Opinião

The Power “Gunners” (Versão Trump)

Os Estados Unidos da América é um dos países mais populosos do mundo, o que acaba por acarretar certos tipos de problemas que outros não têm de enfrentar com tanta ocorrência. Se desde Setembro de 2001 teve de começar a lidar de perto com o terrorismo, há outras duas guerras que já se fazem travar e podem ser tão ou mais graves, nomeadamente: os problemas raciais e gangues; e os tiroteios nas escolas e universidades.

 É sobre este último problema que me vou debruçar, uma vez que estamos a acabar Fevereiro e, por mais difícil que seja de acreditar, os EUA já se depararam, só em 2018, com 18 tiroteios em escolas e locais perto de estabelecimentos de ensino, o que “não parece” quase nada perto dos 944 tiroteios que ocorreram entre 2012 e 2015. Mas o que leva a que haja tantos tiroteios nos EUA? O que leva menores de idade a pegar numa arma e “abrir” fogo sobre uma dúzia de pessoas?

Esta é uma realidade sangrenta e assustadora sobre os EUA que pode ser explicada, principalmente, de três formas: culto às armas – ter uma arma é quase tão importante como a liberdade de expressão -; facilidade em obter armas – os antecedentes criminais e psicológicos quase não são verificados -; armas mal escondidas/guardadas em casa – pôr uma arma dentro de uma gaveta com um cadeado talvez não seja um esconderijo infalível.

Pelo buraco do canudo já os Estados Unidos viram desaparecer vidas e vidas de estudantes, funcionários e até de professores, e continuam a NÃO ter nenhum voto na matéria que faça realmente desanuviar a “onda” de medo que paira nas escolas. E, após o tiroteio NA Flórida, que culminou na morte de 17 pessoas, eis que Donald Trump, presidente dos EUA, abre a caixa de pandora “da estupidez” e decide nada mais, nada menos, que os professores vão começar a ter armas.

Esta é uma decisão sensata que, em escolas que ainda se veem a batalhar contra problemas raciais e de gangues, vai ser um “mimo”, ou melhor dizendo, um tiro no próprio pé. Desde quando é que um professor ter uma arma na mão pode ser a solução de um problema que tem vindo a crescer?

Como é que este presidente não pensa no perigo de um professor ter uma arma, isto é, as armas nas escolas serão uma realidade ainda maior; um professor com problemas mentais ou pessoais pode simplesmente massacrar uma turma inteira ou, pensando ainda noutros aspetos negativos, os professores podem ficar tentados a ameaçar as raparigas e, no pior dos casos, assediá-las e violá-las.

Não descurando também dos problemas morais e éticos que advêm de uma situação em que o professor dispara sobre um aluno que ameace a turma ou a escola, ou seja, esta é uma solução que se traduz em mais problemas, para além de que não faz sentido o facto de um professor ser “obrigado” a ter esta responsabilidade enquanto se continua a ilibar os pais destes estudantes, os vendedores de lojas de armas, entre “n” indivíduos que podem ser uma das causas para o problema em questão.

Qualquer americano ficou incrédulo com uma decisão desta magnitude, não estariam eles à espera de leis mais restritas no acesso às armas ou maior verificação de antecedentes? Até se houvesse uma simples lei que obrigasse os portadores de armas a ter um determinado dispositivo na arma, de modo a saberem quando alguém mexe na arma sem o seu consentimento.

Não sei como é que o presidente Trump ainda consegue surpreender e tomar decisões que, ao invés de amenizarem os problemas, põem mais lenha na fogueira enquanto espera que algo aconteça. Talvez não fosse má ideia fazer exames psicológicos aos candidatos à presidência nos EUA, e não só, de modo a não termos de remediar com decisões que têm tanto de absurdo como de insano.

Pedro Almeida, de 21 anos, é um estudante universitário do curso de Publicidade e Marketing, cuja paixão reside no Marketing, na escrita e na responsabilidade social.

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