O exemplo da literatura clássica
Vivemos num mundo cada vez mais acelerado e digital, em que a novidade rapidamente se transforma em esquecimento. Ainda assim, a obra clássica permanece como um dos pilares do pensamento humano, tendo resistido ao tempo devido à sua capacidade de se comunicar com diferentes gerações, tratando de temas universais e provocando um questionamento ao Homem.
Confrontos familiares, corrupção, pressão social e expectativas de género são temas que parecem recentes, mas que se tornam comuns em qualquer época da sociedade quando abrimos um livro clássico. O que para nós parece novidade é, na verdade, um padrão comportamental que hoje reconhecemos nos protagonistas da nossa própria história.

A literatura clássica surge como um espelho da sociedade moderna, ao retratar a espécie humana exatamente como ela é. Em Antígona, de Sófocles, o conflito entre a lei e a consciência individual representa a tensão entre a injustiça do poder e a ética pessoal. Esta tensão não pertence à Grécia Antiga, mas sim à ideia da sociedade organizada, e repete-se quando a autoridade colide com aquilo em que acreditamos.
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Em Macbeth, de Shakespeare, a ambição conduz à ruína e à corrupção. A trajetória de Macbeth revela como o desejo de poder pode deformar a identidade e a moralidade. Mesmo hoje, a ambição continua reconhecível na política e na obsessão contemporânea pelo sucesso e estatuto, sendo capaz de moldar a nossa personalidade sem que nos apercebamos disso.
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Também a pressão social, por norma apresentada como um problema da modernidade, foi já descrita por Jane Austen em Orgulho e Preconceito. As expectativas em torno do casamento, do estatuto e da reputação vão moldando o destino das personagens, tal como, atualmente, a necessidade de aprovação social e a adaptação às normas coletivas moldam o nosso comportamento.
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A permanência destas obras reside na capacidade de expor o ser humano sem que este se aperceba. A obra transforma-se conforme o leitor se transforma e ler a mesma obra em diferentes fases da vida é como ler livros diferentes. Nós mudamos, o texto permanece.
O clássico comunica diretamente connosco, com as nossas experiências e com o contexto onde nos inserimos, mantendo a obra viva. A sua atualidade não depende do século em que foi escrita, mas da profundidade com que compreende a condição humana.
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Artigo revisto por Ana Ferreira
AUTORIA
A Sofia é estudante do 2ºano de Publicidade e Marketing. Não se lembra de um tempo em que não gostasse de ler e escrever, e é nas palavras escritas que encontra a melhor forma de se expressar. Estar com as pessoas de quem gosta é a sua forma favorita de passar o tempo, seja uma tarde no café ou a fazerem uma atividade que encontraram nas redes sociais. O desporto e a música têm também um lugar especial no seu coração. Encontrou na Magazine o sítio perfeito para explorar a sua criatividade e escrever sobre algo pelo que é apaixonada.

