Entre a experiência e a mudança: o que significa formar profissionais de Audiovisual e Multimédia
No dia 5 de outubro, assinala-se o Dia Mundial do Professor, uma data que celebra o papel dos docentes na educação e na formação das novas gerações. Para assinalar esta data, a ESCS Magazine foi conhecer o percurso, a experiência e a visão dos coordenadores dos cursos da Escola. Nesta edição, damos voz à coordenadora da licenciatura em Audiovisual e Multimédia.
Formar profissionais de Audiovisual e Multimédia vai muito além de ensinar a dominar câmaras, programas de edição ou ferramentas digitais. Para a coordenadora da licenciatura, o percurso académico deve começar pela compreensão do ecossistema da comunicação e desenvolver, ao longo dos três anos, a capacidade de pensar, fazer e conceber projetos.
Logo no primeiro ano, os estudantes são chamados a compreender o contexto em que estão inseridos: uma escola de comunicação, onde o audiovisual e o multimédia se cruzam com diferentes áreas dos media. A esta dimensão juntam-se competências técnicas e práticas, o trabalho em equipa e outras competências transversais.
A proximidade com o mercado de trabalho é uma das características do ensino politécnico, mas a coordenadora considera essencial preservar o espaço para experimentar . Se várias unidades curriculares permitem desenvolver projetos em parceria com a sociedade , a escola oferece também tempo para experimentar sem os constrangimentos do contexto profissional. É nessa liberdade que pode surgir a inovação.

E se o mercado está em constante transformação, a formação tem de acompanhar esse movimento. A entrada de novas ferramentas, nomeadamente de inteligência artificial, está a alterar o panorama profissional, mas não existe uma única área dominante. Os diplomados encontram percursos diversos, da produção e realização audiovisual ao desenvolvimento multimédia, UX e UI, escrita de guiões ou comunicação e estratégia. Mais do que preparar para uma função específica, o objetivo é formar profissionais capazes de se adaptar.
Essa versatilidade é particularmente importante para os estudantes que ainda não sabem qual o caminho que querem seguir. Em vez de escolherem cedo entre edição, captação, fotografia ou design, a coordenadora aconselha-os a experimentar. A licenciatura oferece uma formação de “banda larga”, permitindo conhecer diferentes meios e compreender as suas especificidades. O objetivo é que, perante cada projeto, o futuro profissional saiba escolher a ferramenta mais adequada.
Fora da sala de aula, a construção do percurso também depende da iniciativa dos estudantes. Participar nos projetos da escola, procurar experiências fora da academia e colaborar com pequenos clientes são formas de começar a construir um portefólio. A recomendação é aproveitar o tempo para experimentar, sobretudo nas áreas que mais despertam interesse.
Entre os erros mais comuns, a coordenadora destaca a gestão do tempo. A ansiedade associada à necessidade de terminar todos os trabalhos pode dificultar a aprendizagem. Para ela, é essencial aproveitar o tempo disponível nas aulas e perceber que nem todas as unidades curriculares terão de resultar na melhor nota. Investir mais numa área de interesse e aceitar uma classificação menos elevada noutra pode significar adquirir competências mais importantes para o futuro.

A própria coordenadora conhece o percurso de estudante na ESCS por experiência própria. Depois de concluir a licenciatura, passou pelo gabinete de comunicação da escola, trabalhou noutras empresas e teve uma experiência empresarial ligada à gestão de projetos. Desenvolveu trabalho em design gráfico e comunicação e transitou posteriormente para o design de experiência de utilização e interfaces, antes de regressar à ESCS como docente. Há cerca de dois anos tornou-se professora a tempo inteiro.
É precisamente essa experiência profissional que procura levar para a sala de aula. Mais do que transmitir conhecimento, destaca o gosto por acompanhar os processos de aprendizagem e os projetos dos estudantes. Para ela, essa ligação entre experiência profissional e ensino é uma das mais-valias do ensino politécnico.
Se estivesse a contratar um profissional de Audiovisual e Multimédia, procuraria sobretudo três características: capacidade de adaptação, pensamento crítico e capacidade de trabalhar em equipa. Num setor em constante mudança, aprender a aprender torna-se essencial. Perante ferramentas que facilitam cada vez mais determinadas tarefas, saber tomar decisões com sentido crítico ganha ainda maior importância. A isto junta-se a capacidade de ouvir, compreender e colaborar com profissionais de diferentes áreas.
O percurso académico pode ser também uma oportunidade para construir relações que se prolongam para além da licenciatura. Olhando para os seus anos enquanto estudante, a coordenadora reconhece que teria investido mais cedo na criação dessa rede de contactos. Os colegas de hoje podem ser os futuros colegas de profissão e essa dimensão social é também parte do processo de aprendizagem.
No fundo, não existe uma única forma de ser profissional de Audiovisual e Multimédia. Pode trabalhar-se numa empresa, integrar uma equipa multidisciplinar ou desenvolver projetos de forma independente. Pode haver dias passados numa filmagem e outros dedicados à edição ou ao planeamento de uma produção. Essa diversidade é uma das características que tornam a área tão abrangente.
E, entre cinema ou televisão, realizar ou editar, fotografia ou vídeo, a coordenadora não hesita: prefere cinema, realizar, vídeo e imagem. Escolhe ainda o Premiere, uma manhã de filmagem às seis, um bom projeto com pouco orçamento e, acima de tudo, estar atrás da câmara. Porque, numa área em permanente transformação, talvez a escolha mais importante seja continuar a experimentar.
Fonte da capa: Pinterest
Artigo corrigido por: Érica Gregório
AUTORIA
Éris é aluna do 1.º ano em RPCE e sempre foi apaixonada pela escrita. Natural de Portimão, no Algarve, teve de se mudar sozinha para Lisboa para prosseguir os estudos, o que lhe trouxe inúmeros desafios. O ambiente académico sempre a intimidou e, agora, vivendo-o de forma tão intensa e longe de casa, sentiu a necessidade de escrever sobre essa experiência, com o objetivo de inspirar e motivar futuros estudantes.
A sua vida também foi marcada pela arte: toca piano há oito anos e dedicou quinze anos à dança, paixão interrompida devido a uma cirurgia à coluna que a afastou dos palcos, mas nunca do amor pela expressão artística.

