Cientistas descobrem um novo órgão: o interstício

Cientistas norte-americanos propõem que o interstício, formado por um espaço com fluido em circulação, se torne um órgão do corpo humano.

Um grupo de cientistas norte-americanos descobriu – o que dizem ser – um novo órgão no corpo humano: o interstício.

Até agora o interstício era definido como o “terceiro espaço” – depois do sistema cardiovascular e do linfático. “Era geralmente descrito como um mero espaço entre as células, embora ocasionalmente o conceito de que havia um grande espaço intersticial já tenha sido referido. Mas as suas características anatómicas e histológicas nunca tinham sido descritas”, explica Neil Theise, o principal autor do estudo – publicado esta semana na Scientific Reports, onde descrevem a anatomia e histologia deste (novo) órgão.

O interstício é uma estrutura que faz parte da submucosa, um “espaço cheio de fluido”, explicam os investigadores. O interstício reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário e envolve músculos e vasos sanguíneos.

Neste órgão, há também um novo tipo de células: são células que juntam características dos fibroblastos (células do tecido conjuntivo), que fabricam colagénio, e das células endoteliais, que revestem o interior dos vasos sanguíneos.

“Aproximadamente 20% do volume do fluido do corpo, que inclui cerca de dez litros, está dentro do interstício”, refere Neil Theise.

Segundo os investigadores, poderá ser importante nas metástases do cancro, ou seja, pode ajudar a compreender como tumores malignos se espalham no corpo humano. “Onde se pensava que existiam densas camadas de tecido, existe o que pode ser visto como uma rede de «estradas abertas e cheias de líquido»”, acrescenta o cientista.

O interstício ainda não tinha sido descrito, segundo os investigadores, porque é destruído ao ser colocado nas lâminas microscópicas utilizadas para estudar as células do corpo, mas pôde ser descoberta graças à utilização de novas técnicas de observação, em 2015.

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