Mundo Académico

Que a curiosidade nunca se perca

Fazer bom Jornalismo é, no fundo, conseguir fazer chegar ao maior número de pessoas informação sobre o mundo. Seja através de uma reportagem, um podcast, o jornal da manhã, entre outros. O mundo merece estar informado. Em tempos, costumava ver-se esta profissão quase como um Quarto Poder. Afinal, quem melhor para representar os cidadãos nas suas dificuldades do que alguém com uma câmara, um microfone e uma boa dose de questionamento?

Um dos maiores desafios desta profissão, e que, com o avanço das novas tecnologias, apresenta uma constância crescente, é o combate ao clickbait e ao sensacionalismo. É fundamental formar bons profissionais que se apaixonem, de facto, pelo jornalismo: pela escrita, pelo trabalho de campo, por arriscar e querer saber sempre mais.

“Tens de ter uma curiosidade natural pelo mundo”

A curiosidade e a vontade de saber sempre mais um pouco é muito importante. É esta ideia que o coordenador do curso de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social procura deixar aos seus alunos. 

Paulo Moura é jornalista, professor e recebeu este ano o cargo de coordenador do curso. Desde muito novo que é amante da escrita e de viajar, acabando por encaixar estas duas paixões nesta profissão. “Viajar não é só ir aos sítios, é a curiosidade, é conhecer pessoas”, afirma. Um pontapé de saída para se construírem peças maravilhosas e reportagens ricas. 

Atualmente, Paulo Moura é um repórter freelancer, mas durante 25 anos foi jornalista no Jornal Público. Foi convidado para ir a uma aula na Escola Superior de Comunicação Social para desenvolver alguns assuntos, como a Reportagem. Passado algum tempo, foi chamado para lecionar algumas unidades curriculares, onde se mantém há 22 anos. Conjugou durante algum tempo os dois cargos, professor e jornalista do Público. “Para mim não faria sentido ser professor, sem ser jornalista ao mesmo tempo”, confessou o coordenador, mantendo essa posição até aos dias de hoje.

É um ponto extremamente positivo, do ponto de vista dos alunos, interagirem com professores que têm experiência e histórias reais do mundo do trabalho. Estar em aula a ouvir o professor a dizer que no fim de semana anterior entrevistou o Presidente da República é muito mais interessante e aumenta a proximidade dos jovens com a área. “Para mim fazia sentido isso, ser jornalista e estar no ativo […] e ao mesmo tempo dar aulas e poder trazer para as aulas a minha experiência”. É esta a posição do coordenador do curso, que acha uma mais-valia manter as duas profissões.

Fonte: Site ESCS

“Pode-se viajar até ali ao fim da rua”

O professor sublinha a importância do trabalho de campo, de viajar, sair da redação e olhar diretamente para o que nos rodeia. “Eu sempre fui um jornalista de rua, passava pouco tempo na redação”, confessa. Um dos pontos que denota está associado à rapidez da nossa era. As novas tecnologias fazem com que tudo pareça mais acessível. Contudo, sair da redação é o primeiro passo para se permitir entrar naquilo que ainda não foi visto e merece ter voz. O Jornalismo também é isso. “O lugar do jornalista é na rua”, seja em grandes ou pequenas viagens.

“Há situações difíceis”

Muitas vezes, os profissionais deparam-se e têm de passar por cenários mais complicados. Por exemplo, colocando-se em situações de risco ou em situações extremamente desconfortáveis. Faz parte de “vivenciar o sofrimento humano”. “Isso às vezes é mais duro do que propriamente o perigo que tu pessoalmente sofres”, afirma o professor da ESCS, fazendo menção aos obstáculos que se enfrenta enquanto repórter de campo. Porém, nessas situações mais desagradáveis, aprende-se imenso sobre novas culturas, estilos de vida, a realidade de cada um e, também, funciona como processo de autodescoberta.

O tato, a empatia, o envolvimento com o outro são de extremo valor para esta área. Lições importantes a serem passadas pelos professores e formadores aos seus alunos. Por vezes, na realização deste trabalho de campo, nomeadamente, em outros países, há grandes choques culturais. Paulo Moura fala sobre a dificuldade em lidar com esses choques: “tens de olhar para isso, e como é que lidas com isso? Criticas, aceitas ou dizes que é uma coisa cultural?”. 

Estas histórias e dicas são contadas aos alunos para que percebam aquilo que podem vir a encontrar na sua futura profissão. Ser professor é ensinar as partes boas, mas essencialmente ensinar a enfrentar as partes mais complicadas.

“Ir um pouco mais além”

Há sempre um interesse prévio antes de ingressarmos em qualquer curso do ensino superior, todavia, o primeiro contacto acontece em sala de aula. Sobretudo, aulas mais práticas onde se passam dicas, tarefas e projetos muito parecidos aquilo que irá encontrar mais tarde, ao longo da carreira. Tudo começa com o professor e os alunos e continua com a motivação e iniciativa de cada jovem em absorver maior conhecimento, fazer perguntas e “ir um pouco mais além”. 

“Cada aluno deve saber aquilo que deve saber e, se for preciso, perguntar aos professores até, chateá-los”, declara o coordenador do curso de Jornalismo, fazendo menção à iniciativa e à curiosidade e colocando-os como fundamentais para exercer esta profissão.

Fonte: ESCS Magazine

O Dia Mundial do Professor, celebrado a 5 de outubro, moveu a ESCS Magazine a entrevistar os coordenadores das licenciaturas da ESCS. Ser professor é formar futuros profissionais, ajudar a desenvolver capacidades e a encontrar o melhor caminho.

Ser coordenador e professor do curso de Jornalismo é sobre gerir e organizar aulas teóricas e práticas para que estas desafiem os jovens a experimentar e perceber o que realmente querem. 

Fonte da capa: ESCS Magazine

Artigo revisto por: Érica Gregório

AUTORIA

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Vinda da zona de Peniche, da sua tão adorada localidade de São Bernardino, a Érica veio parar a Lisboa, à ESCS, com o grande objetivo de estudar e de se tornar uma boa profissional na área do jornalismo. Desde pequena sempre adorou escrever e comunicar e acredita que há sempre coisas novas para aprender sobre o mundo que a rodeia. Gosta muito de conviver com a família e os amigos e está sempre aberta a conhecer pessoas novas. Tem uma “obsessão” saudável por cookies e ambiciona viajar para todas as partes do mundo. Com o lema “se te faz feliz, é porque vale a pena” bem assente, está pronta para arriscar, falhar e aprender com os erros as vezes que forem precisas para alcançar os seus objetivos e sonhos.