Escolher o Futuro aos 17 Anos: o que a Futurália revela sobre essa pressão
Entrar na Futurália é, para muitos estudantes, o primeiro contacto direto com aquilo a que chamamos “o futuro”. Entre stands coloridos, cursos apresentados como oportunidades únicas e promessas de sucesso profissional, instala-se uma sensação ambígua para alguns: entusiasmo e ansiedade, lado a lado.
Aos 17 anos, numa altura em que os jovens estão em processo de autodescobrimento, espera-se que tomem uma decisão que muitos dizem “poder definir o resto da vida”. A Futurália expõe essa tensão de forma clara. De um lado, são apresentadas instituições de ensino prontas a “vender” cursos bem estruturados, do outro, alunos a tentar traduzir interesses vagos em escolhas concretas.
Ao percorrer os pavilhões, há quem chegue com objetivos definidos, procurando apenas confirmar decisões já tomadas, mas há também muitos estudantes que vagueiam entre stands, recolhendo folhetos sem saber exatamente o que procuram: se querem estudar em Portugal ou ir para o exterior, se querem uma licenciatura ou um CTeSP, se pretendem ingressar no mercado de trabalho ou até mesmo fazer um gap year. A quantidade de informação disponível, em vez de esclarecer, pode intensificar essas mesmas dúvidas.
A pressão não nasce do evento em si, está presente em tudo: nas expectativas familiares, comparações com colegas, na ideia ainda muito enraizada de que existe um “caminho certo” a seguir na vida (estudar, continuar a estudar, trabalhar, comprar uma casa, etc…). Nesse sentido, a Futurália funciona como um espelho: reflete não só as opções disponíveis, mas também as inseguranças de cada um no que toca a essas escolhas.
Ainda assim, a experiência não é necessariamente negativa. Para alguns, o contacto direto com cursos, estudantes e profissionais ajuda a tornar decisões mais concretas. Conversas informais, workshops e testemunhos reais podem transformar dúvidas em possibilidades mais claras. O importante para estas pessoas é a exploração das suas opções através do contacto com as mesmas.
Talvez o problema não seja pedir aos jovens que escolham, mas sim a forma como essa escolha é enquadrada. Em vez de uma decisão definitiva, a Futurália deve ser vista como um ponto de partida para um caminho em que o erro, as dúvidas, as diversas questões – e até mesmo mudar de ideias – fazem parte do processo.
No meio do ruído, fica uma ideia essencial: escolher o futuro aos 17 anos não é tanto sobre acertar à primeira, mas sobre começar a construir um caminho.
Fonte da Capa: Talent Portugal
Artigo revisto por Carolina Ferreira
AUTORIA
A Inga está no segundo ano de licenciatura em Audiovisual e Multimédia. É uma amante de todas as formas de arte, desde música, cinema e televisão até exposições, teatro e artes plásticas. O seu envolvimento com a escrita sempre foi uma constante na sua vida, e ela sempre adorou dar a sua opinião sobre os diversos assuntos que rondam o mundo. Sempre que tem uma ideia, não hesita em anotá-la, esteja onde estiver. O enriquecimento cultural e o contributo para o seu desenvolvimento pessoal são algumas das razões pelas quais compartilhará as suas ideias na ESCS Magazine, juntamente com a sua habilidade para organizar seja o que for.



