• Opinião

    Pensar Fora da Caixa

    Há muitos lugares-comuns. Em todo o lado nos dizem que é preciso “pensar fora da caixa”, o que, de certa forma, não deixa de ter uma certa ironia. Apelam-nos a que sejamos diferentes da mesma forma que todos os outros o fazem. Dizem-nos que temos de fazer a diferença, não acrescentando sequer uma vírgula ao discurso de todos os outros. O “pensar fora da caixa” está bem dentro da caixa e nada é mais do que um exercício de travestismo linguístico que eu gosto de acompanhar e aprecio até (o único travestismo que acompanho e aprecio, diga-se). É dito desta forma como se fosse uma ideia nova, mas a ideia…

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    Urbi et obras: Ser Feliz no Samouco

    Estão a aproximar-se as viagens de finalistas dos estudantes do secundário e, desta vez, decidi antecipar-me e falar já do assunto. Alguns finalistas, talvez possuídos pela origem da palavra finalista, não percebem que a viagem, supostamente, serve para celebrar o fim do secundário e não para os colocar à beira do próprio fim. O conceito de gastar um balúrdio para ficar durante uma semana numa aldeia em Espanha a beber com o intuito de apenas tornar memorável algo de que não haverá memória é uma coisa que me fascina. Eu consigo imaginar perfeitamente isso a acontecer com grande sucesso em Portugal. Quão espectacular não seria para um alemão, um holandês,…

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    A problemática do rabo

    Portugal é a cauda da Europa. Por outras palavras, Portugal é o rabo da Europa. Isto não tem que ser necessariamente mau. Que lance a primeira pedra aquele que não admirou e desejou já um rabo. O problema aqui é que a Europa já não vai para nova e de vez em quando precisa de se sentar porque está cansada. Ora, quando a Europa se senta, nós, magnânimo traseiro, ficamos comprimidos pelo peso do corpo da Europa e o assento escolhido. Ainda assim, não podemos responsabilizar apenas a Europa. Portugal, enquanto rabo, tem que assegurar por si dois aspectos: o primeiro é o da funcionalidade e que eu dispenso pormenorizar…

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    Média, Moda e Mediana

    Eu não percebo nada de moda. Ou melhor: o meu conhecimento da moda é um vácuo. Nada ao pé do que eu sei sobre o assunto ainda é alguma coisa. Eu só tenho três pensamentos no que à moda diz respeito. O primeiro é o de que não devemos fazer combinações com verde e castanho a menos que seja dia da árvore; o segundo é o de que as t-shirts pretas não fazem sentido. O preto atrai o calor, portanto só deveria ser usado em roupa de Inverno. A menos que venha com ar condicionado incorporado; o terceiro é o de que qualquer pessoa pode entender de moda. É precisamente…

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    Urbi et obras: Quem é quem?

    Desde que a crise foi oficializada em Portugal com o pedido de ajuda externa que tem havido algumas crises de identidade. Alguns achavam que Portugal era a prova de que a natureza não é perfeita e que estava na altura de admitir à mãe Alemanha isso mesmo: “Eu sou um ele, mas sinto que nasci com as fronteiras erradas. Sou um ele, mas sinto-me uma “ela”. A partir de hoje sou a Grécia”. Claro que a Alemanha fez o que qualquer mãe austera faz numa situação destas e meteu Portugal de castigo. Aos poucos, foi aliviando um pouco, mas continua a exigir que Portugal cumpra as suas obrigações para não…

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    Amor em Pó

    Sem dúvida alguma que não há nada mais santo do que o amor. Em Fevereiro, o S.Valentim enfeitiça dois indivíduos (discriminemos o poliamor) e em Junho aparece o Santo António e casa-os entre sardinhas e manjericos. Eu não sei quanto a vocês, mas eu acho que isto é andar depressa demais. Só devia haver dia de Santo António pelo menos dois anos depois de cada S.Valentim. Isto assim é uma espécie de speed dating santo. Se era suposto um santo ter o seu dia no dia dos namorados, ajudava que esse não fosse o Valentim. E não proponho como alternativa que se passe a chamar dia de S.Major. Era bom…

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    Doçura ou Travessura?

    Um dos fenómenos que mais me agrada na globalização é ver europeus tentar ser americanos. Não falo daquelas coisas que foram importadas para a Europa e que entraram de forma natural. Refiro-me àquelas coisas que as pessoas seguem, mesmo sem gostar, só porque vêm dos Estados Unidos. O maior exemplo disto aconteceu esta semana: o Super Bowl. Há aquelas pessoas que gostam genuinamente de Futebol Americano e acompanham ao longo de toda a época. Em Portugal, como me parece bastante claro, esta é uma minoria daquelas bem minoritárias. Provavelmente, nem conseguiam o número suficiente de assinaturas para formar um partido. No entanto, há sempre aqueles que assistem ao Super Bowl…

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    Em Que Estás a Pensar?

    Há muitas teses a propósito das redes sociais. Para mim, cada vez são um espaço mais desinteressante. E nem é nenhuma teoria sobre os efeitos que as redes sociais vão ter nas sociedades com o passar do tempo. É mesmo pela razão mais simples: cada vez encontro menos coisas lá que me interessem. A tendência tem sido para que, cada vez mais, sejam espaços que contribuem para a confusão e não para o esclarecimento; para fomentar a aparência e esquecer a essência; para mostrar aos outros que somos melhores e, ao mesmo tempo, invejarmos a vida dos outros; para nos privarmos de ter tempo para nós próprios e para a…

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    Parabéns, Rei

    Portugal é, indiscutivelmente, um país de futebol. No entanto, Portugal também é um país em que quem quer parecer intelectual opta por rebaixar e catalogar coisas em vez de puxar dos galões intelectuais e elevar o debate. Desta forma, Portugal é um país de futebol e que despreza ser um país de bola. O exemplo mais claro disto mesmo é Eusébio e as pessoas que dizem que ele era só um jogador da bola. A facilidade com que se diz que Eusébio não contribuiu para nada é a mesma com que se eleva um músico. Gostava, ainda assim, de que essas pessoas me explicassem porque é que um bom cantor…

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    Os Anjos de Charlie

    Caro muçulmano pacífico, em primeiro lugar, devo-te um pedido de desculpas por só agora te estar a escrever. Juro que pensei em ti várias vezes ao longo dos últimos dias, mas eu queria que a poeira baixasse um pouco antes de me pronunciar. Já sabes como eu sou. Só gosto de falar no fim para não me precipitar. Sei que tu, tal como a esmagadora maioria das pessoas que se tem manifestado pelas redes sociais fora, condenas o atentado de Paris. Tal como condenaste o 11 de Setembro, o 11 de Março e tantos outros atentados perpetrados por pessoas que diziam ter a tua religião. Calculo que tenham sido dias…