Ele é pop, ele é rock, ele é blues, ele é funk

O havaiano Peter Hernandez, mais conhecido para o mundo como Bruno Mars, pisou o palco do MEO Arena às 22h20 do dia 4 de abril de 2017, acompanhando pela sua eterna banda – os Holligans.

Eram cerca de 9h40 quando a ESCS Magazine chegou ao Parque das Nações. Avizinhavam-se cerca de 12 horas de espera. Na fila, já formada e com várias pessoas à espera – algumas que passaram a noite em tendas fora do recinto –, a expetativa, juntamente com os banhos de sol proporcionados por um dia cheio de calor, crescia com o passar das horas e a aproximação da hora do concerto. A cobertura a nível de segurança foi uma das mais organizadas que já vi, nestes muitos anos a ir a concertos. As portas abriram ainda antes da hora marcada – 19h30 –, e nós conseguimos um lugar bem na frente.

A primeira parte ficou marcada pela atuação de Anderson .Paak. Acompanhado dos The Free Nationals, o cantor californiano aqueceu o público, com o seu hip hop, r&b e soul – começou às 21h em ponto, prezando a pontualidade britânica. Foi uma atuação grandiosa, permitindo ao público saltitar de géneros e mover-se conforme a música. O segundo álbum de Anderson, Malibu, um dos nomeados aos Grammy Awards, em 2016, foi apresentado esta noite. As proezas na bateria foram demonstradas durante toda a sua atuação.

Uma cortina branca gigante, apenas decorada com uma coroa, que cobria todos os segredos daquele que se esperava ser um grande concerto, caiu às 22h20 e, aí, tudo começou.

Êxitos como When I Was Your Man e Grenade não foram esquecidos, sendo a 24K Magic World Tour uma celebração da carreira de Mars e uma janela de promoção de 24K Magic, o seu terceiro álbum de estúdio. Deste novo álbum, Bruno apresentou inúmeras músicas, incluindo o mais recente sucesso That’s What I Like, que anda a escalar as tabelas mundiais de todo o mundo. Foi um dos momentos mais mexidos do espetáculo, brincando entre as luzes e os ecrãs cheio de painéis coloridos, o que dinamizou bastante o espetáculo. A calminha Versace on The Floor foi outras das apostas de 24K Magic, lançado no passado mês de novembro, para aquela noite de terça-feira.

Foi um dos palcos mais simples, e ao mesmo tempo mais excecional e bem conseguido que vi até hoje: mudanças de luzes, que subiam, desciam e se movimentavam por cima da banda, e ecrãs que mudavam de cor e conteúdo conforme a música e o ritmo. Quanto a mudanças de roupa, houve só uma. Bruno começou com uma camisola branca, acrescentando apenas um blazer preto na terceira ou quarta música.

Um dos pontos fortes da noite foi a dança. Bruno provou ser uma triple threat, com um espetáculo extremamente coreografado, onde o músico teve muitas oportunidades de mostrar a Portugal todos os seus dotes de dançarino e mais alguma coisa ainda.

Ao som de Just the Way You Are, algumas lágrimas caíram das faces de alguns fãs, que neste momento, bem como no resto de todo o concerto, repetiam a letra da música palavra a palavra. A plataforma Bruno Mars Portugal havia distribuído papéis com “#BLESSED” escrito, que foram postos no ar por grande parte da plateia em pé durante esta música, criando um momento especial entre a banda e o público português – efusivo durante todo o espetáculo.

O chão da maior sala de espetáculos do país estremeceu quando Bruno voltou para a parte final do concerto – soaram os primeiros acordes de Locked Out of Heaven, um dos maiores sucessos da sua carreira e uma das músicas favoritas a nível pessoal. Eu estava à beira de um ataque cardíaco. Que momento. É claro que ficaram a faltar outras preferidas, como Moonshine, Gorilla ou Young Girls, mas não podemos pedir mais nada, depois de uma noite como esta.

O fim ficou a cargo da icónica Uptown Funk. O single, lançado em 2014, presente no quarto álbum de estúdio do conhecido produtor de Amy Winehouse, Mark Ronson – Uptown Special. Esteve 14 semanas consecutivas em número 1 na Billboard Hot 100, vendeu cerca de vinte milhões de cópias em todo o mundo (contando com streaming), venceu dois Grammy Awards, incluindo Record Of The Year, sendo o quarto videoclip mais assistido de todos os tempos no Youtube, ultrapassando as 2,3 biliões de visualizações – é uma das músicas de maior sucesso de todos os tempos. “Don’t believe me just watch”, cantou ele. E nós bem vimos. Bruno chegou, fez o que tinha de fazer e venceu a noite.

E o MEO Arena concordou, cantando e dançando cada pedacinho da música, como se estivesse num oásis no meio do deserto, onde se podia libertar dos embaraços da sociedade e dançar tão livremente quanto conseguisse. Foi uma noite que fica definitivamente para a história.

Um dos mestres do funk, Bruno conseguiu destacar-se e colocar-se na frente da corrida para os melhores espetáculos de todos os tempos. Vai ser difícil ultrapassar esta noite. Arrisco-me a dizer que este foi o concerto do ano – Ariana e The Weeknd, para me conseguirem mudar de ideias terão de basicamente tocar nas estrelas. Com uma carreira curta mas já com grande êxitos e, até, dois Super Bowl Haltime Shows na bagageira, Bruno é uma das maiores estrelas dos nossos tempos – a Beyoncé masculina.

Posted in Música and tagged , , , , .

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *