Opinião

Ser “famoso” já não é o que era 

Durante muitos anos, as celebridades eram vistas como figuras míticas. Apareciam em revistas, passarelas e eram admiradas pelo público, que desejava um dia poder viver a vida de luxo e glamour que estas tinham. Havia uma distância gigante entre a vida das celebridades e a vida do público, o que alimentava o fascínio. Ser influencer tornou-se cada vez mais fácil e, com isso, a ideia de exclusividade tem vindo a desaparecer. 

A distância entre o influencer e o seu público é mínima: sabemos o que comem, onde treinam, que produtos usam ou com quem estão, tudo em tempo real e à distância de um clique. A banalização das suas rotinas fez com que houvesse uma mudança na cultura das celebridades: deixamos de acompanhar figuras inalcançáveis e passamos a acompanhar pessoas normais e acessíveis.

Fonte: Giftcampaign

Grande parte do fascínio que o público tinha pelas celebridades partia do mistério. Os seus outfits eram vistos apenas em fotografias de paparazzis e as discussões nos bastidores eram transformadas em capas de revista. A informação sobre estes famosos era escassa e tinha grande projeção nos media, o que fazia com que tivesse um grande impacto e toda a gente falasse deles. Atualmente, a situação é bastante diferente, uma vez que sabemos tudo sobre a vida dos influencers. Há demasiado conteúdo acerca dos seus dias, partilhado diariamente pelos próprios e em múltiplas plataformas. O desconhecido transformava as pessoas famosas em ícones. Quando sabemos tudo sobre alguém, sobra muito pouco espaço para a imaginação. 

Antigamente, as pessoas eram reconhecidas pelo seu talento, seja na música, na atuação, no desporto, e podiam demorar anos a serem reconhecidos nas suas áreas. Hoje em dia, já nada disso é necessário. Uma pessoa normal, que não se destaque em nenhuma área em particular, pode tornar-se famosa de um dia para o outro apenas por ser visível, por ter algum momento viral na Internet ou por conseguir que o público se identifique consigo. Os influencers estão a competir diretamente com atores, cantores e atletas pela atenção do público sem precisarem de se esforçar. Hoje muitas celebridades tentam assemelhar-se  aos influencers de forma a tentar ganhar de novo a atenção e carinho do público. Fabricam uma ideia de autenticidade, com que o público se consiga relacionar, longe da realidade da sua vida de luxo que em nada é parecida com a vida daqueles que os acompanham. 

Além disso, houve uma grande mudança na visão que o público tinha perante as celebridades. Antes, eram “colocadas num pedestal” e muitas podiam dizer qualquer coisa sem ter medo das consequências. Porém, hoje em dia a situação alterou-se drasticamente: o público está mais consciente, informado e intolerante perante certos discursos e ações. Cada comentário e cada gesto são analisados ao detalhe pelo público, que critica privilégios e, também por isso, idolatra cada vez menos.

Fonte: Flooxernow 

Se é verdade que a cultura das celebridades está a desaparecer, também é verdade que há quem consiga manter-se relevante neste meio. Figuras como Taylor Swift ou Cristiano Ronaldo continuam a ser verdadeiras celebridades, admiradas pelos seus talentos e com a atenção dos media e dos seus milhões de fãs sempre viradas para si. No entanto, mesmo estes famosos vivem num contexto diferente de antigamente. Já não dependem apenas das revistas e entrevistas para se manterem relevantes, necessitam também de manter uma forte presença nas redes sociais. A sua fama continua a existir, apenas em moldes diferentes. 

Com isto, é importante salientar que a cultura das celebridades não acabou de todo, simplesmente adaptou-se ao mundo em que vivemos. Neste mundo, onde qualquer pessoa se pode  tornar conhecida, o mais difícil já não é ser famoso, mas sim manter-se relevante. 

Fonte: Freepik

Artigo corrigido por: Érica Gregório

AUTORIA

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A Carolina tem 18 anos, vem de Loures e está no 1º ano da licenciatura em Jornalismo. Adora ouvir música, fazer compras, passear com uma boa companhia e ver futebol (se for o Sporting ainda melhor). Fala pelos cotovelos e ri-se de tudo. É a pessoa mais distraída do mundo mas quando ouve a palavra “fofoca” não lhe escapa nenhum detalhe. Desde pequena sempre gostou de escrever e criar histórias e por isso, viu na Magazine uma oportunidade para partilhar a sua paixão com os outros!