7ª Arte

Whodunnit: Desta vez a culpa não é do mordomo

Quem nunca jogou o jogo de tabuleiro Cluedo? Esses desafios que consistem em tentar adivinhar ou calcular quem é o responsável pelo assassinato de outra pessoa, com determinado objeto, numa divisão de uma mansão já existem há uns bons anos. Dentro desse tipo de estrutura foram escritos diversos romances nos séculos XIX e XX que, mais tarde, foram adaptados e readaptados para cinema e televisão. Tendo umas adaptações mais qualidade do que outras, ao longo das décadas, estes clássicos foram ganhando interpretações que refletiam as modas e os costumes do tempo em que foram gravados, podendo até ser usadas como peças históricas.

Segundo o Cambridge Dictionary, um livro ou filme do género whodunnit consiste numa história sobre um crime e a tentativa de descobrir quem o cometeu. Devido à popularidade que estas histórias atingiram, houve uma grande quantidade de pessoas a produzir contos deste género, o que provocou uma queda na qualidade de produção. Ao ser uma história com uma linha de eventos tão simples, torna-se fácil, na maioria dos casos, a previsão do que se vai desenrolar a partir da premissa – o que constitui uma das críticas mais comuns a este tipo de narrativa. Contudo, nem sempre o culpado é o mordomo. E neste artigo irei sugerir-te algumas adaptações cinematográficas de bons e imprevisíveis whodunnits para te divertires a desvendar o mistério!

Clue (1985)

Este filme foi inspirado no jogo de tabuleiro com o mesmo nome, mas que, em Portugal, se chama Cluedo. Este clássico realizado por Jonathan Lynn, com pouco mais de uma hora e meia, conta com um elenco de luxo da época e uma narrativa relativamente simples: seis pessoas com os nomes das personagens do jogo – Miss Scarlett (Lesley Ann Warren), Miss White (Madeline Kahn), Miss Peacock (Eileen Brennan), Professor Plum (Christopher Lloyd), Mr. Green (Michael McKean) e Coronel Mustard (Martin Mull) recebem um convite do misterioso Mr. Boddy (Lee Ving) para um jantar na sua mansão. Quando o seu anfitrião é assassinado, os convidados juntam-se aos funcionários da casa – o mordomo Wadsworth (Tim Curry) e a empregada de limpeza Yvette (Collen Camp) – para tentar descobrir quem está por detrás dos crimes cometidos.

Esta sátira aos filmes do género acaba por ser ao mesmo tempo o mais clássico filme deste tipo. É uma excelente opção para começar a ver este tipo de longas, pois tem humor inteligente e, ao mesmo tempo, fácil de entender. Foram gravados não um, mas três finais diferentes para o filme, que foram emitidos em diferentes cinemas quando este foi lançado. O final considerado como oficial é o terceiro, mas pode também ficar em aberto, deixado à consideração do espectador para decidir.

Fonte: Polygon

Knives Out (2019)

Se gostares de uma história com um toque mais contemporâneo, podes apostar no filme Knives Out, de 2019. Um famoso escritor de contos policiais é encontrado morto na sua própria casa e qualquer membro da família é considerado suspeito. Benoit Blanc, interpretado por Daniel Craig, é contratado para descobrir quem é o culpado pelo assassinato do patriarca da família. O motivo de assassinato mais provável reside no desejo pela grande herança.

Este filme tem uma duração de um pouco mais de duas horas, mas o bom argumento e as cenas de ação, dignas de um filme do 007, fazem com que o filme seja bastante fast-paced, algo característico da atualidade. A longa realizada por Rian Johnson conta também com um elenco de luxo como Ana de Armas, Chris Evans, Joseph Gordon-Levitt, Cristopher Plummer e Katherine Langford. Aconselho vivamente a quem gosta de um bom plot twist porque este não vai ser nada fácil de prever.

Fonte: Urge!

Crooked House – A Casa Torta (2017)

A última sugestão deste artigo é a mais recente de várias adaptações do conto pela autora mais conhecida deste género: Agatha Christie. Crooked House é uma história já com bastantes décadas, mas a melhor adaptação para o grande ecrã foi em 2017 por Gilles Paquet-Brenner. O assassinato de mais um patriarca de família, no qual todos os membros são suspeitos. Parece um déjà vu de todas as histórias de assassinatos que existem, mas garanto que ao processo até chegar ao verdadeiro assassino não existe igual em mais nenhuma história. Fora o plot twist, que considero ser um dos melhores de todos os tempos, a densidade com que a psicologia humana e os motivos que levam alguém a matar são explorados de uma maneira que vale a pena dar uma olhadela.

O elenco principal desta longa é constituído por Glenn Close, Terence Stamp, Max Irons, Stefanie Martini, Julian Sands, Honor Kneafsey, Christian McKay, Amanda Abbington, Gillian Anderson e Christina Hendricks.

Fonte: Variety

Notas Finais

Os filmes whodunnit, embora possam ter uma narrativa repetitiva, se forem bem selecionados, podem, para além de ter um bom plot twist, ter um desenvolvimento de extremo interesse, que pode despertar a curiosidade até para o espectador mais desinteressado. A mente humana e as razões que levam alguém a agir são temas que também são abordados e explorados neste tipo de narrativa, para além de que a frequente visualização deste tipo de conteúdo acaba por aguçar a perspicácia de quem as vê (falo por experiência própria).

Desta última autora podem também ver adaptações do conhecido Assassinato no Expresso do Oriente, mistério do icónico Hercule Poirot, e do Morte no Nilo, que irá estrear no início de 2022, nos cinemas.

Artigo redigido por Marta Engenheiro

Artigo revisto por Andreia Custódio

Fonte da imagem de destaque: PureWow

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