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Amizades Improváveis

Existem cada vez mais opções para quem quer fazer trabalho de voluntariado, o que faz com que cada vez existam menos desculpas para não o fazermos. Desde cedo que comecei a fazer voluntariado e, pessoalmente, acho que é das melhores coisas que se pode fazer, não só por ser um ato altruísta como também nos traz outro significado de gratidão. Desde ajudar na recolha de alimentos para o Banco Alimentar, à limpeza e preservação da Serra de Sintra e mesmo a ajudar pessoas com deficiências. Existem imensas opções e sei que, mesmo não tendo experimentado todas, quero continuar a experimentar.

Comecei, recentemente, a fazer voluntariado com uma organização que tem vindo a conseguir um acréscimo no número de voluntários e que tem sido cada vez mais tema de conversa. A organização tem o nome de “Amigos Improváveis”, é uma organização sem fins lucrativos e insere pessoas de todas as idades que tenham a possibilidade de despender uma hora do seu dia para melhorar o dia de outras pessoas. O trabalho como voluntário consiste na escolha de uma pessoa idosa, por vezes um casal, que esteja habituado a estar em casa e precise de companhia. Organizam-se grupos de voluntários e cada um desses grupos encarrega-se de ir visitar os idosos que foram selecionados para estes e passar pelo menos uma hora com eles e terem a maravilhosa experiência de fazer parte do dia deles.

Passado algum tempo acabamos por, inevitavelmente, criar uma certa relação com estas pessoas que passam a ser como “avós” que simplesmente vamos visitar por serem da família. Ouvimos todo o tipo de histórias que estas pessoas cheias de experiências têm para contar; temos a oportunidade de ouvir em primeira mão como as coisas eram há décadas, como foi a sua infância e a sua adolescência; percorremos inteiros álbuns de fotografias e ficamos a conhecer toda a família; partilhamos também com eles coisas da nossa vida e ouvimos os típicos conselhos para estudarmos e nos aplicarmos na nossa vida académica. Conseguimos, ao final de uma hora, mudar completamente o nosso estado de espírito e ficamos a pensar se estamos a ser a companhia destas pessoas ou elas a nossa companhia. A partir do momento em que começamos a visitá-los custa-nos estar longe e acabamos por lhes ligar quando não os podemos ver, e essas pessoas passam então a fazer parte da nossa vida e queremos de tudo para que se mantenham felizes.

Ao fim de cinco meses neste tipo de voluntariado aconselho vivamente as pessoas que conheço a experimentarem; creio que é uma contribuição enorme para a minha vida e sei que estou realmente a fazer diferença na vida de alguém. Todo o tipo de voluntariado é recomendado: ganhamos experiência e histórias para contar, e saímos do local com a sensação de que alguém está feliz ou mais agradecido graças a termos tirado um bocadinho dos nossos dias tão atarefados e termos escolhido passá-lo com ele. Para quem gosta de conversar e ter uma outra perspetiva de vida por parte de pessoas que viveram em épocas bastante diferentes das nossas este é o voluntariado perfeito. Caso não seja este, tenho a certeza que, com a panóplia de opções que existem hoje, conseguem encontrar outro com que se identifiquem melhor. De qualquer modo, aconselho todos a experimentarem trabalhar como voluntários, seja em que fase da vossa vida for.

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