Opinião

Gerir redes sociais

Gestor de redes sociais e Gestor de social media, em português, ou Community manager e Social media manager, em inglês (e porque soa melhor ao ouvido), são expressões em voga no que se refere ao recrutamento na área das redes sociais. Se ainda há sectores em que a perspectiva de empregabilidade existe ao fundo do túnel, este é um deles. Na prática, os termos atrás mencionados referem-se a um mesmo perfil: o profissional que detém os conhecimentos e as skills (podia escrever competências?; podia, mas não era a mesma coisa; alguém decidiu que, nesta área, é trendy utilizar estrangeirismos) para desempenhar a função de gestão de redes sociais. A tarefa implica, basicamente, três etapas principais: o planeamento, a implementação e a monitorização. Mas já lá chegaremos.

Em primeiro lugar, há que distinguir dois conceitos que são frequentemente alvo de confusão (acabando por ser utilizados indiferenciadamente). Vamos, então, meter cada macaco no seu galho. Redes sociais e social media são a mesma coisa? Não, não são. Então, o que são o Facebook ou o Twitter, por exemplo? Se nos estivermos a referir à plataforma, são social media. Se nos estivermos a referir à rede de pessoas que os constituem, são redes sociais. Ou seja: social media é a plataforma online (o site, simplificando) e a rede social é o conjunto de pessoas que fazem parte dela e que se relacionam entre si.

Posto isto, faz sentido falarmos em Gestor de redes sociais ou em Gestor de social media? A resposta é a primeira opção, porque este profissional gere as interacções comunicacionais que se estabelecem com e entre os fãs – daí o nome em inglês ser community manager. Aqui, o termo comunidade faz todo o sentido, porque é disso mesmo que se trata: uma comunidade online de pessoas que partilham um determinado interesse.

Gerir Redes Sociais (Marcos Melo)
Ilustração de Ana Oliveira

Voltemos, então, às fases da gestão de redes sociais.

1. Planear

O planeamento é a pedra basilar, sem a qual todo o trabalho a jusante fica comprometido. Um bom planeamento é meio caminho andado para alcançar o sucesso. Todas as publicações, sem excepção, devem ser planeadas. O investimento nesta fase poupar-nos-á tempo precioso mais à frente. Para além disso, ajuda a prevenir situações evitáveis.

2. Implementar

As publicações só devem ser efectuadas depois de devidamente planeadas. É claro que depende das exigências de cada página, mas diria que se deve fazer um planeamento semanal e, em paralelo, ir analisando, dia após dia, o que já foi publicado e o que ainda há por publicar. Nem sempre é possível saber à partida o que vai ser publicado durante toda a semana, portanto temos que ir redefinindo prioridades, tendo em conta as novas publicações que vão entrando na agenda bem como os imprevistos de última hora.

3. Monitorizar

É necessário estar atento àquilo que acontece na página, nomeadamente ao nível das interacções. Se normalmente a quantidade é quem mais ordena, hoje em dia, verifica-se que o paradigma está a mudar: a qualidade das interacções começa a ganhar destaque em detrimento da quantidade. Temos que perceber o que os nossos fãs dizem para, se for caso disso, replanearmos as nossas publicações. Numa perspectiva de gestão avançada, a monitorização também pode ser feita ao nível da análise de estatísticas.

 

Pontos a reter:

1. Redes sociais e social media não são a mesma coisa.

2. Gestão de redes sociais – ou de comunidades – é o termo mais adequado.

3. O planeamento é uma fase essencial na gestão de redes sociais.

 

(Este artigo foi escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico).

Avatar

Diz que é o cota da ESCS MAGAZINE. Testemunhou o nascimento do projeto, foi redator na Opinião e, hoje, imagine-se, é editor dessa mesma secção. Recuando no tempo... Diz que chegou à ESCS em 2002, para se licenciar, quatro anos mais tarde, em Audiovisual e Multimédia. Diz que trabalha há nove no Gabinete de Comunicação da ESCS – também é o cota lá do sítio. Diz que também por lá deu uma perninha como professor. Pelo caminho, colecionou duas pós-graduações: uma em Comunicação Audiovisual e Multimédia (2008) e outra em Relações Públicas Estratégicas (2012). Basicamente, vive (n)a ESCS. Por isso, assume-se orgulhosamente escsiano (até ser cota).

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *