7ª Arte

Focus – Jogo Duplo em todos os aspectos

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Glenn Ficarra e John Fequa, cujos trabalhos incluem Bad Santa, assim como Crazy Stupid Love, escrevem e realizam Focus, uma comédia romântica recheada de mistério e reviravoltas, onde o amor e o engano estão sempre presentes, e que conta com um elenco com os notáveis nomes de Will Smith, Margot Robbie e Rodrigo Santoro.

Fazendo uma breve introdução à narrativa, esta centra-se nas vidas de Nicky Spurgeon (Will Smith) e Jess Barnet (Margot Robbie), dois vigaristas que pertencem a uma equipa de estelionato liderada por Spurgeon e que se apaixonam mal se conhecem, iniciando uma relação. No entanto, Nicky apercebe-se de que misturar amor no mundo da burla é um erro e acaba por abandonar Jess, reencontrando-a três anos depois em Buenos Aires, quando as vidas de ambos se cruzam com a do bilionário argentino Rafael Garriga (Rodrigo Santoro), dono de uma equipa de automobilismo.

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Antes de visualizar o filme, tinha em mente dois cenários: ou centrar-se-ia demasiado nos clichés do romance e acabaria por desiludir, ou confirmaria todo o potencial que parecia ter e agarrar-me-ia desde o primeiro segundo. Infelizmente, foi a primeira situação que sucedeu.

Apesar disso, destacam-se vários pontos altos em Focus, sendo o principal a forma como Nicky Spurgeon e a sua a equipa actuam, aproveitando momentos de confusão na rua ou interferindo com o cérebro humano de modo a influenciar o comportamento. Estes aspectos cativaram-me bastante e, na minha opinião, mereciam mais destaque, podendo até servir de motor para o filme.

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Há alturas em que os realizadores nos oferecem um pouco de humor, por vezes subtil, e um suspense que estimula o nosso interesse, fazendo fluir a narrativa. No entanto, momentos como esses são ofuscados pela recorrente trama amorosa entre as personagens de Will Smith e Margot Robbie, cujas cenas e diálogos, como referi anteriormente, estão banalizadas em pelo menos trinta outros filmes que já vi, corroborando a demasiada previsibilidade e pouco ou nada acrescentando ao enredo.

Quanto ao desempenho dos actores, Focus comprova que o auge da carreira de Will Smith passou à história e que os tempos de Men In Black e I am Legend já lá vão. Com uma representação pouco credível de princípio ao fim, não foi suficientemente capaz de me convencer que o homem que via não era Smith, mas sim Nicky Spurgeon. O mesmo sucede com Margot Robbie, que, depois de um excelente desempenho em O Lobo de Wall Street, pouco esforço fez para que houvesse alguma evolução na sua personagem, não exibindo totalmente a pessoa que os realizadores queriam que Jess Barnet fosse. O destaque vai mesmo para Rodrigo Santoro, que, apesar do seu papel secundário, conseguiu transmitir a ganância, malvadez, ambição e loucura características de Garriga.

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Um apontamento que vale a pena destacar é a presença da música Lisboa Mulata dos Dead Combo na trilha sonora do filme, um enorme feito para a banda portuguesa, que assim comprova o reconhecimento que tem obtido a nível internacional.

Focus teria sido memorável caso Ficarra e Fequa se tivessem focado totalmente na arte do engano em vez de optarem pelo facilitismo do cliché. É caso para dizer que a expressão “jogo duplo” encaixa na perfeição na totalidade do filme: não só se adequa ao enredo, mas também ao título – promete ser uma coisa que na verdade não o é.

 

 

 

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