Desporto

Os Campeões Mundiais da Sustentabilidade

O Forest Green Rovers, clube que desde 2017 disputa a League Two (quarta divisão do futebol inglês), foi fundado em 1889. Este clube pode até encontrar-se nos escalões mais baixos do futebol inglês, mas no que toca à sustentabilidade é o atual campeão do mundo. Um título que lhes foi reconhecido pela FIFA e até mesmo pela ONU.

O caminho sustentável começou a ser percorrido quando, em 2010, Dale Vince se tornou acionista do clube no ramo das energias sustentáveis. “Não sei quanto gastei porque não me importo com dinheiro. Esse é o facto. O que importa é a missão para nós. Fazer do FGR o clube mais ‘verde’ do mundo e usar o Desporto como plataforma para falar sobre a sustentabilidade. Isso não tem preço para mim”, disse o impulsionador desta revolução.

Mail Online

As medidas tomadas foram muitas para que Forest Green Rovers conquistasse tal título. A começar pelo uniforme dos atletas – desde a camisa até às caneleiras – que é feito com 50% de carvão de bambu.

Hypeness

O relvado do clube é totalmente orgânico, onde se usa apenas algas marinhas como adubo e água coletada da chuva, sem uso de qualquer pesticida ou fertilizantes. Eventuais ervas daninhas são retiradas com as mãos, sem produtos químicos.

 As energias gerais das instalações do clube são provenientes de energia limpa, essencialmente captada por painéis solares. O próprio cortador de relva é alimentado por essa mesma energia solar.  O estacionamento do estádio oferece vagas com carregadores para carros elétricos e a própria carrinha que leva os jogadores é elétrica.

Hypeness

Desde 2011 que foi implementado no clube uma dieta vegana. Os jogadores rapidamente aceitaram esta mudança por perceberem que realmente traz benefícios às suas performances. Esta alimentação expandiu-se até ao elenco principal e funcionários do clube, que dispõem de uma dieta sem carne vermelha, peixes e laticínios. Nos dias dos jogos são vendidas pizzas e hambúrgueres de origem 100% vegetal.

A medida mais recente foi o modo de pagamento: passou a ser unicamente elétrico. No estacionamento; nos bares; nos restaurantes; nas lojas e bilheterias; todos estes locais foram modernizados, impedindo os pagamentos através de dinheiro físico. Esta nova medida, para além de contribuir para a sustentabilidade, vai aumentar a velocidade dos serviços e higiene em dias de jogo.

Para o futuro, o Forest Green Rovers tem um grande plano: a construção do estádio mais ecológico de sempre.  O clube tem como grande objetivo chegar à segunda divisão inglesa: o Championship. Mas, para isso, é necessário ter um estádio com maiores e melhores condições. Deste modo, a diretiva de clube decidiu aproveitar esse motivo para sonhar alto. O seu nome será Eco Park. Um estádio com capacidade para 5 mil adeptos, feito totalmente de madeira, com projetos de reflorestamento e restauração de canais incluídos. Onde se situará o estádio já está definido. O clube conseguiu, em agosto de 2020, a autorização que faltava do conselho distrital local para o desenvolvimento do projeto, que está na fase de detalhamento de design. A perspetiva é de que as obras comecem o mais brevemente possível.

Hypeness

O lateral-direito e capitão do Arsenal, Héctor Bellerín, tornou-se, em 2020, no segundo maior acionista do Forest Green Rovers. Bellerín é um jogador que adotou a dieta vegana há cerca de 4 anos, e, como tal, já está familiarizado com o tema. Para além da sustentabilidade a nível da alimentação, o jogador espanhol prometeu, durante a pandemia, plantar 3 mil árvores a cada nova vitória dos gunners. Percebe-se então que falamos de um jogador que preza pela sustentabilidade do ecossistema, identificando-se rapidamente com o projeto do clube inglês. O próximo contributo de Bellerín para com o FGR será o apoio financeiro para a construção do tão desejado estádio 100% ecológico.

Transfer Markt

A sustentabilidade é um assunto que tende a ser esquecido. É bastante gratificante existirem clubes que se preocupam com a sustentabilidade. Juntando a isso o apoio de um dos jogadores com mais “nome” no mundo do futebol ajuda, e muito, na expansão desta causa. É importante chegarmos aos ouvidos das pessoas, se o desporto tiver de ser a “arma” a utilizar, que seja.

Artigo revisto por Adriana Alves