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Elementar, meu caro leitor

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Sir Arthur Ignatius Conan Doyle, nascido a 22 de maio de 1859, é um dos mais brilhantes e conhecidos escritores de literatura criminal, e mundialmente famoso pela sua igualmente famosa personagem: Sherlock Holmes. Formou-se em medicina, que praticou até 1891, mas foi a escrita que lhe deu a fama internacional, especialmente as aventuras da dupla Sherlock Holmes, o detetive perfeito, e o seu fiel companheiro, O Dr. John Watson.

Foi a publicação, em 1887, de Um Estudo em Vermelho que deu a Conan Doyle notoriedade imediata. Nesse, como nas suas outras histórias policiais, o personagem principal é o detetive de inteligência penetrante, que toca violino e faz uso de morfina para aliviar as tensões provocadas pelo excesso de concentração em cada caso.

Sherlock Holmes é um detetive eminentemente cerebral, capaz de, à vista de uma simples bengala, traçar o perfil do seu dono, fornecendo dados que causam surpresa e admiração. Ele é a personificação do sentimento científico e empírico não só da época, mas do seu próprio criador.

O Cão dos Baskervilles conta como a dupla é visitada pelo Dr. Mortimer, médico de um vilarejo de Devonshire, onde vive uma família nobre assolada por uma maldição que remontaria a séculos anteriores, por causa dos excessos de um antepassado: a aparição de um cão demoníaco nos pântanos que rodeiam a propriedade dos Baskerville significaria a morte violenta de um membro da família. Foi o que aconteceu ao amigo íntimo de Mortimer, sir Charles Baskerville.

Mortimer está preocupado com a segurança do último descendente da família, Henry, chegado da América, e pede a Holmes e Watson que investiguem o caso. Watson acompanha Mortimer à localidade, sem saber que Holmes também foi para lá, escondendo-se nas habitações pré-históricas que restaram por ali, para poder observar melhor os habitantes do lugar. Assim, o leitor entra em contacto com um mordomo que, de uma janela que dá para os pântanos, faz sinais com uma vela para alguém misterioso; um naturalista amador que tiraniza a sua irmã sem motivo aparente e que parece ser o único a saber movimentar-se pelos pântanos e sair ileso; uma mulher de reputação duvidosa que marcou um encontro suspeito com Sir Charles, justamente para a hora em que ele veio a morrer;  um presidiário foragido; e um criminoso que adora disfarçar-se e que despista Holmes nas ruas de Londres…

Mas não é descobrir “quem é o assassino”, como nas tramas da criadora de Hercule Poirot & Miss Marple, que parece importar a Conan Doyle. O leitor pode constatar isso no próprio livro. Fica-se a conhecer a identidade do assassino muito antes do fim. O que parece ser valorizado é um jogo onde, no desfecho, se prova a supremacia da astúcia e do método do detetive sobre a astúcia e o método do criminoso.

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