Joanne Harris – O sucesso dos best sellers

Quem gosta de chocolate certamente conhece o best seller da escritora britânica Joanne Harris. “Chocolate”, a sua terceira obra, adaptada ao cinema com Juliette Binoche e Johnny Depp, marcou o início de um sucesso literário que perdura até aos dias de hoje, com uma lista crescente de best sellers. Com os seus livros publicados em mais de cinquenta países, galardoada com alguns dos mais prestigiados prémios britânicos e internacionais, Joanne Harris publicou em 2016 “Uma Questão de Classe” e prepara-se para lançar este outono, em Inglaterra, Honeycomb.

Quinze romances, duas coleções de contos, uma novela (Dr Who) e três livros de receitas. São estes os best sellers da autoria da escritora britânica que cresceu numa loja de doces, onde respirava histórias, e chegou ao top de vendas do Reino Unido.

Nascida em Barnsley (Yorkshire, Inglaterra) a 3 de julho de 1964, filha de mãe francesa e de pai inglês, estudou Línguas Modernas e Medievais em Cambridge e foi professora de Francês durante 15 anos. Porém, admite que não trocaria a escrita pela arte de lecionar.

O primeiro best seller da autora, o 3º livro, “Chocolate”
Apaixonada por teatro musical, fã de Game of Thrones e baixista aos sábados numa banda desde os 16 anos, respira histórias e é na escrita que encontra a sua maneira de viver, que adjetiva de “desorganizada”.

Em 2014, teve a oportunidade de partilhar a sua história através das sessões TEDX Talks, onde debateu a importância das palavras e de contar histórias sobre pessoas.

TEDX Talks Salford – 8 de maio de 2014 – Joanne Harris:

Em exclusivo para a ESCS MAGAZINE, a escritora respondeu a algumas perguntas e deixou também uma mensagem especial para o público português.

A entrevista (traduzida do Inglês):
ESCS MAGAZINE: Joanne Harris ganhou reconhecimento, sobretudo, a partir da obra Chocolate, em 1999. Nos livros seguintes, sentiu a pressão de escrever novamente, após o sucesso desta obra?
Joanne Harris: Não. A verdade é que não. A meu ver, nós não medimos o sucesso pelo que dizem os críticos, nem pelo número de cópias vendidas (embora eu tenha tido sorte nessa área). Acima de tudo, escrevo para minha própria satisfação e acho que estou suficientemente ancorada para ter mantido um senso bastante vivo de autocrítica. Também tenho o privilégio de ter leitores muito leais, que entendem que tenho de continuar a correr riscos para crescer.

Em 2016 lançou “Uma Questão de Classe”. De certa forma, é um regresso ao passado?
Eu só escrevo sobre ambientes que já vivenciei. Nesse sentido, sim. Fui professora – o livro enquadra-se, em parte, num ambiente escolar, que é algo que conheço bastante bem – e era quase inevitável não escrever sobre isso. É um livro cheio de reviravoltas, numa escola em crise. Tem muitas passagens entre o passado e o presente, e envolve um escândalo, que é esmiuçado até ao mais minucioso pormenor.

A obra publicada em 2016, “Uma questão de classe”
Para quando uma nova história?
Não sei quando é que o meu próximo livro será traduzido para português, mas vai sair aqui [em Inglaterra] já no outono. Intitula-se HONEYCOMB e é uma coleção de cem histórias de fadas originais, ilustradas pelo americano Charles Vess.

Falando de histórias, a típica pergunta a que os escritores não podem escapar: onde é que se inspira para escrever as suas obras?
Em tudo. Em todos os lugares: livros, jornais; na rua; de conversas que tive, de conversas que ouvi, de observar as pessoas durante as viagens de comboio, por exemplo; sonhos. Preciso de conhecer diferentes lugares e contextos para manter a minha produção criativa. Também tenho de ler muito, para manter as minhas janelas para o mundo abertas. Gostava de referir ainda que me inspiro, particularmente, naqueles que não acreditam. Quando frequentava a escola, um professor disse-me que eu devia de parar de pensar em histórias, em ler e escrever histórias, porque isso não me levaria a lado nenhum. Ora, vejam onde estou…

Qual o escritor/a que mais a inspira?
Haruki Murakami, porque ele empurra os limites da trama e possibilidade. Mas também admiro autores como Aldous Huxley, Anthony Burgess, Christopher Fowler, Cormac McCarthy, Rosemary Sutcliff, Stephen King, Walter Tevis, Wilkie Collins,…

Qual foi a história que mais orgulho lhe deu em escrever?
Acho que foi “O Rapaz de Olhos Azuis”, porque era tão complicado e desafiante, a nível emocional, que é difícil não nos envolvermos com as personagens.

E qual o livro que não se cansa de reler?
Les Miserables, de Victor Hugo. Era o livro favorito do meu avô. Cada vez que volto a lê-lo, há algo que acontece sempre: descubro detalhes que perdi da última vez – acho isso fascinante – e desfaço-me, de todas as vezes, com a morte de Javert.

Em 2014 recebeu um prémio referente à lista de honra Queen’s Birthday Honour List, devido ao seu serviço ao nível da literatura. O que é que pensa sobre o papel da literatura na indústria da imprensa, hoje em dia?
Acho que é triste que tantos jornais e revistas tenham reduzido as secções de publicação literária. Estas secções ajudam a indústria de todas maneiras possíveis e promovem o interesse na leitura, daí que a análise e crítica feita por estas secções seja importante para o bem da literatura.

Todos os dias, através do seu site, recebe diversas questões por parte dos leitores. Qual é a pergunta mais frequente?
Esta é, de longe, a pergunta mais frequente: “Estou a escrever um relatório/resumo sobre o livro X e preciso de ajuda para explicar o que queria dizer em tal frase”. Isto reflete a tendência de assumir que os autores sabem tudo o que há para saber sobre os seus próprios livros e de que a interpretação do escritor conta muito mais do que a do leitor. Nenhuma suposição é necessariamente verdadeira. Assim, a melhor ajuda que posso dar é: primeiro do que tudo, fingir que estou morta. Em seguida, ler o livro cuidadosamente e tirar as suas conclusões. Não ter medo de expressar as suas próprias opiniões. E, sobretudo, evitar os “ensaios modelo”, que são abundantes na Internet.

Um conselho para aqueles que aspiram a ser escritores?
Eliminem a palavra “aspirante”. Escrevam. E, depois, escrevam mais. Mas não queiram ser escritores para ganhar dinheiro. Qualquer pessoa que vá para escritor para fazer dinheiro não vai ser feliz.

Já esteve em Portugal, em 2002, 2004 e 2010. Para quando uma nova visita?
Espero voltar muito em breve… Gosto imenso dos meus fãs portugueses; recebem-me sempre de forma calorosa e entusiástica. Tenho de confessar que adoro Portugal. Já estive em Almada, Coimbra, Leiria, Lisboa, Oeiras, Porto e fui sempre bem recebida. E o tempo é maravilhoso.

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