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À conversa com Diogo Faro – “O humor não vai mudar nem salvar o mundo”

Na semana de 13 a 17 de abril, celebrou-se o 14.º aniversário da ESCS Magazine. E se há coisa que esta celebração prolongada nos trouxe foi talks, aprendizagens, talks e mais talks! No dia 14, tivemos a presença de Diogo Faro, humorista de profissão e, por acaso, ex-aluno da Escola Superior de Comunicação Social. 

De publicidade e marketing para… humor? 

Pensar que um jovem que aprendeu a tocar clarinete no Conservatório de Música e tem uma licenciatura em Publicidade e Marketing ia acabar por trabalhar no mundo do humor não é uma ideia propriamente descabida. Depois de ter acabado a licenciatura, Diogo quis juntar esses dois mundos e eis que começou a sua experiência profissional a trabalhar na OPART, e mais tarde na Inov Contact. Depois de uma má experiência numa outra agência, Diogo disse “basta”, decidiu fazer um workshop de stand-up e criou uma página de Facebook, que começou a ter bastante sucesso (presumivelmente o “Sensivelmente Idiota”). 

E numa altura em que se fala muito dos limites do humor, Diogo é claro: 

“O humor não vai mudar nem salvar o mundo, mas se há humoristas que estão sempre a fazer piadas machistas, isso contribui para um ambiente, uma sociedade machista.

Diogo não é, de todo, um estranho no mundo dos espetáculos ao vivo. Projetos como Lugar Estranho, Aquecimento ou, mais recentemente, Aqui que ninguém nos ouve, com Isabel Viana, são apenas alguns que se destacam. A verdade é que, antes disso, Diogo não se sentia muito confortável em palco. Contudo, com o tempo e com a experiência, admite estar muito feliz e à vontade neste ambiente. No final do ano, irá ter um novo espetáculo a solo, que, aliás, espera que tenha direito a digressão nacional.

Questionado sobre qual dos seus projetos mais se orgulha, Diogo admite que encara o espetáculo monogâmico Amor, quero beijar mais pessoas, com Joana Brito Silva, como um de sucesso. 

“Nós éramos para fazer aquilo duas ou três vezes, acabámos por fazer vinte [sessões] no [teatro] Villaret, sempre cheio. Portanto foram uns poucos milhares de espectadores, foi uma coisa muito bonita e um bocado revolucionária. É um assunto que é zero comum em Portugal, zero falado, e que gerou muita curiosidade, e as pessoas saíram lá a pensar e a rir-se imenso, portanto tenho muito orgulho nisso.”

Capa do espetáculo Amor, quero beijar mais pessoas.
Fonte: Cardápio

Monogamia, Politalentos

Para além de humorista e clarinetista, sim!, Diogo Faro também é escritor. As suas obras incluem Somos Todos Idiotas, Na Boa!: O Segredo Português para a Felicidade e Processo de Humanização em Curso, que depois deu origem a um espetáculo de standup. O mais recente, Planeta Z, assemelha-se a um dos seus ex-projetos, o Scroll, e visa dar voz às gerações mais jovens. Fala sobre saúde mental, habitação e racismo e conta com testemunhos de, por exemplo, uma amiga trans e o influencer Kiko is Hot. 

“Tenho orgulho do livro por ser isso, por ser, mais uma vez, eu a tentar aproveitar a plataforma que eu já tenho, a visibilidade que eu já tenho, o privilégio que é ser convidado por uma das maiores editoras do mundo, a Penguin, para escrever um livro.” 

Diogo com o livro Planeta Z.  | Fonte: Penguin Livros

Custar os risos da cara

Numa altura da vida de Diogo, o seu coração batia mais fortemente pela veia política. Preocupado com o estado do mundo, fez alguns vídeos sobre o preço da habitação e, com o sucesso de alguns, decidiu apostar nesta ideia ao ver que podia gerar algum impacto. Além disso, juntou-se a algumas organizações e ajudou na preparação de manifestações. Foi só uma tentativa de participar na construção de algo melhor pela sociedade”, disse. 

Mas esta tentativa veio com um custo. Os seus vídeos começaram a ficar menos engraçados e virados para o humor, e tornaram-se mais politizados e críticos. Agora, fazer esta distinção já é mais fácil, mas em tempos não o era, o que trouxe à sua carreira diferentes percepções do público. 

“As pessoas já não sabiam se eu era ativista, se era humorista, se era as duas coisas, se não era nada, e ainda há um bocado essa confusão.” 

Muitas dessas diferentes percepções acabaram por colocar a vida de Diogo em risco: já lhe atiraram uma garrafa à cabeça, agrediram-no à chapada e ameaçaram-no verbalmente. Inclusive, afirma que na rede social X (formalmente Twitter), chegou a ver uma montagem do político Mário Machado com uma espada, acompanhado pelo texto “Esta está reservada para o Diogo Faro”

Experiências ESCSianas

Uma das ideias comuns ao pensamento ESCSiano é sermos extremamente bem preparados para o mundo exterior. E parece que já no tempo de Diogo Faro era assim. O humorista admite não apenas que os cursos fornecem muito boas bases aos alunos, como também que encontra regularmente profissionais que foram estudantes na ESCS, nas áreas da multimédia ao jornalismo. Diogo revela ainda que fez parte da Associação de Estudantes enquanto membro do departamento de Lazer. Mas tivemos dificuldade em perceber se é o agora departamento de Cultural ou Recreativo. 

O conteúdo que Diogo Faro produz pode ser encontrado em várias plataformas, como o seu Instagram (@diogofaroidiota), Youtube, Spotify, entre outros, portanto, não têm razão para escapar ao seu trabalho! Boas gargalhadas 😉 

Maria Luís Pita e Miguel Calixto (Alunos de 2.º ano de JORN). Fonte: ESCS Magazine

Fonte da Capa: ESCS Magazine

Artigo revisto por Mariana Ranha e Eva Guedes

AUTORIA

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O Miguel tem 18 anos, é de Lisboa, e é um rapaz criativo, alegre e empenhado. É um grande amante de moda, música e cinema. Foi uma viagem a Nova Iorque que sedimentou o que queria fazer no ensino superior. Está no primeiro ano da licenciatura de Jornalismo, e, sendo honesto, escrever nunca foi um dos seus grandes hobbies, mas vê a ESCS Magazine como uma oportunidade de crescer, e de se sentir próximo ao que mais lhe interessa em termos de futuro: trabalhar na revista Vogue.