Cinema e Televisão

Back to Black – A Biopic Que Dividiu Opiniões

A produção da biopic Back to Black, produzida por Sam Taylor-Johnson (também produtora de As Cinquenta Sombras de Grey e Nowhere Boy), começou em janeiro de 2023 e o filme chegou aos ecrãs portugueses no dia 11 de abril de 2024. Outros países também começaram a reproduzir o filme sobre a vida de Amy Winehouse em teatros e cinemas e, até então, as opiniões dos cinéfilos sobre esta longa-metragem têm-se dividido radicalmente.

O filme inicia-se em 2002, quando Amy é já uma estrela emergente nos cenários noturnos de Camden, em Londres. Nesta fase da sua vida, os pais da cantora estão já separados e a biopic mostra-nos a forma como o divórcio dos dois atuou como uma espécie de íman para a inspiração que resultou em várias canções do seu primeiro álbum,  intitulado Frank.

Frank foi gravado em 2003, como sendo um disco de jazz, que foi considerado muito à frente do seu tempo. Embora o filme não mencione esta curiosidade, sabe-se que o disco foi nomeado em homenagem a Frank Sinatra, um dos grandes ídolos de Amy.

Fonte: Digital Spy

Ao explorar o processo de criação do primeiro álbum da cantora londrina, o filme retrata a forma como Winehouse trabalhava: não se importava com o dinheiro que poderia vir a receber com a gravação das suas músicas e só conseguia escrever músicas sobre experiências que tivesse vivido, portanto, precisava de viver antes de prosseguir para a elaboração do segundo álbum da sua carreira.

As experiências às quais Amy se refere acabam reduzidas a um único tema: o amor. Este tema será central no seu álbum seguinte e nos restantes anos da sua vida, a partir do momento em que a mesma conhece Blake Fielder-Civil (interpretado por Jack O’Connell) num pub em Camden.

Fonte: Billboard

É neste momento que o filme começa a criar muitos dos conflitos de opinião entre os espectadores. Ao serem retratados os momentos conturbados entre o casal, sobretudo aqueles que estão intimamente associados às questões do uso de drogas, ao álcool em excesso e às agressões que recheavam a química tóxica do par, muitas das pessoas que viram Back to Black acreditam que muitos factos foram “mascarados” e que a biopic não fez qualquer tipo de justiça a tudo aquilo que Amy teve de suportar ao estar dentro de uma relação abusiva.

Quando as primeiras imagens do filme foram divulgadas, com Marisa Abela no papel principal, também se levantaram muitas divergências de opinião sobre a caracterização da personagem e sobre o facto de a voz utilizada para cantar as músicas de Winehouse ser a da atriz e não a da cantora, à semelhança do que aconteceu no filme sobre Elvis Presley, onde Austin Butler cantou, também, com a sua voz as músicas da personalidade que interpretava.

Fonte: CTV News

Numa review feita por Rogan Graham, no site Little White Lies – conhecido por “abrigar” críticas a inúmeros filmes – o jornalista escreveu: “Por mais que se parta do princípio de que este filme é uma celebração do génio musical da Amy, é tão lascivo e cruel quanto qualquer artigo dos tablóides dos anos 90 […] não investiu nas complexidades de viver uma vida muito pública com o vício.”.

A questão que se verifica é que as boas críticas feitas a Back to Black reforçam precisamente o oposto. Ao escrever a sua crítica cinematográfica de quatro estrelas para o The Guardian, Peter Bradshaw terminou com a seguinte frase: “Back to Black é essencialmente um filme gentil e indulgente e existem outras maneiras mais duras e sombrias de colocar a vida de Winehouse na tela.”.

Mark Kermode também fez uma análise em vídeo sobre a biopic e referiu: “Este filme é um conto de fadas sobre uma história de amor num ambiente caótico e destrutivo. Quer achem ou não, a história da Amy Winehouse deveria ser contada desta forma”, disse. “Acho que vi algumas críticas tolas de uma estrela, que receberam objeções. Não é um filme de uma estrela, é um filme de três estrelas.”.

Aquilo que parece, então, distinguir uma crítica boa de uma crítica má é o fator decisivo sobre aceitar ou não Back to Black como sendo uma representação ficcional da vida real.

Fonte da capa: Grunge

Artigo revisto por Leonor Almeida

AUTORIA

A Carolina tem dezenove anos e está atualmente a tirar uma licenciatura em Relações Públicas e Comunicação Empresarial – uma das suas grandes paixões. Outra das suas paixões é a escrita, a sua forma de arte preferida. Desde os doze anos escreve sobretudo ficção, mas gosta de explorar diversos géneros que a permitam “brincar” com as palavras. Partilhar aquilo que escreve sempre foi um grande desafio, mas ao decidir construir uma carreira na área da comunicação, decidiu que a timidez não podia continuar a representar uma barreira no seu caminho. Os seus tempos livres são ocupados com leitura e nada a cativa mais do que a literatura clássica, em especial os romances de Jane Austen e das irmãs Brontë. Ao escrever para a ESCS Magazine, a Carolina sente que tem a liberdade de unir a sua paixão pela escrita com a sua admiração pelo cinema.