• Opinião

    Fêmeas

    Se calhar é melhor declarar interesses primeiro, que isto agora está muito na moda. Julgo que me posso considerar feminista. Não tenho uma certidão Maria Capaz, mas creio que passo no teste. Trabalhei na luta contra a violência doméstica. Embora seja um pouco daltónico, consigo compreender a distinção entre o salmão, o pêssego, o coral e o laranja – ainda que tenha dificuldades entre o pastel, o camel e o bege, roxo e azu l- cozinho, aspiro, lavo, engomo que nem um tigre e faço camas de lavado com a facilidade da criada da família Von Trapp e sem precisar que me peçam, fujo a sete pés de marialvismos oitocentistas…

  • Opinião

    Popular ou populismo?

    Cristina Ferreira não é só uma apresentadora de televisão, não é só uma empresária de sucesso, não é só uma cara bonita que lidera audiências. É, sobretudo, o rosto da ascensão social portuguesa.   No tempo dos meus avós, uma rapariga da Malveira estaria sempre condenada a ser a saloia que vinha à cidade vender couves ou servir nas casas mais ricas. Mas, Cristina Ferreira, hoje uma mulher de sucesso, que influencia diariamente centenas de milhares de espectadores, que vende roupa aos milhares, não teria, não há muitas décadas, outra coisa que fazer que não passasse por servir, nem outra coisa que vestir que não uma saia remendada e um…

  • Opinião

    Popular ou populismo?

    Cristina Ferreira não é só uma apresentadora de televisão, não é só uma empresária de sucesso, não é só uma cara bonita que lidera audiências. É, sobretudo, o rosto da ascensão social portuguesa. No tempo dos meus avós, uma rapariga da Malveira estaria sempre condenada a ser a saloia que vinha à cidade vender couves ou servir nas casas mais ricas. Mas, Cristina Ferreira, hoje uma mulher de sucesso, que influencia diariamente centenas de milhares de espectadores, que vende roupa aos milhares, não teria, não há muitas décadas, outra coisa que fazer que não passasse por servir, nem outra coisa que vestir que não uma saia remendada e um avental…

  • Opinião

    Saloiice

    Viver já não é aquilo que deve ser. Não é um prazer ou uma tristeza. Não é um conjunto de experiências quotidianas, de alegrias e de privações, de sabores e de emoções. Não. Viver agora é seguir o lifestyle. Sair do trabalho e, em vez de mudar de roupa, trocar o outfit de casual friday por um workout e correr para os braços do personal trainer que nos espera no health club. Transpirar muito numa aula de crossfit, de TRX ou num bootcamp – aquelas coisas que antigamente os rapazes faziam enquanto cumpriam serviço militar – por umas dezenas de euros mensais. Para relaxar, o melhor é deixar de comer…