Artigo de opinião: Benfica, campeão!

Parecia que ainda ontem estava em Agosto, fresco de vir da praia, bronzeado, mais gordo e pronto para mais nove meses de bipolaridade futebolística, passando por tremendas variações de humor e funcionamento cardíaco, porque infelizmente ser adepto de futebol é assim. Se forem do Sporting, acabam tristes, mas sem desapontamentos: só acabam ligeiramente desiludidos, porque serão gozados pelos vossos amigos, independentemente do clube. Para os adeptos do Benfica, foi um final feliz: o 37º, para ser mais específico. Mas, partindo da desapontante época de 2017/2018, aquela que culminou com a conquista do título numa expressiva vitória caseira frente ao Santa Clara não se previa fácil.

Apesar de ser um treinador campeão – aliás, em dois dias ganhou mais títulos de campeão nacional do que o Sporting ganhou em 17 anos -, Rui Vitória já não era quem devia tomar as rédeas, de tão monótono e unidimensional que o futebol que promovia era. Os adeptos sentiram isso e a ideia de que era necessário reinventar o futebol das águias começou a ganhar força. Bruno Lage tomou as rédeas e esperava-se que durasse, no máximo, até ao final da época: começava uma época de transição e as expetativas de ganhar um título, em princípio, encontravam-se não só defraudadas, como eliminadas.

Estádio da Luz. Fonte: TSF

No entanto, o interino provou ser não só capaz de comandar a equipa até ao final do campeonato, mantendo a sua “honra”, como também provou ter potencial para ser o treinador de quem o Benfica realmente precisa para o futuro. É verdade que a mudança de treinador energiza sempre um clube a curto prazo, mas Lage provou que a sua filosofia pode dar muitas alegrias ao Benfica. A nível de jogo, promoveu algumas alterações que viram o futebol da equipa melhorar drasticamente de qualidade, ao colocar Pizzi numa função mais de mezzala, partindo da ala direita para os meio-espaço entre o flanco e o centro do terreno, e dando oportunidade a Gabriel de brilhar como 8: o rendimento de Pizzi baixou, mas Gabriel providencia maior solidez defensiva, ao mesmo tempo que dá também criatividade na distribuição.

Para além disso, Rafa pode ter mais liberdade para atacar a partir da esquerda, e por causa disso tornou-se, provavelmente, o segundo melhor jogador do campeonato esta época, atrás apenas de Bruno Fernandes. Seferovic também aumentou de rendimento e foi o melhor marcador do campeonato, abatendo a reputação de “cepo” que vinha da época passada, com Rui Vitória. Mas a alteração mais importante foi, sem dúvida, a iniciação das jóias da coroa encarnada no onze. Ferro tornou-se parceiro de Rúben Dias, e pode vir a ser ainda melhor do que o último, dada a sua maior tranquilidade e capacidade com bola. Florentino começa a dar os primeiros passos como o novo 6, mostrando também o seu à vontade na saída de bola, como também a sua capacidade atlética, apesar de ainda ser meio apático. Gedson voltou a dar ar da sua graça, apesar de não ter o protagonismo que lhe era profetizado com Rui Vitória.

A grande vitória de Lage foi o desabrochar de João “Vieira Pinto” Félix, que, com Jonas praticamente fora de cena, tornou-se, com apenas 19 anos, uma das figuras da equipa: apesar da sua ratice ser controversa, dada a sua tendência para se atirar para o chão, a sua maturidade futebolística é inegável, tal é a sua fluidez de movimentos e capacidade de execução.

Em qualquer época, paira sempre o fantasma da corrupção, da má arbitragem, da peixeirada, etc..

A verdade é que, durante boa parte da época, o Benfica foi quem conseguiu praticar o melhor futebol do campeonato, culminando com a categórica vitória por 4-1 em Alvalade, onde eu estive para apoiar o meu clube, infelizmente. Fá-lo-ia de novo. A verdade é que o Benfica foi um justo vencedor, porque foi a equipa que acabou por ganhar, e quem discute a veracidade do título terá de lidar até que algo seja realmente provado. Até lá, e se por acaso houver algo a provar, Bruno Lage e a sua equipa estão de parabéns: que seja tão renhido como foi este ano e que o Sporting seja campeão. Mas provavelmente terão de ser mais 20 anos à espera…

Artigo revisto por Lurdes Pereira

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