Houve ou não referendo na Catalunha?

Este domingo, dia 1 de outubro, foi a data agendada para o referendo pela independência da Catalunha. O final da semana foi marcado por acusações entre o Governo espanhol e o Governo da Catalunha e pelo clima de tensão entre manifestantes e agentes da polícia.

Os Mossos d’Esquadra, polícia regional catalã, foram encarregues de ocupar os locais de votação espanhola para tentar impedir o referendo, o que não aconteceu na totalidade e acabou por ser entendido como um ato tendenciosamente político pela Procuradoria-Geral de Espanha. Por outro lado, o representante do Governo de Madrid na Catalunha garantiu que a polícia da Catalunha pediu, formalmente, reforço para 233 centros de votação.

Face à aparente ineficácia da polícia catalã, foram chamados mais de 10 mil oficiais da Guardia Civil e da Polícia Nacional, que invadiram, por toda a região, escolas ocupadas por manifestantes que tentavam manter os locais abertos para a votação. O referendo acabou por ser encerrado com êxito através de sucessivas cargas policiais. Estes confrontos provocaram ferimentos em 11 polícias e em 844 civis.

A ESCS Magazine contactou uma portuguesa residente em Barcelona há 2 anos e 10 meses, Margarida Silva, que afirma nunca se ter sentido insegura nem ter testemunhado ultimamente qualquer ato de violência nas ruas a não ser a cacerolada: «às 22 horas, os manifestantes batem em tachos e panelas nas ruas». Acrescenta, ainda, ter visto «polícias e votantes a conversar de forma pacífica».

Após o encerramento das urnas na Catalunha pouco depois das 20:00 horas locais, 19:00 horas de Lisboa, Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, declarou que no domingo passado “não houve um referendo de autodeterminação na Catalunha ” e agradeceu à polícia, acrescentando que atuou “com firmeza e serenidade”. A contrariar o discurso do primeiro-ministro, esteve o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, que denunciou “o uso injustificado, irracional e irresponsável da violência por parte do Estado espanhol”.

Apesar da competência dos agentes da Guarda Civil e da Polícia Nacional, cerca de 2 milhões de pessoas conseguiram votar e registou-se um resultado de 90% dos votos a favor da independência catalã. Quando questionada sobre a persistência do Governo da Catalunha, Margarida acredita que este «seguirá lutando», o que se confirma pelo agendamento de uma reunião do governo catalão para esta segunda-feira.

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