Capital

‘Funky Chunky’: bolachas orgulhosamente imperfeitas

Todos podemos concordar que não há nada como umas boas bolachinhas acabadas de sair do forno. O cheiro torna-as apetecíveis e o sabor irresistíveis as torna. Mesmo que algumas fiquem queimadas, partidas, demasiado doces ou salgadas, foram feitas com carinho (e devoradas com tudo menos isso). Na Funky Chunky, orgulham-se de ter cookies imperfeitas.

“Como não somos um produto industrializado, feito por máquinas”, sem conservantes ou ingredientes químicos, as cookies “acabam por não ficar sempre iguais.” A receita é a mesma, tal como a fornada, mas “uns podem ficar mais altos, outros mais baixos, ou então mais moles por dentro, ou mais crocantes.” E, para a responsável pela Funky Chunky, “isso é que é divertido!”, porque, no fundo, “todos nós também somos diferentes e são essas diferenças que nos tornam especiais e únicos”!

Sofia Pontifex Horn, 24, é a responsável por estas delícias. Deixou o Brasil para vir morar para Portugal há 4 anos. Sofia trabalhava numa agência criativa na área de branding, mas, com o começo da pandemia, acabou por ser demitida. Há males que vêm por bem e esta demissão foi o “empurrão necessário” para se dedicar, a tempo inteiro, a este projeto que “sonhava concretizar”. No início do confinamento, encontrava-se em São Paulo com a família, pelo que lançou a tão desejada marca de cookies lá, em parceria com uma “marca de delivery de comidas de cinema”. Assim que regressou a Lisboa, começou a vender a partir da cozinha da sua casa. Mesmo assim, deixou em São Paulo funcionários encarregados da produção.

Sofia sempre foi viciada em doces e as cookies são a sua guloseima de eleição. Assim, a Funky Chunky surgiu de uma necessidade de bolachas com recheio generoso, crocantes por fora e moles por dentro. Mas o processo para atingir esta receita ganhadora “foi muito trabalhoso”. Sofia conta-nos que “sabia exatamente o tipo de cookie que queria”, mas teve de testar “mais de 100 receitas diferentes” para o conseguir. Este processo demorou nada mais nada menos do que um ano! Durante a feitura das cookies, usam sempre máscara e esforçam-se para que a área de trabalho esteja extremamente higienizada a todo o momento. A lavagem das mãos e o álcool gel são constantes.

Mas porquê “Funky Chunky”? Segundo a criadora deste conceito, porque a marca é “rebelde, divertida e gulosa ao mesmo tempo”. “Funky” remete tanto ao estilo de música para dançar, como a algo não convencional. “Chunky” refere-se aos chunks, ou seja, aos pedaços. Sim, pedaços, e não pepitas. Sofia frisa a distinção entre as chocolate chips (pepitas de chocolate) e os chocolates chunks, “pedaços mais generosos, irregulares, e imperfeitos como a nossa marca.”

Segundo Sofia Pontifex Horn, “a Funky Chunky é para quem aprecia um bom cookie”. Por isso, se é o teu caso, atenta nos sabores disponíveis: Nutella, chocolate, chocolate branco e nozes, chocolate e nozes, peanut butter, doce de leite e Kinder Bueno. O difícil é escolher! Os preços de cada cookie rondam entre os 2 e os 3 euros, acrescendo com a taxa de entrega consoante a morada do consumidor. O pedido mínimo é de 3 cookies, sendo que o total (sem taxa) rondará os 9 euros.

Podes comprar as cookies já assadas ou, se preferires, comprá-las congeladas, para que as possas levar ao forno e fazê-las quando te apetece. Assim, podes comê-las sempre quentes. “É um conceito que ainda não existe em Portugal, portanto, queria explorar isso”, explica Sofia, que se inspirou na ideia do pão de queijo congelado. As cookies congeladas vão embaladas em vácuo e com um manual de instrução que explica como as fazer da melhor forma. Já as assadas vão num saco individual e numa caixa cor de rosa.

Para encomendar, basta enviares uma mensagem privada para o Instagram da Funky Chunky (@funkychunkycookies), especificando: sabores e quantidades, se são assadas ou congeladas, por delivery ou takeaway, a morada no caso de ser delivery, o dia e hora desejada para a recolha ou entrega e o método de pagamento (MBway ou transferência bancária). Também é possível encomendar as cookies através da UberEats, da Glovo e da Bolt Food todos os dias, exceto segunda-feira.

A cookie de Nutella é a best-seller, seguida da cookie de doce de leite, a de Kinder Bueno e a de peanut butter crocante. De acordo com os clientes, aquilo que distingue a Funky Chunky é o sabor da massa: “muitos até dizem que adoravam comer cookies sem recheio só para sentir o sabor da massa de tão bom!” O facto de chegarem quentinhas também é um plus.

Tive a oportunidade de provar cada um destes sabores e, à medida que o fazia, cada um ia superando o anterior. Sou aquilo que Sofia apelida de “chocólatra” – “Acredito que um verdadeiro chocólatra nunca recusa um chocolate quando surge a oportunidade.  E se não tem a oportunidade de comer, o mesmo a cria” – e, por esse motivo, todas as cookies que envolvam chocolate ocupam um lugar especial no meu coração. Por isso mesmo, tenho de atribuir o top à cookie de Nutella, à de Kinder Bueno e à de chocolate. A de doce de leite merece uma menção honrosa e a de manteiga de amendoim é ideal para os seus aficionados.

A questão é que, mesmo sem qualquer recheio, estas bolachas valeriam por si. Os ingredientes estão em pura sintonia. Para ajudar à festa, os rebordos das bolachas são crocantes, enquanto o meio é mole. Bem dizem que é no meio que está a virtude. E são tão boas no dia seguinte como no próprio dia. Apesar de perderem um pouco a crocância, não ficam duras, nem perdem o sabor. Mesmo que quisesse, não podia dizer que uma das bolachas estava menos bem conseguida. São todas boas à sua maneira e adequadas aos gostos de cada um. Além de tudo isto, não são enjoativas. Contudo, se optares por experimentá-las, faz-te acompanhar de uma garrafa de água.

Na Funky Chunky, estão sempre a inventar formatos diferentes, como cookie sandwich, copos de shot e miniaturas – ainda não são fixos no menu, mas talvez em breve! É aproveitar quando surgem. Todos eles são feitos com ingredientes “de verdade”, de “muita qualidade” e “sem nenhum daqueles ingredientes que mal conseguimos ler o nome”, ou seja, os que estão presentes em cookies industrializadas, como pirofosfato ácido, bicarbonato de amónio, permeado de soro de leite e emulsificante.

A loja da Funky Chunky, aberta recentemente, está localizada na Rua Luciano Cordeiro 25B. Funciona de terça a domingo das 14h30 às 22h30 e fica perto do Hospital dos Capuchos. Com o aliviar das restrições da Covid-19, será possível sentares-te numa mesa a desfrutar da tua cookie e até de um café. Se em vez de quereres comprar, quiseres vender, também o podes fazer, sendo revendedor da Funky Chunky. Costumam entregar as cookies congeladas e embaladas a parceiros “que fazem sentido para a marca”, sendo que estes apenas têm de as conseguir colocar num forno convector para as assar da forma correta. Esta ideia surgiu com o objetivo de “aumentar os pontos de contacto com os clientes e fazer com que mais pessoas provem os nossos cookies”, explica Sofia.

Segundo a responsável pela Funky Chunky, a resposta às cookies tem sido “simplesmente incrível!”. Para si, tal reação deve-se ao facto de, em Portugal, não existir muito o conceito de cookies, sendo que a pastelaria “ainda é bastante tradicional de uma maneira geral”. O negócio “está a crescer cada vez mais e super rápido” e o plano é expandir e melhorar cada vez mais. Que assim continue! Se quiserem cookies de qualidade, não deixem de visitar a Funky Chunky. Já dizia Sofia Pontifex Horn: “se é para gastar calorias num doce, escolha um que valha muito a pena”.

Artigo revisto por Ana Sofia Cunha
Fotografias da autoria de Mariana Coelho