Música

Volcano a.k.a. psicadelismo às colheradas

Após a estreia de Sun Structures, uma piscina de acid-wash, cores psicadélicas e muito revivalismo à mistura – álbum que foi esbanjado com elogios dos críticos, sendo nomeado o álbum do ano pela Rough Trade -, era difícil imaginar como poderiam os Temples acompanhar e superar tal sucesso. Agora, os meninos maravilha neo-psicadélicos estão de volta com Volcano, um álbum que soa mais polido, com um estilo mais nítido e ainda com uma clara carga retro.

O primeiro single, “Certainty”, começa lentamente, crescendo ao longo da música, com sintetizadores pesados e guitarras fuzzy a acompanhar. Estamos sem dúvida perante um hino de festivais de verão. A partir daí, o álbum é fortemente espelhado nos anos 60 e 70, mantendo, ainda assim, uma sensibilidade pop atual.
Este é um álbum que pede ser ouvido várias vezes de modo a apreciar tudo o que está a acontecer dentro de cada canção. A faixa “All Join In”, por exemplo, tem uma estranha qualidade dramática e espacial, e enquadrar-se-ia perfeitamente num filme de ficção científica. Adiante, “Born Into The Sunset” e “(I Wanna Be Your) Mirror” são daquele tipo de músicas que se colam ao tímpano durante semanas, com as suas guitarras super catchy e refrões fáceis de cantar.

Outros destaque são “Open Air”, uma canção pop-rock, destacando-se por ser mais nua e orgânica que as outras faixas, e finalizada com uma boa camada de melancolia, como se esperaria do Temples. “Roman Godlike Man”, por outro lado, sobressai pelas suas letras exageradas e notas quase sobrenaturais. Por fim, “Strange Or Be Forgotten”, fecha Volcano, com uma onda bem anos 80.
Este é um álbum que nos faz viajar para o futuro e voltar atrás no tempo em simultâneo. Se os Temples precisassem de provar que são mais do que uns sonhadores revivalistas, então Volcano deve, em princípio, silenciar os duvidosos.

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