Construída em 1846 pela Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, foi ocupada mais tarde, também, pela Companhia Industrial de Portugal e Colónias, pela tipografia Anuário Comercial de Portugal e pela Gráfica Mirandela, o que justifica o seu nome. Todavia, quando a zona industrial lisboeta se deslocou para a região mais ao norte da cidade, este local foi abandonado, permanecendo escondido por anos até que, em 2005, a Mainsite – uma empresa francesa do ramo imobiliário – resolveu comprar o terreno e revitalizar o lugar, ressignificando o seu propósito. Assim, nasceu esta ilha artística onde perto de 200 empresas, quase 1000 profissionais e até indústrias – dos mais diversos ramos de criação, desde a arquitetura até à comunicação social, passando por música e artes visuais – se encontram, gerando uma dinâmica que tem atraído inúmeros visitantes.

Alguma parte do maquinário, anteriormente utilizado, foi deixado ali, assim como o estilo industrial que, em conjunto com a veia artística, transformou a área num espaço especialmente “hipster”, contrastando com o classicismo lisboeta de uma maneira atraente. A LXFACTORY tornou-se num centro para aqueles que estão à procura do novo (ou até mesmo do vintage) e é um ambiente que exige a sua participação sensorial como visitante. Dessa forma, nenhuma foto jamais será suficiente para descrever a LX, assim como nenhum relato de um amigo se pode comparar com uma experiência pessoal de lá estar. Cada vez que se visita a LXFACTORY pode se ter a certeza de que se vai encontrar alguma coisa inédita, seja algo que nunca se tenha visto antes, nas decorações excêntricas que tomam cada um dos cantos mais escondidos, seja nas lojas e restaurantes que estão em constante reinvenção.

Assim, aqui fica um convite àqueles que só ouviram falar deste espaço “trendy” e para aqueles que ainda precisam de o explorar mais, com alguns dos lugares que não podem deixar de visitar e dicas que enriquecerão o dia da visita à LXFACTORY, um lugar destinado a todos, não só a turistas.

Rua principal do LX Factory

A proposta dos investidores franceses, desde o início, tem sido a de criar um espaço de vanguarda, onde os artistas teriam a liberdade de se expressar, de inovar e de se encontrar. Por isso, é impossível falar da LXFACTORY sem pontuar como as várias obras ali dispostas transformaram o ambiente, uma vez fabril, num protótipo de galeria. Podemos também, no interior do prédio principal do complexo, encontrar exposições de artistas, na rua e até mesmo nos corredores que vemos a arte urbana no seu habitat.

E, falando em corredores, o prédio principal também é uma parte do passeio que não se pode perder. Muitas pessoas pensam que no seu interior não há nada de interessante, ainda mais agora que o famoso restaurante e bar “Rio Maravilha” (onde podíamos visitar a “namorada do Cristo Rei”) fechou para reformas. Porém, essas pessoas estão profundamente enganadas. O prédio onde temos diversos escritórios empresariais possui lojas, exposições – como já citado – e caminhar no seu interior é uma diversão à parte. Tudo é decorado e os mínimos detalhes foram pensados.

Cada um dos quatro andares possui um estilo diferente, trazendo o ar do exterior às quatro paredes. O prédio tem diferentes entradas, além da principal – onde há um elevador à disposição. Similarmente, pode se optar pelas escadas de emergência que foram todas pintadas de bordô ou até transitar entre andares pelas escadas externas. Elas estão abertas para a utilização dos corajosos, aqueles que não têm medo das alturas, ou para os ambiciosos que fazem de tudo por uma bela foto com a Ponte 25 de abril.

Vista da Ponte 25 de Abril do quarto andar do prédio principal

Outro local perfeito para fotografias é a Livraria “Ler Devagar”. A sua estrutura era antes utilizada pelas gráficas que ali operavam e, com a reconstrução do local no início deste século, os donos decidiram manter o maquinário e adaptar o ambiente da loja à sua existência. Assim, para além dos milhares de livros que podes, e deves, explorar, também tens a oportunidade de bisbilhotar onde eram imprimidos todo o tipo de texto para o papel antigamente.

Livraria “Ler Devagar”

Além destes elementos já apelativos, a livraria dispõe de um café, de uma exposição de objetos cinemáticos (alguns espalhados pelo interior da loja) no Espaço Manchas e, no segundo andar, existe uma espécie de galeria onde artistas e fotógrafos expõem os seus trabalhos ao público. Também vais reparar que a música lá é extremamente agradável, o que nos leva para a Jazz Messengers Store. Nela vendem-se discos e vinis dos mais variados artistas e de todos os estilos musicais, formando uma ponte entre a Literatura e a produção musical.

Jazz Messenger Store

Um dos maiores pontos positivos da LX é a possibilidade de visitarmos muitas lojas num só lugar que fogem ao fast-fashion. São vários os pequenos empreendedores que estão nesta espécie de centro comercial evoluído. Contudo, também encontras lojas como a Bairro Arte, onde encontras todas as inutilidades que pensavas não precisar até encontrar lá! De mesas em formato de mota até chaveiros, ainda que não compres nada, é o tipo de local que vale a pena visitar só pelo entretenimento de ver o inusitado.

Interior da loja ‘Bairro Arte’. Fonte: lxfactory.com

E, para completar um bom passeio, comida não pode faltar! Os primeiros restaurantes, logo na entrada da LX, são comumente conhecidos pelos seus preços mais caros e comida mais requintada. Com uma estética ainda alternativa em coesão com o resto do local, são uma ótima opção para momentos especiais de comemoração ou com a família. E, para quem quer passar o dia com menos custos, é só continuar a andar pela rua principal e vais encontrar desde Hambúrgueres até comida japonesa.

Contudo, é o restaurante Boqueirão que se destaca com uma proposta diferente e divertida. Ele fica na área externa do complexo e a sua cozinha é, na verdade, um container renovado. Há, claramente, aquele sentimento de se estar numa casa de família, reforçado pela decoração descontraída e pela culinária tipicamente brasileira. Além do tradicional churrasco, com arroz e feijão, encontras também doces e até algumas comidas ao estilo de tapas.

Todos os fins de semana e feriados também há apresentações de música brasileira, principalmente de samba e de pagode, na esplanada. Então, se queres aproveitar um fim de tarde tranquilo com um show ao vivo e sem uma grande aglomeração, aproveita este espaço que tem um ótimo clima de descontração e relaxamento.

Para a sobremesa, é impossível pensar noutro local senão a Landeau, a dona do melhor bolo de chocolate da Europa. O bolo vencedor de prémios é um dos únicos itens de compra da loja, mas não vais querer deixar este ambiente assim que terminares de te deliciar com uma fatia. A decoração interior, focada em tons mais frios, mas pendendo muito para a madeira também, é digna de um quadro de Monet. O teto de vidro  traz uma camada ainda mais romântica aos de chuva ali passados e uma luz incrível aos dias de sol.

Este momento pandémico traz muitas limitações e uma série de pontos negativos, mas, olhando de maneira otimista, tens em mãos uma oportunidade incrível de ir visitar a LX com calma. Tira fotos excecionais (dignas do feed do Instagram), compra artigos com calma ou até só anda e aproveita o ambiente sem a preocupação das multidões que estavam sempre lá antigamente. O local dispõe, hoje, de uma série de restrições, mas nada que vá atrapalhar a tua exploração no refúgio hipster lisboeta.

Artigo revisto por Ana Janeiro
Fonte da capa: Lisboa ConVida

Fotografias da autoria de Amanda Silva

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