7ª Arte

Three Billboards Outside Ebbing, Missouri (2017)

Podia muito bem chamar-se “Guia para (tentar) fazer justiça pelas próprias mãos” ou “Como não enlouquecer no meio de tanta loucura?”. Não é nem um, nem outro… Mas está lá perto.

Frances McDormand (Fargo, Mississippi Burning, Almost Famous) interpreta Mildred Hayes, uma funcionária numa loja de lembranças numa terrinha do estado de Missouri, que, não conformada com a ineficiência da polícia em encontrar o culpado pela violação e pelo assassinato da filha, decide pedir explicações através de três polémicos cartazes plantados numa estrada pouco movimentada à saída da cidade.

Inequivocamente dirigidos ao xerife Willoughby (Woody Harrelson, de True Detective, Natural Born Killers, The People vs. Larry Flynt), que está a morrer devido a um cancro no pâncreas, o que parecia ser uma provocação a Willoughby transforma-se numa provocação à cidade.

E o primeiro a perder as estribeiras é o ajudante de Willoughby, Dixon (Sam Rockwell, de Confessions of a Dangerous Mind e Lawn Dogs), um polícia racista, impulsivo e um quanto irascível, que, em defesa de Willoughby, imediatamente inicia uma guerra com Mildred.

Transbordando humor negro, mas, por vezes, com dificuldade em chegar ao cerne de algumas questões (é impossível não reparar na existência de um “quê” de “eastwoodiano”), Three Billboards (…) é o retrato de uma América deprimida e (quase) perdida, onde vale tudo por quase nada. A influência dos irmãos Cohen é igualmente patente através da energia do filme, muito semelhante à de Fargo, também realizado pelos irmãos Cohen e no qual McDormand ofereceu um desempenho brilhante.

O elenco fica incompleto se não mencionarmos Peter Dinklage, John Hawkes e Caleb Landry Jones, caras conhecidas, mas não menos importantes.

Argumento, produção e realização ficaram a cargo de Martin McDonagh, que assinou assim a sua terceira longa metragem (depois de Seven Psychopaths e In Bruges), a qual já lhe valeu os Globos de Ouro para Melhor Drama, Melhor Atriz (McDormand), Melhor Ator Secundário (Sam Rockwell) e Melhor Argumento e o Prémio do Público no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIIF).

Nos Óscares, concorre com sete nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Argumento Original e Melhor Ator Secundário, com duas nomeações (Rockwell e Harrelson).

Em relação à música, destaque para a banda sonora de Carter Burwell (Fargo, Carol, In Bruges), que permeia cada frame com a maior das intensidades.

Inteligente, hilariante, violento e provocante, Three Billboards (…) não desaponta. Este é um filme extremamente humano. Mostra-nos o melhor e o pior de cada um de nós. Sem medos. Sem vergonhas.

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