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«Há muito boas ideias que não saem de um PowerPoint»

Ideias. Há muita gente à procura de uma boa ideia. E muitas mais a tentar fazer com que alguém as oiça. Eis algumas dicas para fazer uma história de amor funcionar.

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«Eu lembro-me de ser jovem e ter passado por isso e foi top. Porque aqui consegue-se pôr as pessoas que estão a pensar da mesma forma, que querem melhorar a sua vida, que querem ter sucesso e que querem ser líderes, todos juntos. E quando se põem bons produtos sai um bom bolo. E é isso que é importante aqui: consegue-se pôr essas pessoas todas juntas a pensar e vão ter um networking para o futuro.»

Abrir um artigo com um pequeno monólogo não é ortodoxo, tampouco nos é ensinado nas aulas de jornalismo. Mas se há coisa que um jornalista aprende é a experimentar. E se há coisa que um jornalista aprende em workshops de publicidade é a imaginar. Façamos um pouco dos dois. As palavras acima (bem como o título desta peça) são de Tim Vieira, sul-africano, em entrevista exclusiva à ESCS MAGAZINE, que abriu as hostes e a manhã do evento local do Leadership Tournament 2015, no passado sábado, 24 de Outubro.

Ser líder não é para todos. Mas qualquer um pode tentar. O importante é não desistir. Na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS), 75 jovens empreendedores deram o seu melhor para provar aos “tubarões” do mundo da comunicação que são os únicos capazes de mudar o mundo. Divididos em 19 equipas – cada uma com um nome mais imaginativo que outra –, ao longo de dez horas, correram de workshop em workshop, de pitch em pitch e de speaker em speaker – mesmo assim, tudo em estrangeiro – tudo para mostrar que o seu lugar não é num PowerPoint.

Pela primeira vez na ESCS, este evento local de apuramento para o nacional da Associação Internacional dos Estudantes de Ciências Económicas e Comerciais (AIESEC, na sigla em francês), no próximo dia 20 de Novembro, é, nas palavras da diretora de relações externas da AIESEC, «para ficar na ESCS». Até porque, na opinião de Luís Rosendo, da Burson-Marsteller, o talento «pode estar em qualquer lado. Não há uma fábrica de talentos de eleição. Os talentos estão espalhados por aí e cada um vai aproveitando as oportunidades para os desenvolver.» No fim, saíram quatro vencedores: um para cada desafio e os dois com a melhor pontuação geral, apurados, então, para o evento nacional.

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Para André Moura, o A dos SIGA, «foi a vontade de querer experimentar uma coisa diferente» que o fez vir ainda de noite para a ESCS a um sábado. Isso e a oportunidade de criar «uma ligação mais forte» com a sua equipa e com novas pessoas; sem esquecer a «formação de quem já experienciou» o caminho que quer seguir, diz o estudante do primeiro ano de Relações Públicas. Pedro Henriques, presidente da AE ESCS, louva também o esforço dos escsianos (e não só) presentes, «não é fácil vir para aqui passar o dia todo fechado a fazer um desafio».

Os Desafios.
Houve dois desafios. A Young & Rubicam (Y&R) e a Mindshare foram as suas promotoras. «Nós encaramos isto como uma oportunidade não só de ensinar como também de aprender e de captação de talento», diz João Miguel Maria, diretor de planeamento estratégico da Y&R Portugal, que no final sairá de Benfica com quatro novos estagiários.

O primeiro desafio, proposto pela Y&R, pedia aos concorrentes para «temperar» a consolidação da ‘Paladin’. Já a Mindshare, no segundo desafio do dia, queria que os jovens encontrassem uma forma de aumentar os clientes nas lojas da Fnac neste Natal.

Na execução das ideias, as equipas contavam com o apoio de vários mentores que os acompanhavam ao longo de todo o processo. O burburinho – bastante sonoro – ecoava nos corredores da escola. As salas 1P8 e 1P9 estavam cheias e abafadas, com os cronómetros a correr, projetados em grandes dimensões na parede de cada sala.

«Há boas ideias, como há ideias mais fracas. Ouve-se de tudo. Mas a expectativa era a de que houvesse boas ideias até porque os alunos são ensinados para tal», conta Ana Teresa Machado, a diretora da licenciatura em Publicidade e Marketing da ESCS. «Quando temos o uma série de faculdades juntas para fazer um torneio deste género, temos uma ótima ideia, porque não só permite levar à prática uma série de ensinamentos e de conhecimentos que os alunos vão aprendendo ao longo do tempo, como principalmente lhes dá uma ideia daquilo que é o ambiente competitivo que nós vivemos.», diz ainda por seu lado João Miguel Maria.

O Pitch
Para Os 4 Marqueteiros, a estratégia foi «trabalho de equipa acima de tudo» e «pensar mais além». As bases nãos lhes pareciam importantes. Afinal, entraram na ESCS há pouco mais de um mês e vencer também não é o mais importante. «Experiência e reconhecimento», era a única coisa que pediam antes de entrarem no Auditório Vítor Macieira para apresentar a sua ideia ao júri – composto por representantes das empresas convidadas, da AIESEC e da ESCS. «O mercado de trabalho não sabe que existimos neste momento, mas vão saber», profetiza João Pereira.

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As ideias foram muitas. Houve quem quisesse pôr «uma língua gigante no Terreiro do Paço», outros, preferiam ir para lá fazer uma «almoçarada». As Mendinhas queriam ver o Papa a comer bifanas (e a manchar a batina de mostarda), enquanto a Tim Team optou pela irreverência e quis pôr a marca de molhos a «safar» de situações delicadas.

Transformar as lojas Fnac numa vila Natal também surgiu pelo meio e recuar aos anos 80 – tecnologia e videojogos – foi a proposta dos Rockin’ Killers, que fizeram um dos mais animados pitchs da tarde, para apelar ao mercado da nostalgia.

Depois da apresentação, sem forças para empurrar a pesada porta do auditório, as equipas vinham, na sua maioria, entusiasmadas, ou, pelo menos, não tão nervosas como quando tiveram de descer pela longa escadaria de tapete azul e fofo que os conduzia ao palco. «Estávamos à espera de que eles não reagissem muito, mas eles partiram-se a rir com a nossa ideia, então quando o João cantou… Estoirou!», diz Inês Agostinho, uma das 4 marqueteiras. «Agora vamos comer e não perder esta ansiedade que nos está a fazer dar o litro, é continuar assim». «Isto correu bem – podia ter corrido muito mal – mas agora a próxima tem de correr muito melhor», desabafa o mesmo João de há bocado, dos quatro caloiros que decidimos acompanhar do princípio ao fim.

Os Vencedores.
A tarde ia já longa, entrando a noite pelas largas janelas da escola. A agenda, como é habitual nestas coisas, há muito descarrilara, mas ninguém parecia aborrecido. Havia comida e bebida para todos, animação e sorrisos. Mais do que uma oportunidade de aprender com os oradores, os desafios ou os workshops, o Leadership Tournament abre a porta às relações, aprofunda laços e permite que pessoas com interesses comuns se conheçam.

Ainda assim, à medida que se aproximava o momento da revelação, as expectativas iam crescendo nos 75 participantes. Alguns pensavam notar nos comentários do CEO da Y&R, João Carlos Oliveira, pistas para o eventual desfecho. Mas, admita-se, a todos assentavam perfeitamente os traços do orador. «Ser criativo», diz o CEO, «é ser capaz de questionar o status».

A revelação veio com uma surpresa. Com duas surpresas, aliás. Os vencedores de ambos os desafios, a equipa que ganhou a oportunidade de estagiar nos escritórios da Mindshare e da Young & Rubicam, foi, talvez, aquela onde a prática era menor. Chegaram à ESCS, ainda há pouco dizia, há menos de um mês e logo nesse tempo, de uma assentada, levam para casa dois estágios (cinco: quatro na Y&R e um na Mindshare). É verdade, os caloiros, Os 4 Marqueteiros que ainda nem conhecem todos os cantos da escola, sacaram a melhor pontuação nos dois desafios, ficando automaticamente apurados para o desafio nacional (ou seja, dos quatro lugares vencedores, esta equipa ganhou três).

A outra surpresa está na segunda equipa apurada para o desafio nacional. Os Rockin’ Killers, que vieram «por desporto» e por causa das «saudades de estar juntos a fazer trabalhos» são surpresa porque, como o Tiago Eleutério não se cansava de repetir, eram os três (as equipas tinham na sua maioria quatro elementos) de Audiovisual e Multimédia.

Assim, parece que a chave para ganhar era ter tido o menor contacto possível com o curso de Publicidade e Marketing (PM). Será mesmo assim? A escola dá boas ferramentas, diz a diretora da licenciatura de PM. «Depende é dos anos letivos a que eles pertencem. A mim parece-me que os finalistas foram capazes de ser aqueles que não elaboraram as melhores ideias.» Questionada sobre se a diferença está nos planos de estudos diferentes, Ana Teresa Machado desvaloriza: «às vezes há forças de bloqueio e talvez não se tenham libertado. Há duas vertentes dentro desta escola – marketing e publicidade. Toda a parte criativa é muito mais desenvolvida para os alunos que escolheram a vertente de publicidade.»

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Para as equipas vencedoras, ainda incapazes de assimilar bem o que acabara de acontecer, a estruturação dos cursos pouco interessava. Ambas sabem que a competição nacional talvez não vá ser tão fácil. Os 4 Marqueteiros querem aprender os termos técnicos e os Rockin’ Killers vão manter a sua filosofia de descontração e afirmar quantas vezes quantas lhes for possível que são de Audiovisual e Multimédia.

(Fotos cedidas pelo número f)

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