Capital

À conquista do Castelo

A fortaleza dos Lisboetas
O Castelo de São Jorge encontra-se no bairro do Castelo e é um dos inúmeros monumentos que se deve visitar para tentar conhecer “a cidade das sete colinas”. Esta é uma das zonas mais antigas de Lisboa. É monumento nacional desde 1910.

E como é típico nas cidades com traçado muçulmano, para chegarmos ao nosso destino temos de subir bastante e por ruas bem estreitas.

“Sou de uma terra com muitas subidas mas as de Lisboa são bem íngremes”, desabafou Juan Delgado ,junto à paragem do 373, bem em frente à porta onde Martim Moniz ficou entalado durante a conquista do castelo aos mouros. Esta porta também ficou conhecida como a do Olival.

A fortificação foi construída no século XI. Algumas das casas deste período ainda podem ser vistas no sítio arqueológico. Desde 1996 que os arqueólogos estudam o local e todos os achados estão disponíveis para serem visitados. À saída do museu existe uma loja de souvenirs: “Por aqui passam muitos turistas. Eles admiram as coisas que temos mas não compram”, queixa-se Cátia, uma das empregadas da loja.

A primeira “casa” do arquivo da torre do tombo (ou de Ulisses, o herói grego que segundo a mitologia aportou no porto de Lisboa na sua volta triunfal para Ítaca) foi numa das ameias do castelo, mas agora o arquivo histórico pode ser encontrado em Belém. A primeira renovação do castelo aconteceu com o terramoto de 1755 mas foi em 1940 que foi devolvido aos cidadãos. Os moradores de Lisboa podem lá entrar sem pagar bilhete e os estudantes têm um desconto na compra do mesmo.

Oxibuna era uma importante cidade muçulmana que foi conquistada por D. Afonso Henriques e os seus seguidores durante a reconquista cristã. Antes de ser nomeada como a capital do reino, as cidades de Coimbra e Guimarães tiveram esse título. Só que a Lisboa que hoje conhecemos começou entre quatro paredes para se estender, gradualmente, na direcção do espelho de água que é o rio Tejo.

Juan foi apenas um dos milhares de turistas espanhóis que “invadiu” a capital portuguesa durante a semana santa. E um dos locais mais visitados é o Castelo de São Jorge. António é o segurança que guarda a entrada e admite que fala a maior parte do tempo em castelhano.

A estátua de S. Jorge encontra-se já dentro das muralhas como se protegesse todos os visitantes e moradores do bairro de um dragão monstruoso e imaginário. Tudo isto ao som das flautas de pan, tipicamente peruanas.

Os vendedores ambulantes são quase tantos como os visitantes. Existem os artistas de rua que tocam os hits do momento apenas acompanhados pela sua fiel guitarra; os cartoonistas que por um punhado de euros fazem o retrato da pessoa em poucos minutos ou os imigrantes da África oriental a vender selfie sticks. Quem quiser comer alguma coisa pode ir ao “A casa dos Leões”; este restaurante encontra-se já na parte de dentro do castelo e o local era utilizado para guardar dois leões no reinado de D. Afonso V.

O bairro do castelo têm inúmeros pontos de interesse, como o Chapitô ou as casinhas rasteiras com a fachada pintada de rosa e os telhados que, devido à luz do sol, adquirem um tom alaranjado, tipicamente lisboeta. Os jardins bem tratados são o cenário ideal para uma fotografia. Aqui temos o cartão postal da cidade de Lisboa.

Mas de todos estes sítios que podemos encontrar no bairro do castelo, um chama a atenção, em particular. É altivo e as suas pedras têm milhares de histórias para contar.

Os visitantes passeiam-se pelas muralhas do castelo onde aproveitam para apreciar uma vista de 360 graus da cidade e sentam-se à sombra de algumas das árvores centenárias que aqui existem. A torre de menagem com as suas bandeiras a esvoaçar ao vento é vista desde a baixa pombalina, o que leva todos a erguerem a cabeça e deixarem-se encantar pela vista. O miradouro do castelo é um dos vários da cidade de Lisboa.

Debaixo de alguns dos variados arcos vemos mensagens de amor que o tempo não apagou.

Já Carlos do Carmo dizia no fado “Lisboa menina e moça”: “… no castelo eu ponho um cotovelo“.

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