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Um dia numa sala iraniana

«The living room is the space that protects the integrity of the individual and marks the boundaries between the public and the private spheres. A place where individuals can just be with themselves and not feel compelled to make an impression or conform to the tastes of others.»

A exposição «Iranian Living Room» apresenta o trabalho de sete indivíduos iranianos, que fotografam a sala de estar de diferentes famílias do Irão, por ser o único local onde a vida é vivida em privado e na sua plenitude.

Em exibição até ao dia 26 de maio na Fábrica Features, em Lisboa, «Iranian Living Room» dá-nos a conhecer a realidade iraniana de um ponto de vista diferente: a religião e as regras que lhe são impostas, o ato de vestir, as diferenças culturais, a solidão, a convivência e os segredos.

Sina Shiri apresenta uma fotografia cujo objetivo é dar a conhecer a realidade dos jovens iranianos. Estes, vendo-se sem quaisquer subsídios por parte do Estado, sentem-se obrigados a mudar de casa; assim, acabam numa sala onde são os únicos a respirar.

Por outro lado, Ali Tajik mostra-nos um pouco da religião e dos rituais que configuram a mesma (imagem 1).

ART - «Iranian Living Room» (18 maio) - imagem corpo 1Imagem 1

Morteza Soorani dá-nos a conhecer a história de um casal iraniano. Barbod e Saghi encontram-se, em segredo, há um ano e meio; isto porque têm famílias conservadoras e tradicionais, que não aceitariam bem a relação de ambos. Ela estuda Literatura Inglesa e vive numa residência de estudantes; ele vive e trabalha num estúdio de gravação. Viajam muito, o que lhes permite viver a relação fora dos padrões da cultura iraniana (imagem 2).

ART - «Iranian Living Room» (18 maio) - imagem corpo 2Imagem 2

Nazanin Yazdi apresenta a noção de solidão, estando relacionada com a ligação aos animais. Isto porque, no Irão, não é permitido levar os animais – especialmente os cães – à rua, mostrando uma ligação com os mesmos. Assim, as pessoas acabam por se isolar do exterior, ficando em casa com os seus animais.

De seguida, Mohammad Amya revela-nos um pouco sobre o dia a dia de uma família comum. Este quotidiano, estando baseado num dia de festejo ou de cerimónia tradicional, evidencia o papel da mulher. Isto é, são as mulheres a preparar a refeição e é na sala que todos se encontram para conviver e festejar (imagem 3).

ART - «Iranian Living Room» (18 maio) - imagem corpo 3Imagem 3

Hamed Ilkhan revela-nos, através da fotografia, um pouco sobre a história dos seus avós – Akbar e Marziyeh. O seu avô, que tem Alzheimer e alguma dificuldade em andar, passa os dias em frente da televisão, sem se importar com o que se passa em seu redor. A sua avó, que tem também alguns problemas de saúde, não abandona o marido nem por um minuto. A sala e a religião são os elementos de ligação entre ambos (imagem 4).

ART - «Iranian Living Room» (18 maio) - imagem corpo 4 Imagem 4

Por fim, Mahshid Mahboubifar apresenta a realidade entre colegas de casa: as regras que existem para uns e que não existem para outros, as atividades do dia a dia e o ambiente que rodeia todo o espaço envolvente.

Na sala de estar conversamos, convivemos e ficamos em silêncio a pensar no dia que termina agora. O Irão é longe; mas, na verdade, o Irão não é tão longe assim. Na sala de estar iraniana, as pessoas conversam, convivem e ficam em silêncio a pensar no dia que terminou. «Iranian Living Room» tem como objetivo principal fazer-nos pensar de outra forma sobre a realidade iraniana. Faz-nos olhar, observar e entender que esta não é pior, é diferente.

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