Atualidade,  Informação

Duras críticas ao jornalismo na conferência TSF

Captura de ecrã 2016-03-2, às 01.53.16

Pacheco Pereira e Carlos Magno, convidados do primeiro painel da conferência, estiveram na linha da frente nas críticas ao jornalismo no nosso país. Nas palavras do primeiro, «a comunicação social em Portugal não informa». Uma frase que serviu de mote para todo o restante discurso, num evento criado para celebrar os 28 anos da TSF no auditório Vitor Macieira.

Depois de um primeiro momento em que o protagonista foi Marcelo Rebelo de Sousa, lançou-se o debate. Moderado por Paulo Baldaia, até agora diretor da TSF, o primeiro painel contou também com a presença de Daniel Proença, chairman da GMG, e de Carlos Magno, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação. Todos convergiram numa só ideia: Emídio Rangel teve um grande papel nos media portugueses e foi Carlos Magno quem mais a destacou – «Hoje, precisamos mais do Emídio Rangel do que alguma vez precisámos».

Ainda nessa linha, o presidente da ERC aproveitou para apontar as críticas para a TSF, a estação fundada por Emídio Rangel. Para Carlos Magno, a rádio do grupo Global Media (a mesma do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias) mudou radicalmente e tem agora uma lacuna nas notícias. «As pessoas mudam para a TSF para ouvir notícias, mas também ouvem a TSF para não ouvir notícias». «Hoje, estou órfão de rádio», acrescentou. Acusou ainda a comunicação social portuguesa de fazer jornalismo de secretária, com «enviados especiais à internet», numa época marcada pela falta de recursos, com a diminuição de receitas.

Uma das soluções para esse problema foi sugerida por Pacheco Pereira. O Comentador e historiador acabou por sublinhar que ao jornal em papel deve caber a missão de lançar investigações, e ao Online o acompanhamento da atualidade, da forma mais imediata: deu como exemplo o Observador, um portal de informação que se tornou num sucesso em visitas.

Sem reservas, Pacheco Pereira atirou também para a União Europeia, que «paga às TVs para fazer programas de política que não são pluralistas». «Não há pluralismo na informação», opinou. Nesse sentido, acabou por desconsiderar os jornalistas que lançam livros com programas de governo, assim como os jornais de negócios que, na sua opinião, só abordam e informam da perspetiva das empresas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *