George Orwell, o autor de “Quinta dos Animais” e “1984”
Apesar da sua aparência banal, George Orwell não teve nada de banal na sua vida: perseguiu pessoas na floresta Indo-Burma, levou um tiro na garganta durante a Guerra Civil Espanhola e viveu como um sem-abrigo durante anos por escolha própria.
Este autor não escreveu apenas 1984: viveu-o até certo ponto, porque foi vigiado pelo governo britânico. Mas para perceber mais a fundo os seus livros, é melhor conhecer primeiro o homem por detrás deles.
Em 1903, na Índia, nasceu George Orwell – ou melhor, Eric Blair, o nome dado originalmente pelos os seus pais. O seu pai era um agente que trabalhava para o Império Britânico e era muitas vezes descrito como rígido, impiedoso e severo. Por outro lado, a sua mãe, Ida Blair, era descrita como o completo oposto: alegre, doce e otimista. Não demorou muito até que estas duas personalidades colidissem e que Ida percebesse que tinha de afastar os seus filhos daquele ambiente. Tomou então a decisão de os levar para Inglaterra.
Esta decisão abriu caminho para outro problema: a pobreza. Apesar do alto status que o pai dos seus filhos tinha, Ida não tinha dinheiro absolutamente nenhum. As fortunas da família tinham sido dadas pelo governo: a casa, os criados e o carro com o qual se deslocavam. Mesmo com altas esperanças, Ida apercebeu-se de que não tinha dinheiro para comprar brinquedos para os seus filhos. O pequeno Eric entretia-se com os velhos livros que estavam em casa a ganhar pó, através dos quais começou a desenvolver o amor pela escrita. Começou então a escrever um diário que intitulou Beastiary, onde desenhava animais, cada um com o seu super-poder. Muitos debatem se este diário proporcionou uma certa inspiração para, mais tarde, escrever o romance Quinta dos Animais.
O amor pela escrita não lhe proporcionou apenas uma forma de passar o tempo, mas também o desejo de aprender. Esperançoso, pediu à mãe para ir para um colégio, no entanto, devido à má situação financeira em que a família se encontrava, Eric só teria hipótese de entrar num colégio com uma bolsa de mérito. Felizmente, assim aconteceu: quando tinha oito anos, ganhou uma bolsa para frequentar o Colégio St. Cyprian’s, uma escola básica com muito boa reputação na altura. Quando acabou o seu percurso no colégio, entrou numa escola interna conhecida como Eton, e, apesar do bom nome, a vida social do adolescente não se adequou à qualidade das aulas que ali tinha. Os seus colegas, ao contrário do escritor, não tinham dificuldades financeiras, por isso, quando falavam dos seus acontecimentos diários, Eric ficava muitas vezes excluído de vários grupos de alunos por não partilhar do mesmo estilo de vida. Era constantemente relembrado de que não estava no mesmo padrão que os restantes. Terá sido durante este tempo que começou a sentir uma aversão aos ricos e uma simpatia pelos mais desfavorecidos.
Por não querer repetir este mesmo padrão na universidade, desistiu da escola interna, juntou-se à Polícia Imperial Indiana e mudou-se para Myanmar, com expectativas de viver uma vida dura, porém honesta.
Esta ilusão não durou muito tempo. Blair apercebeu-se rapidamente de que aquele trabalho ia contra todos os seus valores. Voltou para Inglaterra com a promessa de avisar o povo quanto aos horrores que o Império Colonial praticava diariamente na Ásia.
Mas a culpa que sentia era tanta que, julgando não merecer continuar em casa, achou por bem emigrar para Paris. Em Paris, viveu como um sem-abrigo, ganhou dinheiro ao lavar a loiça de restaurantes, dormiu em becos escuros e até fingiu ser francês para entrar num abrigo sobre o qual queria escrever.
Esta experiência parisiense inspirou o livro Na Penúria em Paris e Londres, e foi neste contexto que criou o nome George Orwell. A origem do nome vem do facto de o autor escrever sobre os mais desfavorecidos, algo que não era tão comum na sociedade britânica da altura.
Outro grande evento na vida deste autor foi a Guerra Civil Espanhola. Quando começou, candidatou-se para lutar ao lado dos Republicanos, que, no entanto, recusaram a sua candidatura. Mas Orwell não seria Orwell se aceitasse isso de ânimo leve e juntou-se ao Poum, um pequeno grupo militar. Rapidamente ficou ferido na guerra ao ser baleado na garganta. Quando melhorou quis voltar para a guerra, mas o seu grupo tinha sido banido pelos republicanos. O autor viu-se obrigado a dormir nas ruas espanholas para não ser reconhecido. De seguida, o autor voltou para Inglaterra.
Como qualquer outro autor, durante o seu tempo na guerra, George escreveu um livro (Quinta dos Animais), que todas as editoras na altura recusaram publicar, e contraiu tuberculose. Contudo, e apesar destas dificuldades, os livros da sua autoria começaram a vender cada vez mais.
Em 1945, quando a sua esposa morreu, George entrou num estado de depressão e mudou-se para uma ilha remota na Escócia. Foi nesta ilha onde acabou por escrever o livro que acabaria por mudar a sua vida: 1984. A obra foi um enorme êxito, e foi quando poderia desfrutar da fama e do reconhecimento que a tuberculose atacou mais forte do que nunca, matando-o em 1950.
Em suma, este famoso autor não viveu enclausurado em quatro paredes, nem usufruiu de uma grande riqueza como outros grandes autores. No entanto, foi capaz de escrever obras-primas e quebrar tabus na sociedade britânica baseadas nas suas experiências e valores.
Fonte da Capa: Royal Mint
Artigo revisto por Érica Gregório
AUTORIA
Desde sempre que a Maria sente gosto em escrever, mesmo quando era bastante pequena tinha um caderninho onde punha-se a escrever as matrículas que via nos carros ou a escrever nomes que via fora de casa aleatoriamente. Viu na ESCS Magazine uma oportunidade de ouro de reviver este gosto e da mesma forma de falar sobre outro assunto que lhe interessa (literatura). Sempre gostou de ler e até chegou a “gabar-se” aos seus amigos o quão rápido lia os livros do Geronimo Stilton. Já gastou mais dinheiro em livros do que gostava de admitir, no entanto é bastante provável “investir” mais dinheiro no seu hobbie.



