Opinião

A problemática do rabo

Portugal é a cauda da Europa. Por outras palavras, Portugal é o rabo da Europa. Isto não tem que ser necessariamente mau. Que lance a primeira pedra aquele que não admirou e desejou já um rabo. O problema aqui é que a Europa já não vai para nova e de vez em quando precisa de se sentar porque está cansada. Ora, quando a Europa se senta, nós, magnânimo traseiro, ficamos comprimidos pelo peso do corpo da Europa e o assento escolhido. Ainda assim, não podemos responsabilizar apenas a Europa. Portugal, enquanto rabo, tem que assegurar por si dois aspectos: o primeiro é o da funcionalidade e que eu dispenso pormenorizar como compreenderão; o segundo é o da aparência. Portugal tem que se tonificar para ser admirado, cobiçado e, quiçá, até apalpado.

Quando um rabo entra em crise principia-se sempre o debate da moralidade (que não é nada mais do que um debate vectorial): é preciso importar menos e exportar mais. Se um rabo importar demais, é sabido que mais cedo ou mais tarde vai ficar em mau estado. Foi o que aconteceu a Portugal, rabiosque da Europa, com o pedido de ajuda externa. Estivemos durante 3 anos de fraldas.

O maior problema agora está na avaliação do estado do traseiro. Há quem diga que estamos melhor e há quem recuse essa hipótese a todo o custo. Certo é também que a Europa já não está sentada da forma que estava antes e isso ajuda. Isso é aquilo que mais me entristece: depois de tudo aquilo por que passámos, continuamos a depender do ritmo da Europa para melhorar e piorar, uma vez que problemas estruturais, como a dívida (que aumentou), o défice (que melhorou, mas em Portugal tem sempre tendência para crescer) e o desemprego, não ficaram definitivamente resolvidos.

Pelos vistos, somos um rabo que sempre aspirou a ser rabo. E isso não tem mal nenhum. Um rabo pode ser motivo de orgulho. Não podemos é deixar que tratem o rabo como se fosse um apêndice. Ninguém vive sem um rabo. Um rabo é tão importante quanto um coração. Ainda assim, há sempre dois lados para ver a mesma questão: se é verdade que o rabo é uma zona ventosa e isso é desagradável, também é verdade que dá para apostar na energia eólica. Fica o apontamento

 

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O Francisco Mendes é licenciado em Jornalismo e pauta a sua vida por duas grandes paixões: Benfica e corridas de touros. Encontra o seu lado mais sensível na escrita de poesia, embora se assuma como um amante da ironia e do sarcasmo. Aos 22 anos é um alentejano feliz por viver em Lisboa.

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