‘Elite’: uma segunda temporada mais dramática e complexa

O Colégio Las Encinas volta a abrir portas à elite de estudantes mais famosa de Espanha. Nesta segunda temporada, a Netflix não cortou em escândalos, sexo e drogas.

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Fonte: Netflix/Redes Sociais

Por volta das 9h do dia 6 de setembro, os utilizadores da Netflix em Portugal tiveram acesso aos oito novos episódios da trama. Como são poucos, acabar a temporada num só dia não é um desafio. Mesmo que não quiséssemos fazê-lo, optando por dosear estes minutos, somos persuadidos a desistir dessa estratégia, tal é a ânsia de saber o que se segue. A forma chocante como cada episódio termina torna quase impossível a missão de deixar o próximo para mais tarde. Sentimos a necessidade de saber os próximos acontecimentos e, felizmente, satisfazê-la está à distância de um clique. 

A temporada inicia-se com sirenes ensurdecedoras. Ficamos a saber, desde logo, que os oito episódios irão tratar um desaparecimento. A resposta à pergunta “Quem será o aluno em causa?” é-nos revelada ainda no primeiro episódio. O “Porquê?” demorará mais a ser esclarecido. 

Os títulos dos episódios referem há quantas horas a personagem está desaparecida. À medida que o tempo aumenta, diminuem as hipóteses de encontrar um corpo com vida. Também por isso se torna urgente obter respostas, antes que seja tarde demais. 

A primeira temporada mostrou-nos do que são capazes os estudantes de Las Encinas. Quão longe estão dispostos a ir para se protegerem a si e aos seus. Que cordelinhos conseguem puxar para derrubar quem os ameaça. Tendo em conta que se trata maioritariamente de adolescentes com 16 anos, chega a ser perturbadora a natureza de certas ações. Estas devem-se, obviamente, às circunstâncias que os rodeiam e que compuseram todo o seu crescimento. O dinheiro nunca foi problema, mas acabou por estar na origem de muitos. 

Aparentemente intocável, a elite despreza quem vem de fora. Os alunos bolseiros têm, por isso, grandes dificuldades em adaptar-se. Esta guerra entre ricos e pobres origina grandes tensões, culminando em crimes como o da primeira temporada: o assassinato de Marina (María Pedraza). Acabamos por descobrir que foi Polo (Álvaro Rico) quem a matou e quais os seus motivos. 

Assim, a temporada seguinte serve não só para investigar o desaparecimento de um aluno, como para descobrir se Polo será revelado como o autor do crime e, consequentemente, castigado. Os segredos constantes destroem cumplicidades, o que explica as desavenças que surgem entre casais de uma temporada para a outra. Há traições dos mais variados tipos e a manipulação é já normalizada de tão constante.

O facto da língua falada pelas personagens ser o espanhol atribui à série um toque ainda mais misterioso e sedutor. Apesar de ter estreado pouco depois de La Casa de Papel, tem um conceito completamente diferente. É verdade que têm atores em comum: Miguel Herrán (Rio em La Casa de Papel e Christian em Elite), Jaime Lorente (Denver/Fernando) e a já referida María Pedraza (a refém Alison Parker e, em Elite, a menina de ouro, Marina). Na segunda temporada de Elite, tanto Miguel Herrán como Jaime Lorente têm menos tempo de antena, talvez por estarem a gravar as duas séries ao mesmo tempo. Isto acaba por prejudicar Elite, pois nota-se que as duas personagens são “chutadas para o canto” e ignoradas em grande parte dos episódios. 

Quem sabe como forma de compensar esta desconsideração, a Netflix trouxe novos alunos ao colégio. Inicialmente parecem inocentes, mas acabam por provar o contrário. 

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As novas personagens de Elite. Da esquerda para a direita: Rebeka (Claudia Salas), Valerio (Jorge López) e Cayetana (Georgina Amorós).
Fonte: Netflix/Divulgação


  • Rebeka (Claudia Salas)

Quando chega ao colégio conta que o dinheiro que tem se deve a ter ganhado a lotaria. Rapidamente percebemos que não é o caso e que se trata de dinheiro sujo. Com a família envolvida num esquema de droga, acaba por arrastar terceiros e por causar sarilhos. Entre as três, é a personagem menos complexa e a que menos contribui para o enredo. Mesmo assim, não deixa de ser interessante pela forma como se distingue do resto do grupo. É mais humilde e tem os pés assentes na terra. Por não se deixar sucumbir perante as futilidades, acaba por ser vista como uma ovelha negra, mas vive bem com isso. 

  • Valerio (Jorge López)

Valerio é o meio-irmão de Lucrecia (Danna Paola). Os pais estão divorciados e Valerio passa uns tempos em casa do pai e outros em casa da mãe. Entra em Las Encinas vindo de um colégio interno, onde foi colocado devido ao seu mau comportamento. A toxicodependência aliada às más notas tornam-no uma personagem explosiva e imprudente. Como se não bastasse, está apaixonado pela sua meia-irmã. O colégio não é o mesmo com a chegada de Valerio, a alma de qualquer festa. 

  • Cayetana (Georgina Amorós)

Inicialmente, Cayetana é retratada como uma ameaça: parece popular graças aos milhares de seguidores que tem no Instagram e à facilidade com que se integra. No entanto, ao contrário do que seria de esperar, não é a típica menina cruel: é simpática e prestável. Mas, não podemos esquecer-nos de que se trata de Elite, onde nada é um conto de fadas. As aparências iludem e Cayetana é a prova disso. Apesar daquilo que mostra aos seus colegas, não tem posses financeiras. É, na verdade, filha de uma empregada doméstica – algo visto como inaceitável naquele meio. Por isso mesmo, finge ser alguém que não é e ter uma vida que não tem para ser integrada. Consegue manter a fachada bastante tempo, controlando os colegas como se de fantoches se tratassem.

A temporada termina com plot-twists deliciosos que nos fazem ansiar pela já confirmada terceira temporada. A Netflix cumpriu o seu dever: faz todo o sentido existirem mais temporadas e não se perdeu, de todo, a magia da primeira. É uma renovação de tudo aquilo que nos agarrou à vida polémica dos estudantes de Las Encinas. 

Artigo escrito por Mariana Coelho
Corrigido por Adriana Alves

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