Bon Jovi: o renascimento das cinzas

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This House Is Not For Sale é o décimo terceiro álbum dos Bon Jovi, banda de hard rock norte-americana que, devido à saída do guitarrista Richie Sambora em 2013 por motivos cujos contornos são dúbios, foi condenada ao questionamento constante do seu futuro. Contudo, três anos após esta grande baixa de peso, o grupo fundado nos anos oitenta já alcançou o lugar nº 1 da Billboard. Qual será o segredo para o sucesso dos rapazes de New Jersey?

Corria o ano de 1983 quando John Bongiovi, Tico Torres e David Bryan se uniram sob a égide inquebrável da sua amizade. Poucos meses mais tarde, Richie Sambora viria a sentir-se cativado pelo talento dos três amigos. Contudo, depois de anos repletos de aventuras e desventuras, picos de sucesso e críticas… A Because We Can tour delineou o destino dos famosos artistas e What About Now, de 2013, foi o último álbum em que o King of Swing, Mr. Sambo (Richie Sambora), como é habitualmente conhecido entre os fãs, participou.

Ao evocarmos o famoso hit Bed Of Roses, existem rosas e espinhos, portanto, quando a tempestade da trágica saída do guitarrista se foi apaziguando, surgiram rumores: Phil X, que tivera de ocupar o seu lugar aquando da sua desistência na última tour, viria a ser o novo membro da banda? E, corroboradas as expetativas, Philip Eric Xenidis, músico canadiano, conquistou o estrelato e, Hugh McDonald, que se encontrava desde 1984 à espera do estatuto de membro oficial, obteve-o: afinal, nem tudo foi mau nos últimos anos!
A 4 de novembro, o tão aguardado álbum foi lançado: “Regressámos ao início. Este álbum foca-se na nossa integridade, integridade essa que importa quando nos encontramos numa fase da nossa carreira em que já não temos que provar mais nada a ninguém”, revelou o vocalista, Jon Bon Jovi, numa conferência de imprensa em Kuala Lumpur, em setembro de 2015.
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A capa de This House Is Not For Sale, uma fotografia de Jerry Uelsmann, estabelece uma analogia entre uma casa assente em raízes fortes e a história da banda: começou por ser conhecida como opening act dos Scandal, dos ZZ Top, dos Scorpions e dos Kiss. Em 1986, surgiu nas bocas do mundo com o sucesso de Slippery When Wet e, nos anos noventa, a sua sonoridade soturna conseguiu mantê-los no panorama artístico mesmo quando o rap era o rei.
O seu apogeu foi no início da década de 2000 com It’s My Life, mas tiveram de transitar para um período menos próspero iniciado com o fim da tour de 2011 e pode considerar-se que “When We Were Beautiful”, “What Do You Got?”, “No Apologies”, “This Is Love This Is Life” e “The More Things Change” foram as últimas canções verdadeiramente compostas, de corpo e alma, pelos quatro membros. O que restaria aos Bon Jovi se, em 2016, não se tivessem guiado pelo seu talento e força e iniciado uma nova etapa?
“One on one / We’d still be standing / When all was said and done / Blood on blood / One on one / And I’ll be here for you / Till Kingdom come / Blood on blood” – em 1988, as juras de companheirismo infinito enfeitiçavam os fãs e, claro está, encontravam-se longínquas da possibilidade da separação, que nunca foi tão iminente como nos últimos anos. Tendo esta sido concretizada, Jon poderia ter seguido dois caminhos: o do fim do legado ou o da persistência. Escolheu o segundo, afirmando a sua vontade de permanecer unido àquilo que construiu durante três décadas com os seus “irmãos” de sempre, e, como a fénix renasceu das cinzas, os Bon Jovi surgiram após o seu hiato com um verdadeiro hino.

A banda regressou à The Power Station – atualmente, Avatar Station – onde gravou o seu primeiro álbum, em 1983. Numa entrevista concedida ao site Artist Direct interviews, o baterista, Tico Torres, afirmou: “O estúdio ainda tem o mesmo cheiro e a mesma aparência. Mas isto não foi planeado; estávamos de visita quando juntámos dois mais dois e decidimos gravar o décimo terceiro álbum ali e existe uma certa magia naquele sítio!”. Tico também realçou que ”cada estúdio tem a sua personalidade” e ter regressado ao local onde trabalhou com a banda quando eram novos foi especial: “É difícil encontrar bons estúdios. A acústica é que importa e sentir a atmosfera onde fomos felizes quando éramos novos foi, sem dúvida alguma, uma experiência incrível”.

Os Bon Jovi confiaram mais uma vez a produção musical ao seu amigo de longa data, John Shanks, com quem começaram a trabalhar em 2005 e o resultado foi surpreendente: a balada Labor Of Love não é a nova Always, a energética Knockout não é tão inédita quanto a It’s My Life, Come On Up To Our House tem claramente traços mais country tal como o álbum Have a Nice Day de 2005 – no fundo, a história destes self-made men nunca foi linear e, mesmo numa época de contrariedades e muitos obstáculos, foram capazes de se reinventar, nunca abandonando a sua essência: porque quer sejam aplaudidos pela crítica com “licitações” elevadas ou menosprezados, sabem que a casa que constitui a sua carreira jamais estará à venda.

 

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