Um momento, três vidas e um gigante cliché

Spoiler alert

E se um único momento mudasse para sempre a vida de três pessoas?  Esta é uma história comovente sobre a forma como três indivíduos diferentes viveram uma experiência traumatizante.  Se este não fosse um lugar tão comum o filme até teria tido sucesso.

Fonte: https://www.edp.pt/particulares/comunidade/isto-e-vida/

“Isto é vida!” narra, de uma forma geral, a maneira como uma perda pode influenciar várias pessoas, independentemente do espaço e tempo em que estas se situam. A história começa por apresentar o grande amor que unia Will (Oscar Isaac) e Abby (Olivia Wilde) desde a faculdade: um intenso amor que cedo gerou uma nova vida. Will e Abby esperavam ansiosamente pela criança, quando, depois de um almoço em casa dos sogros, Abby morre num trágico acidente. Este será, então, o momento que para sempre ligará três pessoas: Will, o marido que a acompanhava; Dylan (Olivia Cooke), a criança que Abby trazia no ventre e que miraculosamente sobreviveu; e Rodrigo, a criança que estava no lugar errado no momento errado e provocou o acidente. A forma como cada um moldou a vida em torno deste momento é aquilo que vai ditar o resto da história.

O filme está dividido em capítulos e cada um retrata a vida de uma das personagens, que acabam todas por se interligar. Apesar da forma pouco convencional como cada uma nos é apresentada, o espetador não se consegue envolver com as personagens porque, na maioria do tempo, não se entende os motivos daquilo que se está a desenrolar no ecrã.

De uma forma positiva, o desempenho dos atores torna o filme intenso. No entanto, a narrativa recorre demasiado aos clichés e aos lugares comuns. O uso de traumas como a morte dos pais, o abuso sexual e a depressão para apelar às emoções do espetador é excessiva e torna o relato demasiado insensível.

Fonte: https://eu.usatoday.com/story/life/movies/2018/09/19/review-treacly-life-itself-emotionally-manipulative-turkey/1349832002/

No fundo, este é um filme que pretende transmitir a mensagem de que tanto na vida como nos filmes não existem heróis ou vilões e que a vida em si é uma viagem que nos surpreende a cada instante, levando-nos para direções que nunca estiveram sequer nos nossos planos. A verdade é que a vida é “o narrador em quem menos se pode confiar”, uma vez que ela se passa entre traumas e momentos de felicidade.

Apesar da mensagem carinhosa que o realizador tentou passar, os críticos de cinema têm olhado para o filme com desilusão. Por Dan Folgeman ser também o realizador de “This is us”, uma série norte americana de sucesso, criaram-se muitas expetativas em volta do filme. Contudo, este desaponta por não se ter conseguido afastar da série.

Life itself, título original, estreou no dia 22 de novembro em Portugal e, apesar das críticas que tem recebido, é um filme construído de uma forma interessante, mas que falha pelo irrealismo de toda a história.

Artigo corrigido por: Andreia Jesus

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