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20.º Tuna M’Isto. Uma noite em estado de graça

Tuna Médica de Lisboa sai de Benfica com sete prémios, incluindo o de melhor tuna. Os restantes três prémios foram para a Tuna Económicas, a grande vencedora da noite das Serenatas.

A água encharcava o sábado frio que a maio não parece pertencer. As autoridades recomendavam precaução nas estradas, toda uma sorte de cuidados com as estruturas que possam ser afetadas pelo vento forte e toda uma ladainha de aflições.

Logo à porta do auditório Vitor Macieira, na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), letras que não queriam passar despercebidas anunciavam: «AQUI ESTÁ A GRAÇA». Entrámos e ficámos à espera dela.

20 edições de Tuna M’Isto fazem deste um já amadurecido concurso. Ao longo dos anos, dezenas de tunas mistas de Portugal marcaram já presença no evento organizado pela escstunis. O tema deste ano é o humor, a comédia: a Graça.

O temporal não assustou ninguém. Clara Rua, mãe de um membro da Tuna Económicas, não encontrou a Graça, mas põe o Tuna Misto no mesmo patamar de outros eventos semelhantes: «estão todas ao mesmo nível», diz.

Sérgio Rodrigues veio pelo segundo ano consecutivo ao Tuna Misto. Pai de um membro da tuna escsiana, reconhece na Tuna Médica de Lisboa o maior profissionalismo. Ser pai de um tunante, diz, é «engraçado. É um motivo de orgulho mas também de preocupação. Rouba-vos muito tempo, tira-nos muito tempo com os nossos filhos.»

Ana Rebelo, da Tum’Acanénica, frequenta em Leiria o curso concorrente deste que autoriza o redator desta peça a fingir que é repórter nos eventos da ESCS. Comunicação e Media (leia-se /média/) habilita-a a ser a escolhida pelos restantes membros da tuna a dar uma entrevista à ESCS MAGAZINE.

Vir para Lisboa num dia de temporal justifica-se, diz, porque o Tuna M’Isto é uma «excelente oportunidade para estar com tunas de renome a nível nacional». O que parece intimidar os leirienses, que dizem não estar onde queriam, na qualidade da sua música. Contudo, garantem, deram o melhor. E o melhor foi muito bom.

Como o foram todas as tunas a concurso. Quem o diz é a reação do público, entusiasmado e satisfeito, mesmo quando os estandartes deixavam as manobras fugir do planeado.

Vieram até Benfica a Estudantina Universitária de Viseu, que reúne universitários e licenciados da cidade de Viriato; a Tum’Acanénica, da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria; a Tuna Económicas, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa (ISEG-UL); e a Tuna Médica de Lisboa, que reúne os alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

Comé(r)dia foi esta?
De loiros cabelos desgrenhados, voz esguia e aflautada e vários indícios de superioridade, Graça ergueu-se no palco. Graça é uma espécie de famosa apresentadora de televisão. Graça é apresentadora de um talk-show que contou com as presenças de César Mourão e João Paulo Rodrigues, Maria Rueff e Luís Franco Bastos (só que não…) e ainda com participação do público via chamadas de valor acrescentado.

Com vários sketches ao longo da noite, a escstunis assegurou o entretenimento no espaço entre as atuações. O humor esteve, por isso, presente ao longo de toda a noite, arrancando algumas gargalhadas ao público que se espalhava, apenas com umas poucas clareiras, pelas poltronas azuis do auditório da ESCS.

Para além dos teatros, não fosse esta uma escola líder em audiovisual e multimédia, produções cinematográficas de grande qualidade mantiveram também animada a plateia do 20.º Tuna Misto. A banda residente tocava também músicas de cada tuna, porém, com uns ajustes que davam uma nova letra à mesma roupagem.

As músicas
De Yann Tiersen, ao “Rap dos Matarruanos”, no Tuna M’Isto cabe tudo. “Burraca”, da Estudantina Universitária de Viseu foi, porém, aquela que mais entusiasmou o auditório Vítor Macieira.

A noite começou com a “Fonte das Três Bicas”, da Tum’Acanénica. Para além desta ode à sua madrinha, a tuna de Leiria trouxe ainda “A Festa da Vida”, a música que Carlos Mendes levou ao Festival da Canção em 1972. A Tuna Médica abriu a noite com “Revista” e pelo caminho passou pelo “Barbeiro de Sevilha”, de Rossini, apresentando ainda, pela primeira vez, a sua versão de “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho.

A anfitriã, escstunis, trouxe, entre muitas outras, a “Desfolhada”, de Simone de Oliveira e o “Cacilheiro”, que navegou o 20.º Tuna M’Isto até ao final da noite.

Os Prémios
Ninguém saiu de Benfica de mãos a abanar. As quatro tunas convidadas receberam prémios de participação, para que nunca se esqueçam da noite de temporal que passaram em Lisboa, fechadas no aconchego do auditório da ESCS, ou com os pés molhados nas escadas do infinito.

A vencedora das serenatas na noite anterior foi a Tuna Económicas, que derreteu o coração dos jurados com a melhor serenata e o melhor fado humorístico, no Teatro Thalia.

Na grande noite do concurso, sete dos dez prémios foram para a tuna mista das faculdades de Medicina da Universidade de Lisboa e de Ciências Médicas da Nova de Lisboa.

Melhor adaptação, melhor instrumental, melhor solista, melhor arranjo vocal, melhor pandeireta, e melhor tuna foram todas as qualidades que o júri do 20.º Tuna M’Isto viu nos futuros doutores. Para além destes prémios, a Tuna Médica de Lisboa foi ainda a vencedora do prémio Tuna mais Tema.

Os restantes prémios também ficaram em Lisboa. A tuna do ISEG levou para casa, para além dos prémios das serenatas, ainda os galardões de melhor original, melhor estandarte e ainda o prémio do público.

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