Grande Entrevista e Reportagem

A viagem de um jovem português rumo ao mundo

Sic Parvis Magna” é uma expressão simples em latim que significa “a grandeza nasce de pequenos começos”. Com apenas três palavras, mas com uma grande força, é esta a frase que move e guia António Loureiro, um jovem de 22 anos, natural de Espinho. António  lançou-se  num desafio ambicioso de visitar todos os países do mundo até aos 25 anos, um feito que, a concretizar-se, o vai tornar o português mais jovem de sempre a alcançá-lo.

Em 2024, António realizou a primeira experiência a viajar sozinho. Surgiu através de um voluntariado numa quinta remota na costa da Croácia, em Labin. Apesar de ter adorado a vivência, não esconde que foi exigente: dias longos, seis por semana, com cerca de oito horas de trabalho físico intenso. No regresso, questionou-se sobre se todo aquele esforço teria realmente valido a pena.

Ainda assim, decidiu dar uma nova oportunidade a esse tipo de experiência, e foi aí que tudo mudou. Seguiram-se viagens para a Suécia e para a República Checa, onde encontrou um equilíbrio diferente: continuou ligado ao trabalho em quintas, desta vez com cavalos, uma das suas maiores paixões, mas com mais liberdade para explorar. Entre dias de descanso e novas descobertas, conheceu não só os países onde estava, mas também territórios vizinhos, transformando essas viagens em experiências verdadeiramente marcantes, dando início a uma longa aventura.

Fonte: Instagram

Com uma forte ligação e paixão pelas artes, nomeadamente o teatro, a fotografia e a poesia, António encontrou uma forma de observar o mundo com sensibilidade e intenção, cruzando essa visão artística com um forte interesse por história e geopolítica. O resultado é uma descoberta que já o levou a 37 países, cada um deles explorado com curiosidade e atenção ao detalhe.

É essa atenção que procura transmitir através da conta de Instagram (antonio.uncharted), onde publica vídeos e fotografias dos locais que visita, partilhando um pouco da história de cada país e cidade, bem como algumas curiosidades e, sempre que possível, ligações a Portugal. Num espaço digital muitas vezes marcado pela superficialidade, o conteúdo distingue-se não só pelo valor informativo, mas também pela capacidade de despertar a curiosidade e aproximar o público a uma realidade de um mundo além-fronteiras.  

António, estás a viajar solo. Como é viver essa experiência? Não há receios em embarcar numa aventura destas sem companhia?

Sinceramente, deixa-me muito mais tranquilo viajar sozinho. Em situações de stress, prefiro estar comigo mesmo do que ter de lidar com o stress de múltiplas pessoas, discutir sobre soluções, ou até mesmo coisas mais simples e quotidianas, como escolher o café a que vamos, o restaurante, o hostel ou o itinerário. 

Gosto de fazer as coisas ao meu ritmo e resolver os problemas à minha maneira, e sozinho é também muito mais fácil conhecer novas pessoas, pois não ficamos reduzidos ao círculo de pessoas que está a viajar connosco. Geralmente, é o que inconscientemente acontece. Digo isto porque já tive uma viagem em grupo e sei como é. 

Quais são os principais desafios e dificuldades que enfrentas nesta jornada de viajar pelo mundo?

Não encontro muitas dificuldades. É tudo bastante simples. Acho que o que afasta muitas pessoas do mundo das viagens, para além da falta de disponibilidade, é a ideia intrínseca de que tudo é super complexo. 

Na minha sincera opinião, isso é só uma narrativa perpetuada pelas agências de turismo e tours para manterem as pessoas a comprarem os seus serviços. As viagens não são tão complexas quanto isso. Mas diria que o que pode dar mais problemas é as burocracias com vistos, mas, sendo que Portugal tem dos melhores passaportes do mundo, esse problema acaba por ser mais reduzido.

Qual é o teu sonho final com essas viagens? Passa pelo fotojornalismo e documentar “zonas de crise e grandes emergências humanas”?

Após visitar todos os países do mundo, quero aprofundar-me naqueles que mexeram mais comigo, especialmente os mais incompreendidos ou esquecidos.

Tenho o sonho de ser fotojornalista independente, e trazer a minha visão sobre aquilo que são os inevitáveis conflitos e tensões mundiais. Vivemos num mundo cada vez mais instável, e a sua documentação deve sempre priorizar a verdade. 

Estamos na era da informação: fotografias são armas e munição narrativa.

Como surgiu a ideia de criar a conta no Instagram?

Antes de começar esta conta, já tinha visitado 30 países, e toda a gente me dizia que devia criar um Instagram para publicar conteúdos sobre viagens.

Mas eu nunca quis a vertente comercial da criação de conteúdo e ficar refém de trends, eu queria trazer o meu conteúdo original, história (pela qual sou apaixonado), geopolítica, e um pouco da portugalidade que está espalhada pelo mundo. 

Daí escolher fazer tudo em português, com informações e histórias interessantes, detalhadas e que sinto que as pessoas gostam de ouvir. 

O feedback tem sido excelente, e arrependo-me de não ter começado mais cedo.

Que conselhos darias a outros jovens que sonham em viajar e conhecer o mundo, mas não sabem como começar?

Sic Parvis Magna”. Não é por acaso que o nome da minha conta é “Uncharted”, inspirado numa série de videojogos que acompanham um caçador de tesouros. O seu lema é exatamente esse, “Sic Parvis Magna”, que era o lema do navegador Inglês Sir Francis Drake, e significa “Grandeza em pequenos começos”.

Fonte: Instagram

O mais importante é começar. Pode ser dentro do teu próprio país, num país vizinho. Não existem viagens mais honrosas do que outras. Cada viagem, mesmo que seja a uma rua que não conheces na tua cidade, é uma experiência.

E é desta experiência que António traz consigo um pouco do conhecimento que adquire e das pessoas que conhece, partilhando com quem o segue. Através da fotografia, capta as paisagens que o deslumbram, os rostos que o comovem, a simplicidade de uma rua ou de uma cultura, por vezes tão diferente da nossa: um talento silencioso, mas que também fala. 

Pela América Latina, Europa e Sudoeste Asiático, a jornada de António vai muito além da ideia de “viajar por viajar”. Em cada país, em cada história que recolhe, há uma tentativa constante de compreender o mundo e de o explicar aos outros com honestidade e profundidade. No meio de mapas, fronteiras e culturas distintas, mantém-se fiel ao princípio que o lançou nesta aventura e à paixão pelo que faz e pelo que já conquistou. 

Fonte da capa: Canva/Instagram

Artigo Revisto por Diogo Bértola

AUTORIA

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Atualmente no seu terceiro ano de licenciatura em Jornalismo, a Marta já descobriu o que é estar por detrás das câmaras, dos ecrãs e das páginas escritas. Mais do que tudo, adora ouvir música e estar a par do que se passa no universo pop, além de procurar sempre os melhores filmes e séries para uma tarde chuvosa perfeita. Assim que entrou na ESCS, encontrou na ESCS Magazine o seu lugar: começou como redatora de Cinema e Televisão, passou a Editora no ano seguinte e, agora, no seu último ano na melhor revista de Benfica, abraça com entusiasmo o cargo de Editora Executiva — um desafio que aceitou com todo o carinho!